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sexta-feira, 2 de novembro de 2012

Nossa Gente:Ruth de Souza fez história ao ser a primeira atriz negra a representar no Teatro Municipal do Rio de Janeiro.


Brasil é um país plural, com uma população formada por várias raças e etnias. País construído por colonizadores europeus, nativos indígenas e negros africanos em sua essência. Se o índio faz parte de uma minoria de brasileiros, negros e brancos quase que empatam em número populacional. Apesar da paridade numérica, os abismos sociais entre negros e brancos continuam a ser uma grande ferida na integridade racial do Brasil.

A presença negra na formação do Brasil veio através dos grupos étnicos africanos capturados em  suas tribos e feitos escravos nas terras da colônia. Desde então negros, brancos e índios misturaram-se, construindo uma população miscigenada com maioria visível de negros. O impacto da presença negra na população do Brasil sempre foi motivo de preocupação entre os colonizadores, que temiam uma rebelião da raça contra a minoria branca. Em 1609, para aumentar a população branca do Brasil, o rei Filipe II de Portugal (III da Espanha), proibiu a fundação de conventos no Brasil, para que os brancos europeus que migravam à colônia não fossem somente padres e missionários sem compromissos com a procriação. O medo de uma rebelião negra aumentou drasticamente em 1804, quando os escravos nativos de Hispaniola, no mar do Caribe, tomaram a parte ocidental da ilha e declararam a independência do Haiti, abolindo a escravidão. Muitos receavam que se sucedesse o mesmo no Brasil, e antes que acontecesse, foi iniciado um branqueamento da população brasileira durante o primeiro e o segundo impérios. Esta medida culminou com o incentivo do governo em trazer para o Brasil o imigrante europeu. Derrubadas as últimas fronteiras de disputa com a Espanha, o sul do Brasil passou a ser colonizado por imigrantes europeus, fazendo parte do processo político de branqueamento da população brasileira. Este conceito ultrapassou o Brasil imperial, não se esvaiu com a abolição da escravatura, em 13 de maio de 1888.

No século XX, já com o poder da mídia como fonte de propaganda de uma nação, a partir dos anos sessenta, a televisão tornou-se o principal  veículo desta propaganda mais não o único.  Tornou-se tão poderosa, que dita a moda e os modismos, os conceitos sociais e políticos e a forma linear de difusão de pensamentos de uma nação.


 
Ruth de Souza fez história ao ser a primeira atriz negra a representar no Teatro Municipal do Rio de Janeiro. Foi no dia 8 de maio de 1945, em O Imperador Jones, de Eugene O’Neil, numa montagem do Teatro Experimental do Negro, grupo fundado por Abdias Nascimento e Agnaldo Camargo. E seu feito ajudou a abrir caminho para o artista negro no Brasil. 



Ruth de Souza não é apenas uma atriz negra batalhadora. É uma grande atriz, matéria bem mais complexa. Consegue condensar no tipo físico, maneira de ser em cena, falar, olhar, portar-se, as densidades e dores dos oprimidos. Se na órbita pessoal é tímida, discreta, ser de nenhuma bulha, em cena alardeia os megatons de eletricidade, magnetismo e comoção inexplicáveis, matéria secreta d’alma e sensibilidade inerente a todo grande criador.

Um artista de alta qualidade possui o dom misterioso (carisma) de chegar aos demais sem qualquer explicação mas, também, depois de todas as explicações. 

Ruth Pinto de Souza nasceu em 12 de maio de 1928, no bairro do Engenho de Dentro, no Rio de Janeiro. Filha de um lavrador e de uma lavadeira, desde criança sonhava em ser atriz. “Eu era apaixonada por cinema. Queria ser atriz, mas naquela época não tinha atores negros, e muita gente ria de mim: ‘Imagina, ela quer ser artista! Não tem artista preto’. Eu ficava meio chateada, mas sabia que ia fazer; como, não sabia”. Descobriu ao entrar para o Teatro Experimental do Negro, onde, além de Imperador Jones, atuou em Todos os Filhos de Deus Têm Asas e O Moleque Sonhador, também de O’Neil;Amanda, Joaquim Ribeiro; Anjo Negro, de Nelson Rodrigues; e O Filho Pródigo, de Lucio Cardoso. Em 1948, ganhou uma bolsa de estudos da Fundação Rockfeller e foi estudar na Howard University, uma universidade exclusiva para negros, em Washington. Nos Estados Unidos, estudou também na escola de teatro Karamu House, em Cleveland, Ohio.

