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sexta-feira, 7 de setembro de 2012

Crianças Negras e a arma contra o preconceito...



No Brasil temos as leis anti-racismo e de preservação da cultura negra, mas encontrar materiais que divulguem a beleza do afrodescendente ainda pode ser difícil. É de conhecimento público que os cabelos crespos, a pele escura e o nariz achatado não são tão bem vistos quanto a pele clara, o rosto fino e os fios lisos. Mas isso pode ser um problema. 

Principalmente para as crianças, que precisam de uma referência para servir de exemplo a ser seguido, e assim moldar os próprios caráteres. Como as crianças negras pouco se vêem em papéis de alto status na mídia, essa tarefa de ver a conquista representada em pessoas com os seus fenotípicos se torna mais complicada. 
O racismo coloca uma enorme parcela da população à margem das políticas públicas e da distribuição de renda. Acaba com a história e a identidade de um grupo étnico e, consequentemente, com sua autoestima. Acredito que o racismo é um fator a ser analisado, por exemplo, quando se pensa nos níveis de evasão escolar e violência da cidade. 

Esse modelo com base na democracia racial é o motivo das pessoas acreditarem que não há racismo. Há racismo sim, só que ele é tão complexo e as pessoas têm tanta vergonha de assumir, que a sociedade prefere acreditar no mito e fingir que não tem. 

Depoimento: “Mãe denuncia racismo contra filha de 4 anos; aluna é xingada de "preta horrorosa"De acordo com ela, menina foi ofendida por avó de garoto que se revoltou com o fato de o neto ter dançado quadrilha com uma criança negra. Polícia vai investigar o caso”

“Quero saber por que deixaram uma negra e preta horrorosa e feia dançar quadrilha com meu neto.” Foi assim, segundo o que já foi apurado pela polícia, que a avó de um aluno de uma escola infantil particular em Contagem, na Região Metropolitana de Belo Horizonte, se referiu a uma menina de 4 anos, em um caso de crime de racismo que revoltou funcionários do Centro de Educação Infantil Emília e levou a mãe da criança a denunciar a mulher à polícia. A diretora da escola foi acusada de não ter feito nada para impedir as ofensas racistas e ainda ter tentado abafar o caso.

O episódio ocorreu dia 10, mas somente ontem, apoiada pela organização não governamental SOS Racismo, a mãe da menina, a atendente de marketing Fátima Viana Souza, revelou detalhes do caso. Ela só ficou sabendo das agressões à filha porque a professora Cristina Pereira Aragão, de 34 anos, que testemunhou tudo, inconformada com a situação e com a falta de ação da diretora da escola, pediu demissão e procurou a família da menina para denunciar o que ocorreu. Outra professora confirmou aos pais da criança a denúncia feita por Cristina. 

Fátima lembrou que a festa junina foi no sábado, dia 7, e que toda a sua família foi para prestigiar a menina. Na terça-feira, dia 10, a avó do garoto, de acordo com o que consta no boletim de ocorrência policial ao qual o Estado de Minas teve acesso, invadiu a escola aos gritos querendo saber por que deixaram uma “negra horrorosa” dançar com o neto dela. “Minha filha presenciou tudo e foi chamada de preta feia. Os coleguinhas da sala ao lado escutaram e foram ver o que estava acontecendo”, disse a mãe, chorando. “Minha filha ficou quieta num canto da sala e a professora a defendeu dizendo que a atitude daquela mulher era crime. Mesmo assim, minha filha continuou sendo insultada”, disse Fátima. 

A mãe disse ainda que não foi informada do ocorrido. No dia, seu marido buscou a filha na escola e tudo parecia normal. Ela lembrou que naquela terça-feira a menina chegou perturbada da escola, não jantou e não conseguiu dormir. “Achei que ela tivesse brincado demais e estava cansada”, disse Fátima. No dia seguinte, a menina vomitou na sala de aula e a diretora alegou para os pais que ela havia comido muitos salgados num piquenique da escola. A professora, que já havia pedido demissão, procurou os pais e contou o que havia acontecido. (10/07/2012)
Agravantes 

O advogado do SOS Racismo e professor de direito da PUC Minas, José Antônio Carlos Pimenta, esclarece que a pena para o crime de racismo pode chegar a nove anos de prisão. Mas, no caso da menina ofendida em Contagem, a Justiça pode considerar injúria racial, que tem pena de no máximo três anos. “Mas há dois agravantes nesse caso e a pena pode aumentar. O crime foi cometido dentro de uma escola e a vítima é menor de 18 anos”, disse o advogado. A responsável pela  escola também pode responder civilmente, pois ela tinha o dever legal de proteger a menina, analisou o advogado. A diretora, do Centro de Educação Infantil Emília, Joana Reis Belvino, foi procurada pelo EM, mas se recusou a comentar o caso.

