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sexta-feira, 1 de março de 2013

Angenor de Oliveira mais pode me chamar de Cartola ...

 "Modéstia, sensibilidade, criatividade e honestidade são só alguns dos adjetivos que nos remetem à lembrança do maior compositor da história do samba e um dos maiores da verdadeira música popular brasileira: Cartola."

Angenor de Oliveira nasceu no dia 11 de outubro de 1908, no bairro do Catete, Rio de Janeiro. Por motivos financeiros a família de Cartola teve que se mudar para o morro da Mangueira.
Festas de rua e desfiles de Reis foram um laboratório musical para o menino Cartola que aprendeu a tocar cavaquinho com o pai. Aos 15 anos, depois da morte da mãe, foi viver uma vida própria de boêmia, deixando escola e família para trás.
Tinha o curso primário, trabalhou em tipografias e como pedreiro. Nas construções em que trabalhava usava um chapéu parecido com uma cartola para se proteger do cimento, daí surgiu o apelido. Em 1925, junto com Carlos Cachaça, fundou o Bloco dos Arengueiros, que em 1928, desdobrou-se com outros blocos do morro da Mangueira na fundação da segunda escola de samba da cidade do Rio de Janeiro, o G.R.E.S Estação Primeira de Mangueira, tendo as cores da escola (verde e rosa) escolhidas por ele mesmo.
Operário da construção civil, Angenor de Oliveira incomodava-se muito com o cimento que caía sobre seus cabelos e por isso usava um chapéu, o que motivou seus companheiros a darem-lhe o apelido de Cartola, que mais tarde ficaria conhecido por suas belíssimas composições, ainda vivas depois de tantas décadas.

Considerado por diversos músicos e críticos como o maior sambista da história da música brasileira, Cartola nasceu no bairro do Catete, mas passou a infância no bairro de Laranjeiras. Tomou gosto pela música e pelo samba ainda moleque e aprendeu com o pai a tocar cavaquinho e violão. Dificuldades financeiras obrigaram a família numerosa a se mudar para o morro da Mangueira, onde então começava a despontar uma incipiente favela...Na Mangueira, logo conheceu e fez amizade com Carlos Cachaça — seis anos mais velho — e outros bambas, e se iniciaria no mundo da boemia, da malandragem e do samba...

Com o samba no sangue e mangueira no tom...
Com o forte movimento de organização dos blocos de carnaval, iniciado na década de 20, diversas escolas de samba começaram a surgir e ganhar notoriedade. Surgiu então no Estácio a escola de samba Deixa Falar, criada por Ismael Silva, outro nome imortal na história do samba. Mais tarde, no dia 28 de abril de 1928, Cartola e outros sete amigos — Euclides, José Claudino (Massu), Pedro Caim (Pedro Paquetá), Heitor dos Prazeres (Mano Heitor), Saturnino Gonçalves (Satur), Abelardo da Bolinha e Zé Espinguela — reunidos na casa de Euclídes da Joana Velha, em nome de todos os blocos da Mangueira, fundam a Escola de Samba Estação Primeira de Mangueira. O nome foi inspirado em uma música de Cartola, assim como as cores, verde e rosa, que também foram escolhidas pelo Mestre. Na gravação de uma de suas músicas,Inverno do meu Tempo, antes de versar ele conta como surgiu a idéia. 
— Quem criou esse nome de estação primeira fui eu, porque eu tinha um samba que se chamava Sonhos de Estação Primeira, salve o morro de Mangueira. E aí ficou esse nome: Estação Primeira. Eu morava no Catete, depois mudei-me pra Laranjeiras e lá tinham dois ranchos, o da Aliança e o dos Arrepiados, que era verde e rosa. Por isso eu gostava dos Arrepiados. Quando vim para o morro, que fundamos a Escola, eu me lembrei das cores verde e rosa e pedi pra botar. Eles aceitaram, mas o Carlos [Cachaça] disse que já tinha um rancho lá em Mangueira, dos Caçadores da Floresta, que tinha essas cores, verde e rosa. Então calhou.— conta Cartola, que em seguida fala sobre sua paixão pelo samba — Eu gosto mais de fazer samba-canção porque é o estilo que eu acho bonito. Eu não gosto muito desses sambas corridos, tem que ser uma coisa muito boa. Eu mesmo já fiz muitos, mas fui caindo mais pro lado da canção. Eu não levo jeito pra fazer outro tipo de música. O parceiro meu que foi mais frequente foi Carlos Cachaça, com quem eu escrevi mais músicas — conta o Mestre, não esquecendo do seu grande amigo e concunhado.
A glória na velhiceEm 1970 Cartola protagonizou uma série de apresentações promovidas pela União Nacional dos Estudantes, intituladas "Cartola Convida", na praia do Flamengo, onde recebia grandes nomes do samba. Também naquele ano, a Abril Cultural lançou um volume dedicado à sua obra na série "História da música popular brasileira", no qual o sambista interpretou "Preconceito" (de sua autoria). Em 1972 Paulinho da Viola gravou "Acontece" e Clara Nunes gravou "Alvorada" (com Carlos Cachaça e Hermínio Bello de Carvalho). Em 1973 Elza Soares gravou "Festa da Vinda" (parceria com Nuno Veloso).
Mas a consagração definitiva viria somente em 1974, alguns meses antes de completar 66 anos, quando o sambista finalmente gravou seu primeiro disco-solo. Cartola, lançado em uma iniciativa do pesquisador musical, produtor de discos e publicitário Marcus Pereira. O disco, que recebeu vários prêmios e foi considerado um dos melhores daquele ano,reunia uma coleção de obras-primas de Cartola e uma equipe de instrumentistas de primeira linha no acompanhamento.

