UNEGRO - União de Negras e Negros Pela Igualdade. Esta organizada em de 26 estados brasileiros, e tornou-se uma referência internacional e tem cerca de mais de 12 mil filiados em todo o país. A UNEGRO DO BRASIL fundada em 14 de julho de 1988, em Salvador, por um grupo de militantes do movimento negro para articular a luta contra o racismo, a luta de classes e combater as desigualdades. Hoje,rumo aos 30 anos de caminhada continua jovem atuante e combatente... Aqui as ações da UNEGRO-RJ

segunda-feira, 12 de março de 2018

Dia Internacional da Eliminação da Discriminação Racial " 21 de Março"

O dia 21 de março marca ainda outras conquistas da população negra no mundo: a independência
da Etiópia, em 1975, e da Namíbia, em 1990, ambos países africanos.

Dia Internacional pela Eliminação da Discriminação Racial. A data foi instituída pela Organização das Nações Unidas (ONU), em 1966, em memória à tragédia que ficou conhecida como“Massacre de Shaperville”, em 1960, na cidade de Joanesburgo, na África do Sul.

Na ocasião, 20 mil negros protestavam pacificamente contra a Lei do Passe - que os obrigava a portar cartões de identificação, especificando os locais por onde eles poderiam transitar na cidade - quando se depararam com tropas do exército, que abriram fogo sobre a multidão, matando 69 pessoas e ferindo outras 186. 

-"Além de lembrar a tragédia, a data criada pela ONU passou a ser um dia em que pessoas em todo o mundo protestam contra o racismo e pelo fim da discriminação racial".

É triste constatar que ainda hoje, em 2018, o ser humano precisa combater este tipo de discriminação. A intolerância ao diferente existe e é bem real. Desagradam-me os argumentos de que não existem diferenças, que somos todos iguais e que não precisamos falar mais sobre este assunto. Não! Não somos iguais! Somos diferentes, basta olhar! Mas o que precisamos é enxergar a diferença, aceitá-la e mais do que isso, não usá-la como desculpa para o tratamento diferenciado, para recusas e pior, para a violência tão presente e implacável.

Que seja este um tempo de reflexão, de mudança e de recomeço.
O negro no Brasil O Brasil foi a última nação da América a abolir a escravidão. Entre 1550 e 1850, data oficial do fim do tráfico de negros, cerca de 3.600.000 africanos chegaram ao Brasil. A força de trabalho desses homens produziu a riqueza do País durante 300 anos. Apesar de a maior parte dos escravos não saber ler nem escrever, isso não significava que não tivessem cultura. Eles trouxeram para o Brasil seus
hábitos, suas crenças, suas formas de expressão religiosa e artística, além de terem conhecimentos próprios sobre técnicas de plantio e de produção. Entretanto, a violência e a rigidez do regime de escravidão não permitiam que os negros tivessem acesso à educação. Oprimido e explorado, o negro encontrava nas suas raízes africanas a força para resistir à dominação dos senhores nas suas fazendas. E muitos aspectos de sua cultura permaneceram vivos, como, por exemplo, a religião. O candomblé, ritual religioso com danças, oferendas e cultos para Orixás, atravessou a história e aparece como uma prova de preservação das raízes do povo africano no Brasil.

Hoje, no Brasil, ainda é possível ver os reflexos dessa história de desigualdade e exploração. Alguns indicadores referentes a população, família, educação, trabalho e rendimento e que são importantes para retratar de forma resumida a situação social de brancos, pretos e pardos, revelam desigualdades em todas as dimensões e áreas geográficas do País. Apontam, também, para uma situação marcada pela pobreza, sobretudo para a população de pretos e pardos.

Se liga- A cada ano, o Dia Internacional para a Eliminação da Discriminação Racial oferece uma oportunidade para refletir sobre a importância do combate ao racismo, à xenofobia e a todas as formas de intolerância. De uma forma especialmente solene, este ano de comemoração do fim da Segunda Guerra Mundial e da libertação dos campos de concentração nos lembra que a promoção dos ideais da dignidade, do respeito e da solidariedade é uma necessidade para toda a comunidade internacional. As lembranças de discriminações passadas não se apagam com o tempo, já que a discriminação, em várias formas diferentes,
ainda afeta os direitos e a dignidade de indivíduos e comunidades inteiras. As práticas de “limpeza étnica” e racismo na Internet, bem como a corrente estigmatização de minorias, povos indígenas e trabalhadores migrantes, fazem parte de nossa vida diária. Nossa responsabilidade, mais do que nunca, é prevenir e combater essas manifestações. Para coibir essas ocorrências, e conforme sua Constituição, a UNESCO continua a dar atenção à educação dos jovens, especialmente educação para os direitos humanos. Também continua a trabalhar com o pluralismo, o desenvolvimento sustentável e a promoção da diversidade cultural, de modo a estabelecer em nossas práticas e representações uma atitude tolerante e receptiva ao outro. Por fim, no sentido de reafirmar a importância do princípio da igualdade para todos e ilustrar sua vitalidade, a UNESCO lançou, no ano passado, um projeto em larga escala para criar uma Coalizão Internacional de Cidades contra o Racismo, em parceria com grandes redes de parceiros públicos e privados envolvidos no combate à discriminação. 

O esforço de aumentar a consciência da tolerância mútua e alterar estados mentais e padrões de comportamentos agora exige estratégias inovadoras e audazes que implicam na participação de todos os atores na área. É uma questão de justiça, mas também a única forma possível de restaurar o elo cívico e
social minado em muitas sociedades. A Carta das Nações Unidas afirma que todas as pessoas devem gozar de direitos humanos e liberdades fundamentais sem distinção de cor, sexo, língua ou religião. O ano de 2005, no qual celebramos o sexagésimo aniversário da fundação das Nações Unidas e também da UNESCO, oferece uma oportunidade para renovar pessoalmente este compromisso coletivo. O Dia Internacional para a Eliminação da Discriminação Racial nos oferece mais uma ocasião para reafirmá-lo, de modo que todos os cidadãos possam viver em dignidade, igualdade e paz.

Claudia Vitalino.

fonte:www.brasilia.unesco.org

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