Especializada em igualdade racial, a professora doutora Maria Aparecida Silva Bento, do Instituto de Psicologia da Universidade de São Paulo (USP), identifica na escola uma das causas primeiras da baixa auto-estima do negro brasileiro - ao lado, por exemplo, da mídia. Diante disso, parte de seu trabalho no Centro de Estudos das Relações de Trabalho e Desigualdades (Ceert) visa promover a igualdade racial no ambiente escolar. Desde o ano passado, a ONG promove um prêmio para destacar experiências de professores em todo o país. "Eles são heróis anônimos", define Cida Bento. Nem tudo é otimismo, porém. A pesquisadora não titubeia em definir a lei n o 10.639 - que prevê o estudo de temas africanos e afro-brasileiros nas escolas - como algo "para inglês ver", por conta da falta de recursos e de iniciativas do governo federal. Para ela, cabe aos negros pressionar o poder público para que as Diretrizes Nacionais de Ensino de História e Cultura Afro-brasileira e Africana sejam colocadas em prática, nas prefeituras e nos estados. Esperar que os brancos tomem a iniciativa, entre eles aqueles que estão no MEC, ela não acredita. "Muitas pessoas que tiveram discurso contra a violação de direitos no que diz respeito à questão racial permanecem omissas." Antes que alguém defina a professora como segregacionista, ela avisa: metade dos professores premiados pelo Ceert, em 2004, é branca. Confira na íntegra a entrevista.


 O Brasil precisa fortalecer muito a auto-estima da criança negra. E isso tem a ver com contar história, fazer com que ela se orgulhe dos seus antepassados, ajudá-la a se ver como uma figura bonita, importante. Só que quando ela sai de casa não é isso que ela encontra. Quando ela vê um outdoor , só tem criança branca. Quando liga a televisão, quando abre um livro didático - é um embate permanente, e o pai tem de saber disso. Tem de ter sempre um acolhimento. quando a criança começa a verbalizar que está sacando isso, tem de conversar abertamente com ela. Porque ela sempre vai sofrer pressões diferenciadas. O pai dizendo "olha, você é negro, olha como seus antepassados são importantes", e de outro lado todo o ambiente que ele valoriza, os amiguinhos, as revistas, os shows musicais, é a figura do branco positivada. Vai ser sempre difícil para a criança se identificar como negro, tenderá a se identificar com o que é considerado bonito. 
A nossa sociedade lida com essas questões como se fossem menores. A diversidade de competências e habilidades cognitivas, emocionais e afetivas que você tem de ter para jogar bola é muito mais ampla do que a necessária para ser analista de sistemas, desenvolver um programa, em que só se trabalha com as dimensões intelectivas. Muitas dessas atividades, e o futebol toca especificamente nisso, necessitam de um apuro de competências humanas, uma diversidade. Ele não é inferior. E não é só para mim. Estudos que diferenciam esportes mostram que ele está entre os que mais exigem do ser humano. Mas é desvalorizado. 
Racismo continua barrando criança negra na adoção

Forma de racismo

Segundo a juíza “criança é criança, não tem cor” e o discurso de que a criança não pode se sentir diferente, não deixa de ser uma forma de racismo”. “Isso era pior antes. Hoje é mais fácil por uma criança de outra raça em uma família substituta. Temos encontrados casais que queriam uma menina loira de olhos azuis e, depois de visitar um abrigo, mudam de ideia. Esse perfil de menina loira de olhos azuis não é o que temos nos abrigos”, acrescenta.

Há uma outra exigência que acaba contribuindo para inviabilizar a adoção de crianças negras: os candidatos a adoção preferem crianças mais novas. Apenas 6,78%, ou 2.058, aceitam crianças com idade entre 6 e 10 anos. Outros 228 (0,76%) aceitam adotar um menor de 11 a 17 anos. No cadastro, há 2.006 crianças, ou 25,2% do total, com idade de 6 a 10 anos. Há também outras 3.855 crianças e adolescentes, ou 48,5%, com idade entre 11 e 17 anos.

Como a criança negra tem poucas chances de ser adotada, quanto mais velha vai ficando, menos chances tem de ganhar um novo lar.
Brasília - Quase metade das pessoas que estão na fila da adoção – 37,5% – só aceita a adotar se a criança for branca, é o que revela o Cadastro do Conselho Nacional de Justiça (CNJ). 