A atriz também foi uma das pioneiras da TV brasileira. Participou de programas de variedades e musicais no início das transmissões da Tupi, até adaptar para a televisão, com Haroldo Costa, a peça O Filho Pródigo, que havia encenado no Teatro Experimental do Negro. “Eu acredito que foi o primeiro teatro na televisão, eu acho que fomos nós que fizemos”, conta. A primeira novela foi A Deusa Vencida (1965), de Ivani Ribeiro, na Excelsior. “Nessa novela todo mundo estava começando também, como a Regina Duarte”, recorda-se.

Ruth de Souza foi contratada pela TV Globo em 1968, para atuar na novela Passo dos Ventos, de Janete Clair. “Naquela época era muito agradável, havia muito entusiasmo de todo mundo. Sabe aquela coisa de querer fazer, ‘o que vamos fazer agora?’, querendo continuar o trabalho. Porque o ator sempre, nunca quer parar.” Na emissora, fez mais de 20 novelas. EmA Cabana do Pai Tomás (1969), de Hedy Maia, foi Tia Cloé: “Foi um sucesso muito grande, todo mundo me chamava de Tia Cloé”.

Com Grande Otelo, fez uma dupla inesquecível em Sinhá Moça (1986), de Benedito Ruy Barbosa. “Do meio para o fim, eu e o Otelo tomamos conta da novela, porque os personagens eram muito divertidos. Eram dois maluquinhos, escravinhos malucos”, conta. Em Mandala (1987), de Dias Gomes, voltou a atuar com o ator, formando com ele, Milton Gonçalves e Aída Lerner a primeira família negra de classe média da TV brasileira. Também teve papéis de destaque em O Bem-Amado(1973), de Dias Gomes; e O Clone, de Gloria Perez, além de trabalhar em minisséries como Memorial de Maria Moura(1994), adaptação do romance homônimo de Rachel de Queiroz, escrita por Jorge Furtado e Carlos Gerbase; e Amazônia – De Galvez a Chico Mendes (2007), de Gloria Perez.

A atriz estreou no cinema por indicação do escritor Jorge Amado em Terra Violenta (1948), adaptação de seu romanceTerras do Sem Fim dirigida por Tom Payne. No mesmo ano, atuou ao lado de Oscarito em Falta Alguém no Manicômio. Fez mais de 30 filmes, incluindo Sinhá Moça, também de Payne, que a levou a concorrer ao prêmio de Melhor Atriz do Festival de Veneza de 1954; o clássico O Assalto ao Trem Pagador (1962), de Roberto Farias; e As Filhas do Vento, de Joel Zito Araujo, com o qual foi premiada no Festival de Gramado de 2004. 


Um afro abraço.

Fonte: Boletim de Programação nº 171 de 17/04/1976 a 24/04/1976; ALMEIDA, Magda de. "Ruth de Souza, atriz, 40 anos de 'privilégio'" IN: O Estado de S.Paulo, 22/01/1986; MAZZONI, Vera Curi. "Ruth de Souza e o Teatro Experimental do Negro" IN: Ultima Hora, 14/06/1911; LARANGEIRA, Márcia. "Ruth: uma brava guerreira, dentro e fora do palco" IN: Jornal dos Sports, 21/11/1982; LOUCHARD, Aimee. "Em fotos, 40 anos de Ruth de Souza no palco" IN: O Globo, 01/01/1986; SILVA, Ana Beatriz Coelho e. "Um símbolo de força negra" IN: Ultima Hora, 12/05/1989; "Fora do ar no Brasil, Ruth de Souza está na TV Européia" IN: O Dia, 01/12/1989; "Atores Negros: escravos ou bandidos" IN: Jornal do Brasil, 01/08/1982; ARAÚJO, Joel Zito Almeida de. "A negação do Brasil: o negro na telenovela brasileira" São Paulo: SENAC, 2000FLORIDO, Eduardo Giffoni. "As grandes personagens da história do cinema brasileiro: 1930-1959" Rio de Janeiro: Fraiha, 1999; Site: http://us.imdb.com, eTV Globo/01/2008;TVhttp://pt.wikipedia.org,01/2008/virtualia.blogs.sapo.pt/29596.htm

