Somos...

Somos...
Rebele-se Contra o Racismo!

terça-feira, 25 de dezembro de 2012

"A majestade dos mares. Senhora dos oceanos, sereia sagrada, Iemanjá é a Rainha das águas salgadas"


História

Pierre Verger, no livro Dieux D'Afrique, registrou: "Iemanjá é o orixá dos Egbá, uma nação iorubá estabelecida outrora na região entre Ifé e Ibadan, onde existe ainda o Rio Yemanja. As guerras entre nações iorubás levaram os Egbá a emigrar na direção oeste, para Abeokuta, no início do século XIX. Não lhes foi possível levar o rio, mas transportaram consigo os objetos sagrados, suportes do axé da divindade. O Rio Ògùn, que atravessa a região, tornou-se, a partir de então, a nova morada de Iemanjá. Este Rio Ògùn não deve, entretanto, ser confundido com Ògún, o orixá do ferro e dos ferreiros."
Iemanjá é a preocupação e o desejo de ver aquilo que amamos a salvo, sem problemas. É a manutenção da harmonia do lar.
Está presente também no nascimento, pois é ela quem vai aparar a cabeça do bebê, exatamente no momento do seu nascimento. Se Exu fecunda e Oxum cuida da gestação, é Iemanjá quem vai receber aquela nova vida no mundo e entregá-la ao seu regente, que inclusive pode ser até ela mesma. Isto tem uma importância muito grande, no sentido e na visão da Cultura Africana, sobre a fecundação e concepção da vida humana. Iemanjá é a senhora dos lares, pois, desde o nascimento, ou a partir do nascimento, ela cuidará da família.

Sincretismo

Uma das maiores festas ocorre em Rio Grande, no Rio Grande do Sul, devido ao sincretismo com Nossa Senhora dos Navegantes. No mesmo estado, em Pelotas a imagem de Nossa Senhora dos Navegantes vai até o Porto de Pelotas. Antes do encerramento da festividade católica acontece um dos momentos mais marcantes da festa de Nossa Senhora dos Navegantes em Pelotas, que em 2008 chegou à 77ª edição. As embarcações param e são recepcionadas por umbandistas que carregavam a imagem de Iemanjá, proporcionando um encontro ecumênico assistido da orla por várias pessoas.Existe um sincretismo entre a santa católica Nossa Senhora dos Navegantes e a orixá da Mitologia Africana Iemanjá. Em alguns momentos, inclusive festas em homenagem as duas se fundem. No Brasil, tanto Nossa Senhora dos Navegantes como Iemanjá tem sua data festiva no dia 2 de fevereiro. Costuma-se festejar o dia que lhe é dedicado, com uma grande procissão fluvial.
No dia 8 de dezembro, outra festa é realizada à beira mar baiana: a Festa de Nossa Senhora da Conceição da Praia. Esse dia, 8 de dezembro, é dedicado à padroeira da Bahia, Nossa Senhora da Conceição da Praia, sendo feriado municipal em Salvador. Também nesta data é realizado, na Pedra Furada, no Monte Serrat em Salvador, o presente de Iemanjá, uma manifestação popular que tem origem na devoção dos pescadores locais à Rainha do Mar - também conhecida como Janaína.
Na capital da Paraíba, a cidade de João Pessoa, o feriado municipal consagrado a Nossa Senhora da Conceição, 8 de dezembro, é o dia de tradicional festa em homenagem a Iemanjá. Todos os anos, na Praia de Tambaú, instala-se um palco circular cercado de bandeiras e fitas azuis e brancas ao redor do qual se aglomeram fiéis oriundos de várias partes do Estado e curiosos para assistir ao desfile dos orixás e, principalmente, da homenageada. Pela praia, encontram-se buracos com velas acesas, flores e presentes. Nos ultimos anos, segundo os organizadores da festa, 100 mil pessoas compareceram ao loca.
Mais um fim de ano chegou e, com ele, a festa religiosa tão tradicional para fiéis de vários segmentos: o Barco de Iemanjá. A Congregação Espírita Umbandista do Brasil (Ceub) realiza, dia 29,  o presente à Rainha do Mar, na Praia de Copacabana.