Segundo a juíza Andréa Pachá, titular da 1ª Vara de Família de Petrópolis (RJ), trata-se de uma forma camuflada de racismo. “É um dado estarrecedor. Ainda é forte a fantasia de que a adoção deve obedecer aos critérios da família biológica. Família é muito mais um núcleo de afeto do que herança biológica. Criança é criança, não tem cor. O discurso que se tem é o de que a criança não pode se sentir diferente. Mas isso é uma forma de racismo”, afirmou.

Segundo os números divulgados nesta segunda-feira (24/01), a cor da pele ainda é fator decisivo: dos 30.378 inscritos, 11. 316 só aceita se a criança for branca. Dos adultos inscritos, 14.259 – ou seja 46,94% - faz questão de escolher a criança pela cor da pele. 

Além da exigência majoritária de que a criança deve ser branca, há ainda 5,81% (1.764) dos potenciais pais adotivos que só aceitam uma criança de pele parda; 1,91% (579) só aceitam uma criança negra; 1% (304) só aceita uma criança amarela; e 0,97% (296), uma criança indígena.

Com essas exigências as crianças negras continuam sendo esquecidas nos abrigos e orfanatos, sem chance de ganhar um lar adotivo, porque não atendem as exigências dos candidatos a adoção.

No cadastro, a maioria das crianças e adolescentes é parda — 50,57%, ou 4.020 de um total de 7.949. Estão disponíveis 2.411 crianças brancas, ou 30,33% do total. Também aguardam uma família 1.441 (18,13%) crianças negras, 41 (0,52%) amarelas e 36 (0,45%) indígenas. 

Para refletir:
Ninguém questiona o que os indigenas sentiram ao serem escravizados, ao serem mortos ao verem suas mulheres serem estrupadas. Da mesma forma só se fala de negro escravo  Ninguém fala da África antes de 1500, de como os negros viviam livres em terras de África. Eram várias nações com culturas diversas, havia reis, rainhas cada povo com modo de viver . Com a expansão marítima os europeus escolheram a África para sequestro de pessoas para trazer para um país desconhecido para serem escravisadas.

Car@s amig@s:
O negro nasceu livre e não para ser escravo. Muitos negros se destacaram na história do Brasil e a escola não conta. Ganga zumba, Zumbi(que nunca foi escravo), nasceu livre em Palmares, foi capturado e criado por um padre, que o educou, transformando-o num negro culto falando latim e outros idiomas. Quando cresceu figiu para Palmares para libertar seu povo. Chico rei com seu trabalho nas minas de ouro de vila Rica, atual Ouro Preto comprou sua alforria a de sua familia, e de toda sua tribo, criou a Igreja de Nossa senhora do Rosário dos pretos e a irmandade de Santa Efigênia. Chica da Silva , companheira de João fernandes(contratador de diamantes), conviveu com ele todo o período em que ele esteve no Brasil. Desse relacionamento lhe nasceu 12 filhos, 9 meninas e 3 meninos. De seus filhos um foi padre, uma freira um foi naturalista e outro comendador. E muitos outros negros fizeram historia no Brasil, como a escola não conta nossa história a criança negra não constrói sua identidade racial e cultural. Sente-se desprezada, discriminada, humilhada, pelos colegas e professores. Suas difrenças, corpo, cabelo, não são respeitadas. Sua cultura, sua religião são associadas a coisa do demônio. Que nós educadores possamos ter um olhar negro para a educação.
Lei 10639: Os estudos têm mostrado que a implementação desta  política depende de você ter em lugares de poder pessoas que são diretamente voltadas a isso. Porque é uma resistência muito grande. Uma luta pela manutenção do privilégio, por lugares de poder, por lugares que têm sido destacados aos brancos. Brancos em lugares de poder dentro do aparelho do Estado, mesmo sendo progressistas, de esquerda, nem sempre têm esse interesse em agilizar isso. Você vê que muitos deles, aquelas pessoas que tiveram discurso ao longo da vida contra a violação de direitos, no que diz respeito à questão racial, eles permanecem omissos. Se vFonteocê não tem negros em lugares de poder para desencadear os processos, isso não acontece.
Um afro abraço.

: Afropress/ Portal EcoD/ www.em.com.br/.../ Da Agência Repórter Social / pt.scribd.com/ Cristina Lúcia silva dos Santos Moraes

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