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terça-feira, 19 de fevereiro de 2013

Fundamentalismo religioso ameaça laicismo ...?


 fundamentalismo religioso está presente em todas as religiões, durante todas as épocas da história da humanidade. Os fundamentalistas são os mais conservadores e literais seguidores de uma religião.
Existem várias correntes fundamentalistas religiosas entre os adeptos do judaísmo, cristianismo e islamismo, além de outras...
Em muitos casos, o fundamentalismo religioso é um fenômeno moderno, caracterizado pelo senso de esvaziamento do meio cultural, até mesmo onde a cultura pode nominalmente ser influenciada pela religião dos partidários. O termo pode também se referir especificamente à crença ou convicção de que algum texto ou preceito religioso seja infalível e historicamente preciso ainda que contrários ao entendimento de estudiosos modernos...

O laicismo é uma tentativa de articular a diversidade e o pluralismo em todas suas manifestações pessoais e coletivas. É uma crítica do clericalismo político, à tentativa das castas sacerdotais de todas as religiões de controlar a ação do Estado. Também é a defesa do pluralismo, da autonomia da ordem jurídica e política, da dignidade e legitimidade de uma moral autônoma, e da liberdade de consciência. Além disso é a reivindicação de uma cultura de tolerância ativa. O laicismo não só se opõe à dominação, mas também é um humanismo que propõe virtudes, implicando na criação de cidadãos e, por isso, dá grande importância à educação.
UMA AMEAÇA À DEMOCRACIA?
 
O laicismo defende a liberdade religiosa, mas está contra as instituições que dificultam o pluralismo de uma cidadania diversa. Os fundamentalismos e integralismos religiosos radicais (chamem-se islamismo político, hinduismo identitário, judaísmo ultra-ortodoxo ou cristanismo neo-integrista (católico ou protestante) constituem uma ameaça para a democracia e devem ser enfrentados, a fim de não impedirem o pluralismo. Portanto, deve-se recusar suas tentativas de que se legisle a partir da verdade que dizem possuir.
Mas não se deve esquecer que a religião é uma questão pública. Nisto coincidem todos os grandes clássicos da sociologia. As religiões não devem ser privatizadas, devem ter uma presença na vida pública e contribuir para isso, mas em democracia, devem autocontrolar seu projeto de hegemonia. Não nasceram em âmbitos de laicidade e devem aprender a viver em contextos laicos, sabendo que existe algo inviolável: a liberdade de consciência.
 
"O processo de globalização tem mostrado a grande força social, cultural e política das religiões. Estas exercem um importante papel público nas democracias avançadas".

No Brasil na questão racial e negritude, a luta dos negros e negras no cenário protestante não é nova. Ela se inicia em 1841 quando um negro alfaiate, letrado, chamado Agostinho Jose Pereira, começou a pregar nas ruas de Recife a liberdade dos negros e negras nos termos bíblicos e como libertação divina.