Com a proximidade da chegada de um novo ano, as pessoas começam a pensar em fazer novos planos e projetos, além de procurar formas para iniciar o ano com o pé direito. Os religiosos e simpatizantes da umbanda e candomblé seguem alguns rituais para agradecer o ano que passou e receber da melhor forma possível o ano que vem surgindo.
Durante todo o mês de dezembro, as lojas de artigos religiosos do Mercadão de Madureira envolvidas na Festa, mantêm um barco de 1 metro de cumprimento enfeitado para Iemanjá onde os clientes e visitantes colocam pedidos e oferendas para esse Orixá. Durante esse período os lojistas e seus auxiliares estarão usando as camisas feitas especialmente para a Festa e distribuirão panfletos explicativos sobre os festejos. A imagem de Iemanjá de 1,80 mt que será levada em cortejo de Madureira até a praia de Copacabana no dia 29 fica sendo exibida ao longo do mês de dezembro nos corredores do Mercadão.
“O Barco de Iemanjá é uma tradição não só para umbandistas. Pessoas de várias religiões me perguntam sobre os preparativos durante todo o ano e costumam parabenizar pela beleza de todos os festejos. É um trabalho que fazemos com muita dedicação e esperamos sempre levar paz, equilíbrio e muito amor a todos
“Iemanjá também é sagrada para o Candomblé e, apesar de reverenciarmos de formas diferentes, é importante mostrarmosunião com os umbandistas. O Barco de Iemanjá é acompanhado por milhares de pessoas todos os anos, faz parte da cultura brasileira.”, 
"O cristão católico, des de o Concílio Vaticano II, é convocado, a partir da fé em Jesus Cristo, a conhecer, valorizar e afirmar os valores positivos das diversas imateriais da fé, de afirmação ecológica e de diálogo sincero”, ressalta padre Gegê, da Paróquia Santa Bernadete.

tradições religiosas. Nessa perspectiva, encontramos em cada barco ofertado tesouros 
Para a diretora de Diálogo Inter-religioso da Federação Israelita do Rio de Janeiro (Fierj), Diane Kupermam, a participação compõe a força do trabalho pela paz entre as religiões e também se faz importante por celebrar uma entidade feminina. “Participar do Barco de Iemanjá representa, antes de mais nada, o profundo engajamento no diálogo inter-religioso que requer participação respeitosa nas celebrações religiosas de outros credos. No meu caso particular, como ativista de movimentos feministas que lutou em prol da igualdade de gêneros, e como judia liberal, que conquistou o direito de participação nos cultos e rituais judaicos antes exclusivamente masculinos, significa ainda tomar parte de uma festividade que celebra uma entidade feminina.
Iemanjá representa a maternidade, a compaixão, o amor e o perdão, mas encarna, também, o poder sobre as forças da natureza e a capacidade de domar todas as paixões. E o símbolo feminino por excelência, com toda sua complexidade e suas contradições. Compartilhar da festa de Iemanjá  é reafirmar nosso compromisso comum – judeus, cristãos, muçulmanos, candomblecistas, umbandistas, kardecistas, ateus, e tantos outros - na construção de um mundo melhor, sem preconceitos, em que cada ser humano poderá exercer sua crença em liberdade
A lavagem do Bonfim acontece na cidade de Salvador sempre no início do mês de janeiro. Baianas usando trajes típicos das religiões de matriz africana lavam as escadarias da igreja de Nosso Senhor do Bonfim com água perfumada, folhas e pétalas de flores. Nosso senhor do Bonfim é sincretizado com Oxalá, divindade africana responsável pela criação do mundo e dos homens e que tem como elemento fundamental do seu culto, as águas.
Para os religiosos Iemanjá é a Deusa de Egbé, nação iorubana onde existe o rio Yemojá (Iemanjá). No Brasil, é conhecida como a rainha das águas e dos mares. Orixá muito respeitada e cultuada, tida como mãe de quase todos os Orixás. Por isso a ela também pertence a fecundidade. Adeptos e simpatizantes das religiões de matriz africana costumam oferecer a ela flores e presentes na passagem de ano para agradecer o ano que passou e fazer pedidos para o ano que se aproxima.
Um afro abraço.
fonte:Jornal do Brasil/www.jb.com.br/ enciclopédia livre.


Nenhum comentário:

Postar um comentário