Um comentário:

  1. Atriz ex-cotista Ruth de Souza!
    Apesar de uma das maiores atrizes brasileira, sempre foi uma Capitã de Mata ou Cunhã da Casa Grande Rede Globo. Atriz negra de alma branca Ruth de Souza ela referida pelos movimentos negros e críticos de ser o Pelé do mundo artista negro e fazer propaganda do poderoso chefão o judeu Ali Kamel diretor da rede Globo e autor do livro racista "NÃO SOMOS RACISTA" a bíblia da discriminação e preconceitos e exclusão dos afro-brasileiros, ela diz que as cotas raciais são esmolas, caridade que é vergonha e humilhação e que alunos negros afros e indígenas que precisam entrar por méritos nas universidades e faculdades e não por coitadismo. Este discurso é um dos mandamentos das elites dominantes para eternizar os negros afros brasileiros nas camadas inferiores no Brasil. Atriz ex-cotista Ruth de Souza porta voz e fiel colaboradora do sistema Globo de segregação racial brasileira. Ruth de Souza que valor é mérito e moral vosso, sendo que a maior parte dos seus papeis foram de serviçal e de marginalizada, alias as atrizes brancas do Globo tem núcleos de atores, ONGs, e fundações. A Ruth de Souza senhora tem 70 anos de vida artista e qual é seu núcleo de atores na TV Globo e a sua Fundação ou ONGs que preside o melhor que porta você tem aberta, para que nos negros afrodecendentes possamos entrar e usufruir. Atriz Ruth de Souza não teve capacidade ou não quis e pior, opina e faz campanha contra as cotas, mas em 1948 recebeu bolsa de estudo da Fundação Rockfeller que era e são cotas desta fundação a jovens e pessoas com talentos para países aliados do 3º mundo e como cotistas Ruth de Souza fica um ano nos Estados Unidos, estudando na Universidade de Harvard , uma universidade exclusiva para negros, em Washington e na Academia Nacional do Teatro. Tem um ditado africano banto que diz que "A cobra venenosa mata e morre com seu próprio veneno" infelizmente a senhora servindo os racistas seculares nossos opressores. A senhora Atriz Ruth de Souza os negros do Brasil são muito bons gentis e cordiais sairão da escravidão sem nada, alienada, lesadas e marginalizados. Viam amistosos chegar às emigrações na benção para um mundo melhor a estes e que era negado a nos recém saídos do maior holocausto da historia deste planeta em quatro séculos de escravidão negra brasileira. Hoje a política cotas chega com mais de cem anos de atraso para centenas milhares de jovens as cotas é uma bênção e não maldição da vergonha e injustiça. Assim como foi para milhões de imigrantes! Ruth de Souza as Cotas foram dadas pela Monarquia e a Republica sem méritos nenhum aos emigrantes europeus e asiáticos favoreceram milhões de estrangeiros. (A maior parte destes viviam nas misérias causadas pela guerra, desemprego, epidemia, acidentes geográficos, perseguições política e religiosa e entre estes havia máfias, grupos racistas e muita gente na ignorância, doentes, bandidos, psicopatas e ilegais, sem meritória nenhuma) O Brasil é uns pais feitos da escravidão e por cotas para Europa, Ásia e América no caso dos EUA. Com incentivos do governo brasileiro do Imperador Dom Pedro II a estes Confederados escravagistas derrotados na Guerra de Secessão (1861-1865) que libertou os escravos. Com 3.000 americanos brancos de1866 a 1868 que vieram as famílias brancas e vetando pessoas negras entre esta cota da imigração americana na região de Americana SP. Ruth de Souza até hoje sofremos os efeitos negativos colaterais da perversa escravidão e abolição estéril que nos foi dada e imposta a nós. Apesar de toda contribuição histórica e econômica que demos a nação, ainda sofremos o racismo, preconceitos. Estigmatismos as desigualdades sociais e violência no nosso Brasil. Diz Benedito Octavio um dos Maiores gênios brasileiros "Que a ignorância a ganância e o cinismo são os maiores geradores da ciência da miséria humana" A Atriz ex-cotista Ruth de Souza. "ERRAR É HUMANO E PERMANECER NO ERRO É DESUMANO" principalmente a insensibilidade contra os seus?

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