As Igrejas Evangélicas Históricas
São as primeiras Igrejas ou denominações que chegaram ao Brasil através dos imigrantes e dos missionários estrangeiros: Congregacionais, Batistas, Presbiterianos, Metodistas, Luteranos, Anglicanos. Essas Igrejas chegaram ainda no período da escravidão e tiveram entre seus líderes defensores da escravidão, omissos e abolicionistas. Os defensores da escravidão: na sua maioria, eram missionários que vieram do sul dos Estados Unidos, ainda com ressentimentos da derrota na Guerra da Secessão que tinha como uma de suas causas a escravidão. Os omissos: Esta era a posição da grande maioria dos evangélicos históricos a respeito da escravidão negra. Os abolicionistas: Estes estiveram presentes em quase todas as denominações históricas; eram, em sua maioria, missionários oriundos do norte dos Estados Unidos, europeus e alguns convertidos brasileiros. E eram em número pequeno.
As Igrejas Evangélicas Pentecostais
O fundador do Pentecostalismo foi um negro chamado William Joseph Seymour, filho de ex-escravos. Seymour, sabendo de uma escola bíblica em Topeka, Kansas, na qual um certo Charles Fox Parham estudava na bíblia a experiência do batismo do Espírito Santo, procurou-o. Charles Fox Parham, considerado por alguns como pioneiro do pentecostalismo, era racista e também simpatizante da Ku Klux Klan e não permitiu que Seymour, por ser negro, entrasse em sua sala de aulas, permitindo apenas que ele participasse das aulas fora da sala através da porta entreaberta. Mas Seymour não desistiu, mesmo sendo humilhado, e continuou até chegar no reavivamento da rua Azusa, Los Angeles, em 1906, dando origem ao Pentecostalismo. O próprio Charles Parham foi para a rua Azusa e denunciou a mistura de raças na igreja de Seymour. E muitos diziam: “O que de bom pode vir de um auto-intitulado profeta negro?”
O racismo e a intolerância mais uma vez dividia o cristianismo transformando as igrejas pentecostais em igrejas de brancos e igrejas de negros da mesma forma que já tinha acontecido com as igrejas históricas. O pentecostalismo implantado no Brasil vem do pentecostalismo branco racista norte-americano de viés reformado. Primeiro em 1910 por meio do italiano Luigi Francescon, fundador da Congregação Cristã no Brasil; e em seguida, em 1911 por meio dos suecos Gunnar Adolf Vingren e Daniel Berg, precursores da Assembléia de Deus. Mesmo assim não conseguiram destruir a raiz negra do pentecostalismo que tomou dimensão mundial e com forte aceitação entre os negros (e) brasileiros.
As Igrejas Evangélicas Neopentecostais
O neopentecostalismo também tem sua origem nos Estados Unidos por grupos que surgiram no final dos anos 50, pregando a prosperidade, a cura e a confissão positiva, dando origem ao “movimento da fé”, também chamado de Teologia da Prosperidade. Um dos propagadores foi Kenneth Hagin, que também tem em seu currículo uma história racista, como atesta sua oposição a casamentos inter-raciais.
No Brasil, as Igrejas Neopentecostais surgiram a partir dos anos setenta. Além de reforçar a demonização da cultura negra como Históricos e Pentecostais já tinham feito, trouxeram novos pontos teológicos com fortes indícios de racismo através da doutrina da prosperidade, das maldições hereditárias e da batalha espiritual. Na doutrina da prosperidade se mede o crente abençoado por seus bens, onde de uma maneira simplista se faz um diagnóstico da situação do povo negro: “é pobre porque é pecador e é oriundo de um continente idólatra e praticante da bruxaria”.
Segundo as maldições hereditárias, o povo negro é considerado uma raça maldita. E para que o negro se livre desta maldição (aceitar Jesus não é suficiente) é necessário que ele faça uma espécie de cura interior se desvinculando de todos os seus antepassados, ou seja, não sendo mais negro. Qualquer relação que ele tenha com a sua cultura poderá trazer de volta as maldições. A Batalha Espiritual reforça a demonização do povo negro. Se olharmos cuidadosamente os livros que tratam do assunto — principalmente dos EUA, ver o livro Este Mundo Tenebroso, de Frank E. Peretti, Editora Vida — veremos que no exército de Deus são todos brancos e louros enquanto que no exército do diabo são todos pretos e negros.
