Somos...

Somos...
Rebele-se Contra o Racismo!

terça-feira, 30 de outubro de 2012

Dia da Mobilização Pró-Saúde da População Negra é tema de ações em todo o território nacional


O dia 27 de Outubro foi escolhido pelas organizações do movimento negro e trabalhadores da saúde para lembrar que apesar dos avanços conquistados na área da saúde, ainda persistem as desigualdades raciais.
 Visando garantir à população negra a efetivação dos direitos voltados à saúde, a Rede Nacional de Controle Social e Saúde da População Negra realiza entre outubro e novembro, a Mobilização Nacional Pró-Saúde da População Negra. Com o slogan Saúde da População Negra é Direito, é Lei: Racismo e Discriminação fazem Mal à Saúde a campanha realizará atividades com foco no enfrentamento do racismo institucional no Sistema Único de Saúde (SUS) e no processo de implantação da Política Nacional de Saúde Integral da População Negra (PNSIPN).
Mobilização Nacional – Estabelecido Dia Nacional da Mobilização Pró-Saúde da População Negra, 27 de outubro, tornou-se marco para reflexão sobre os processos, avanços e diretrizes para a garantia do direito à saúde a este segmento da população. Identificar as necessidades e massificar as informações sobre os seus direitos ampliando o debate com os gestores,profissionais e utilizá-las como critério de planejamento e definição de prioridades ao perfil é um dos principais pontos do Estatuto da Igualdade Racial.
 Para que a Política Nacional de Saúde Integral da População Negra se torne uma realidade em todo o país vai depender muito dos nossos esforços  e de negociação política. Devemos estar preparados  em cada estado  e município para cobrar a implementação da Política, pois agora é lei.
Está na hora de mudar, não podemos mais deixar que negros e negras continuem morrendo de causas evitáveis. Lembre-se que Racismo não combina com a Política Nacional de Humanização do SUS.
Participe você também.
 Realizando encontros, seminários, rodas de conversa, discutindo um filme ou vídeo sobre questões raciais, produzindo um programa sobre saúde da população negra na rádio comunitária do seu bairro, reunindo gestores e profissionais de saúde para discutir esse tema, solicitando espaço no conselho de saúde da sua cidade para abordar o tema saúde da população negra, provocando uma fala do Secretário de Saúde de sua cidade, convocando a Superintendência ou Coordenações de Promoção de Igualdade Racial de seu município, etc.
Não fique parado, reúna os(as)  amigos(as)   e companheiros(as)  e organize uma atividade.

Nos últimos vinte anos, é memorável a importância conquistada pelas Organizações do Movimento Social Negro, como protagonistas de mudanças de paradigmas, trazendo à sociedade e governantes os distintos olhares sociais que contribuem ao cumprimento dos direitos humanos e promoção de novos direitos na atenção a saúde da população negra. Destacam-se no período ações técnicopolíticas lideradas principalmente por mulheres negras que, enquanto observadoras e participantes das comunidades negras das periferias dos grandes centros urbanos, presenciam que essa nasce, vive e morre de forma diferente, quando comparada à população socialmente percebida como branca. Com esse olhar, inserem o tema saúde da população negra na pauta de reivindicações do movimento negro nacional..
Eis o desafio para os movimentos sociais negros: conhecer e divulgar a Política de Atenção Integral a Saúde da População Negra, no meio acadêmico, nos gestores, formadores de opinião, mas principalmente difundir essa informação junto à população em geral para que essa atue efetivamente no monitoramento dessas políticas.
Quadro 1 – Doenças crônicas degenerativas
Condições geneticamente determinadas, dependentes de elevadas freqüências de gene (s) responsáveis pela doença ou a ele (s) associado (s).
·         Anemia falciforme
·         Diabetes mellitos
·         Hipertensão arterial
·         Deficiência de glicose 6-fosfato desidrogenase
Neste quadro, são apresentadas as doenças crônicas degenerativas, cuja profilaxia está associada ao comportamento, na qual as informações voltadas ao autocuidado com adoção de hábitos voltados à qualidade de vida são fundamentais para a redução ou evitar seqüelas.
Quadro 2 – Enfermidades adquiridas derivadas de condições socioeconômicas
Condições adquiridas, derivadas de condições socioeconômicas e educacionais desfavoráveis e intensa pressão social.
·         Alcoolismo
·         Toxicomania
·         Desnutrição
·         Mortalidade infantil elevada
·         Abortos sépticos
·         Anemia ferropriva
·         DST/AIDS
·         Doença do trabalho
·         Transtornos mentais
Neste grupo, estão as enfermidades resultantes do meio social e educacional e devem ser intermediadas entre os sistemas de saúde e educação.
Quadro 3 – Grupo de Enfermidades adquiridas com agravante socioeconômico
Doenças cuja evolução é agravada ou o tratamento dificultado pelas condições socioeconômicas e educacionais e pressão social
·         Hipertensão arterial
·         Diabetes mellitos
·         Coronariopatias
·         Insuficiência renal crônica
·         Câncer
·         Miomas
Neste grupo de enfermidade, o agravamento está associado às condições econômicas, ao acesso ao serviço de saúde e estado emocional associado à pressão social e discriminação e racismo.
Quadro 4 – Grupo de condições fisiológicas que podem evoluir para doença
Condições Fisiológicas que sofrem interferências das condições ambientais já citadas contribuindo para a evolução da doença
·         Crescimento
·         Gravidez
·         Parto
·         Envelhecimento
Neste grupo, foram agrupadas situações fisiológicas que sofrem influência direta das situações socioeconômicas e educacionais, resultando em alta morbidade ou mortalidade.
Apesar das várias iniciativas dos últimos cinco anos, por parte de alguns gestores em consolidar a saúde da população negra enquanto política pública no SUS, as várias legislações e portarias que norteiam a temática, principalmente em relação à anemia falciforme, essas ações ainda, não impactam no cotidiano do bem estar das populações negras.
No entanto, no cotidiano das representações sociais associadas à saúde da população negra é no quesito saúde que vamos encontrá-la tão bem posicionada que atinge a utopia do conceito de saúde da Organização Mundial de Saúde. Ou seja, saúde é o estado de perfeito bem estar físico, mental, social e espiritual e não apenas a ausência de doença.
É voz corrente nas famílias negras, assim como na população geral, frases do tipo: Negro é forte, negro não adoece, negro tem saúde de ferro, negro vive mais, negro é resistente a dor, negro não chora, negro não vai ao medico, negro é alegre, negro é festeiro, negro é bom de samba, negro está sempre rindo....
Cabe a nós mulheres e homens negros, desconstruírmos esses resquícios do escravismo no qual não podíamos adoecer e, continuarmos na luta em defesa do SUS para que nós negros, agora 52% da população brasileira,sejamos contemplados em nossas especificidades para que o Brasil seja de fato e de direito, um país de todas e todos, independentemente da sua origem ou etnia

SAÚDE DA POPULAÇÃO NEGRA É DIREITO!
REBELE-SE CONTRA O RACISMO!
Um afro abraço.
Fonte:unegro-saude/ www.ebah.com.br/content/ www.mocambos.org.

Nenhum comentário:

Postar um comentário