O sambista interpretou "Acontece", "Tive Sim", "Amor Proibido"e "Amor Proibido" (canções de autoria própria), "Disfarça E Chora" e "Corra E Olhe O Céu" (parceria com Dalmo Casteli), "Sim" (com Oswaldo Martins), "O Sol Nascerá" (com Élton de Medeiros), "Alvorada" (com Carlos Cachaça e Hermínio Bello de Carvalho), "Festa Da Vinda" (com Nuno Veloso), "Quem Me Vê Sorrindo" (com Carlos Cachaça) e "Ordenes E Farei" (com Aluizio).
Também em 1974 a mesma gravadora Marcus Pereira lançou o LP "História das escolas de samba: Mangueira", no qual Cartola interpretou algumas faixas. Pouco depois, durante uma entrevista ao radialista e produtor Luiz Carlos Saroldi, em um programa especial para a Rádio Jornal do Brasil, apresentou dois sambas ainda inéditos: "As Rosas Não Falam" e "O Mundo é um Moinho". Ainda naquele ano, o sambista participou do programa radiofônico "MPB - 100 ao vivo" - os programas foram editados em oito LPs com o mesmo título e em um dos álbuns ocupou todo um lado, deferência só concedida a dois outros convidados, Luiz Gonzaga e Paulinho da Viola - e se apresentou no bairro carioca de Botafogo, em que atuou ao lado da cantora Rosana Tapajós e do flautista Altamiro Carrilho Gal Costa regravou "Acontece".
Logo depois, em 1976, a mesma gravadora lançou o segundo LP, também intitulado Cartola. O sucesso do álbum foi puxado por uma de suas mais famosas criações, "As Rosas Não Falam", incluída na trilha sonora de uma novela da Rede Globo. Ainda em seu segundo disco, Cartola interpretou suas composições "Minha", "Sala de Recepção", "Aconteceu", "Sei Chorar", "Cordas de Aço" e"Ensaboa". Gravou também as canções "Preciso me encontrar" (de Candeia), "Senhora tentação" (de Silas de Oliveira) e "Pranto de Poeta" (de Nelson Cavaquinho e Guilherme de Brito. Também nesse ano, Clementina de Jesus gravou "Garças Pardas" (parceria com Zé da Zilda).
A grande popularidade obtida pelo samba levou Cartola a uma divulgação inédita de seu trabalho. Realizou seu primeiro show individual, no Teatro da Galeria, no bairro do Catete, acompanhado pelo Conjunto Galo Preto. O show foi um sucesso de público e se estendeu por quatro meses em várias partes do país.

Em 1977 o sambista dividiu com um novo parceiro, Roberto Nascimento, uma turnê por palcos do Sesc, no interior de São Paulo.Em meio ao grande sucesso, Cartola voltou a desfilar pela Mangueira, após 28 anos de ausência no desfile de carnaval. O seu samba"Tive, Sim" foi defendido por Ciro Monteiro na I Bienal do Samba, promovida pela TV Record, e terminou classificado em quinto lugar no concurso. Também foi convidado pela Prefeitura de Curitiba para integrar o juri do desfile das escolas de samba locais, onde, pela primeira e única vez julgou um desfile das escolas. Beth Carvalho gravou com sucesso "O mundo é um moinho". Em junho de 1977 a Rede Globo apresentou o programa "Brasil Especial" número 19, dedicado exclusivamente a Cartola, e que obteve grande êxito. Em setembro daquele mesmo ano, o sambista participou (acompanhado por João Nogueira) do "Projeto Pixinguinha", no Rio de Janeiro, e depois em uma excursão pelas principais cidades brasileiras. O sucesso do espetáculo os levou a excursionar por São Paulo, Curitiba e Porto Alegre.
Ainda em 1977, em outubro, a gravadora RCA lançou "Verde que te quero rosa", seu terceiro disco-solo, com igual sucesso de crítica. Um dos grandes destaques do álbum foi "Autonomia", com arranjo do maestro Radamés Gnatalli. Desse LP fazem parte o samba-canção "Autonomia", além de "Nós Dois" (composta especialmente para o casamento com Zica, em 1964). Recriou "Escurinha"(samba do mangueirense Geraldo Pereira, falecido prematuramente em consequência de uma briga com "Madame Satã"). Estão presentes ainda os sambas "Desfigurado", "Grande Deus", "Que é feito de você" e "Desta vez eu vou" (todos de sua autoria), "Fita meus olhos" (com Osvaldo Vasques) e "A canção que chegou" (com Nuno Veloso)
Em 1978, buscando tranqüilidade, muda-se para jacarepaguá, nesta época descobre que estava com câncer, faleceu no dia 30 de novembro de 1980. É uma das grandes referências históricas da Escola de Samba Estação Primeira de Mangueira e da MPB.
Se liga: Mesmo tendo sido um dos maiores poetas, não só do samba como da música popular brasileira, Cartola foi uma grande vítima da mesma exploração que padece o povo brasileiro. Angenor de Oliveira morreu muito pobre, morando em um pequeno sobrado, que foi doado a ele pela prefeitura.

"Cartola não existiu.Foi um sonho que tivemos."
- Nelson Sargento
Um afro abraço.
UNEGRO 25 ANOS DE LUTA...
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fonte:Carneiro, Luiz Felipe “Os doze maiores clássicos de Cartola”(Fitinha, 22/11/2008); e “Cartola – Uma Biografia” Conexão Professor, Secretaria de Educação, Portal do Governo do Rio de Janeiro/ Wikipédia, a enciclopédia livre.

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