É neste contexto que o Movimento Negro Evangélico tem ampliado cada vez mais sua organização e se fortalecido. Mesmo sem uma agenda única de luta, os grupos mais articulados vêm buscando construir essa agenda comum. Não é uma tarefa fácil porque esse movimento é formado por integrantes de diferentes igrejas evangélicas, desde as igrejas mais fundamentalistas às igrejas mais liberais. Vemos, por exemplo, em algumas iniciativas o objetivo único de evangelizar não tocando no racismo existente nas igrejas. Em outras, busca-se combater o racismo focalizado na sociedade mas não na igreja. E temos também as que se focalizam no combate ao racismo nas igrejas evangélicas e participam também da luta anti-racista na sociedade.
As principais reivindicações dos Negro Evangélico que aparecem na pauta das reuniões e seminários das organizações e grupos mais articulados são: combate ao racismo, políticas de ações afirmativas e reparações e superação da intolerância religiosa. Dentro do cenário evangélico, essa luta também tem as suas reivindicações especificas: reparações no sentido teológico e material, releitura bíblica, e políticas de ações afirmativas com cotas e bolsas de estudos para negros em colégios e universidades protestantes.
Diante de tantos desafios, o Negro Evangélico vem avançando, conquistando espaço e gerando impacto. Mesmo assim, as mudanças são lentas e os desafios são cada vez maiores. Podemos ver isso quando examinamos a sua atuação e situação dentro das igrejas:
- Pioneira, a igreja Metodista é a única denominação que tem um ministério de combate ao racismo. Também em 2005 foi criado o ministério de Ações Afirmativas para Afro-descendentes.
- A Igreja Evangélica de Confissão Luterana tem dado espaço ao Grupo Identidade (anteriormente Grupo de Negros e Negras) um grupo de estudantes de teologia da Escola Superior de Teologia, no Rio Grande do Sul.
- A Igreja Presbiteriana Unida, no seu trabalho de combate ao racismo, vem dando passos importantes através de seu Conselho Coordenador. Passou a ter como parte de seu calendário litúrgico anual o “Dia da Consciência Negra”, que é comemorado no país em 20 de novembro.
- A Comissão Ecumênica Nacional de Combate ao Racismo – CENACORA, vem articulando as Igrejas Históricas para a questão do racismo e negritude.
- E o Conselho Latino Americano de Igrejas - CLAI- Brasil criou a Pastoral da Negritude, incentivando a criação da mesma pastoral em nível continental.
- Alem desses trabalhos, existem atuações de grupos e pessoas dentro das denominações históricas não-ecumênicas como a Igreja Batista do Pinheiro, que criou uma Pastoral da Negritude para atuar na cidade de Maceió, Alagoas.
- Nas Igrejas Pentecostais, o trabalho de combate ao racismo e negritude não fazem parte da agenda de nenhuma das denominações desse seguimento; os trabalhos que existem vêm das bases, de membros e pastores.
- E nas Igrejas Neopentecostais, não existe nenhum trabalho focalizado no combate ao racismo e consciência negra; o que tem é o movimento black gospel.
A integração será certamente uma etapa importante para a consolidação do negro religiosos. É através dela que poderá ser criada uma agenda comum que esteja sintonizada com as massas negras evangélicas e não evangélicas. Não é uma tarefa fácil, os obstáculos são muitos e precisam ser vencidos. Uma coisa tenho certeza: o negro evangélico dentro do movimento.


Se vivemos em um estado democrático, onde impera a liberdade irrestrita de expressão estamos falando estritamente sobre o posicionamento social e religioso, a conduta e inclusive a crença do sujeito em questão.Todos nós precisamos aprender a cultura da tolerância ativa, que é a pedra angular da laicidade e direito de escolha. Não deveríamos utilizar nossos símbolos de identidade simbólica  religiosa como armas de negação de nossa  identidades cultural. Os países, inclusive os micro-países, são plurais e, portanto, países arco-íris. Devemos evitar as guerras de bandeiras. Expressemos nossos símbolos, vendo-os como complementares. Aprendamos a conviver na sociedade civil. Ninguém deveria pretender ter com exclusividade uma pátria ou monopolizar a cultura,religião escolha e pensamentos de um grupo de coletivo ou individual  de um país. Nos afro descendentes nas questões da luta contra o preconceito temos ou deveríamos ter uma bandeira unica.
Claudia Vitalino.
Um afro abraço.
UNEGRO 25 ANOS DE LUTA...
REBELE-SE CONTRA O RACISMO!
fonte:Excerto do livro O Movimento Negro Evangélico – Um mover do Espírito. Selo Negritude Cristã, 2009/Wikipédia, a enciclopédia livre.

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