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sábado, 21 de junho de 2014

Zezé Motta: “Se é para ajudar a melhorar o mundo, podem me chamar”

Eu sabia que aquilo incomodava, mas não sabia o que fazer. Tenho muita fé na força da oração. Então comecei a rezar e pensei que precisava fazer algo. Porque a essa altura, antes do filme, já tinha tido um comercial rejeitado por ser negra"


Com 45 anos de carreira, Zezé se tornou uma das atrizes negras mais importantes do país ao protagonizar, em 1976, o filme Xica da Silva, de Cacá Diegues. Dez anos antes, começou a carreira no teatro na peça Roda viva, de Chico Buarque. Paralelamente, influenciada pelo pai músico, cantava como crooner em casas noturnas de São Paulo.

Historia:
Em 1976, Cacá Diegues lançou “Xica da Silva”, seu maior sucesso de público, aproveitando-se da abertura política para anunciar, em sua exuberância e otimismo, os últimos dias do autoritarismo e a volta da democracia. Segundo o próprio diretor, “O filme não existiria sem Zezé Motta”. Ele tem toda razão, o talento de ZEZÉ MOTTA é a alma deste drama histórico alegórico. Considerada a primeira protagonista negra do cinema brasileiro e uma das mais carismáticas artistas brasileiras, a atriz se destacou no cinema e na televisão, e também como cantora, cuja discografia abriga um primeiro disco essencial com canções como “Magrelinha”, “Dores de Amores” e “Rita Baiana”. Ela tem também uma importante participação no processo da inserção do artista negro no mercado de trabalho, seja por sua própria história, seja como militante pela ampliação do espaço dos negros na comunicação. É uma das fundadoras e Presidente de Honra do CIDAN – Centro Brasileiro de Informações e Documentação do Artista Negro -, referência para produtores de todo o mundo.

Nascida em 27 de junho de 1944, na cidade fluminense de Campos dos Goitacases, filha de um músico e de uma costureira, mudou-se com a família para o Rio de Janeiro quando tinha
dois anos de idade. Começou a fazer teatro participando do grêmio recreativo da escola e conseguiu depois uma bolsa de estudos no Tablado, onde foi aluna de Maria Clara Machado. Estreou nos palcos profissionais em 1967, no elenco da antológica “Roda Viva”, de Chico Buarque. Em 1969, esteve em “Arena Canta Zumbi” e “A Vida Escrachada de Joana Martini e Baby Stompanato”. Em 1972, participou de “Orfeu Negro” e, em 1974, atuou no musical “Godspell”. Estreou no cinema em 1970, no longa “Em Cada Coração um Punhal”, de José Rubens Siqueira e João Batista de Andrade. No mesmo ano, atuou em “Cléo e Daniel”, de Roberto Freire. Fez “Vai Trabalhar Vagabundo”, “Um Varão Entre as Mulheres” (1974), “A Rainha Diaba”, “Banana Mecânica” (1974), “Anjos da Noite” e “Tieta do Agreste” (1996), entre outros. Mas foi “Xica da Silva” que a consagrou. Com ele, ZEZÉ MOTTA levou o Troféu Candango de Melhor Atriz no Festival de Brasília, o Coruja de Ouro de Melhor Atriz e o Prêmio Air France de Melhor Atriz.


Ela nunca conseguiu engravidar, e ao longo de sua vida adotou cinco meninas, hoje, adultas: Luciana, Nadine, Sirlene, Carla e Cíntia. Ela criou sozinha as meninas desde que ela eram bebês. Adotou uma por uma, ao longo dos anos. Ela é avó de Luíz Antônio, filho de Nadine, de Heron e Loma, filhos de Sirlene, e de Isadora, filha de Luciana. Foi casada algumas vezes.
Baseado no romance “Memórias do Distrito de Diamantina”, de João Felício dos Santos, “Xica da Silva” conta a história de uma escrava que se tornou um mito na região de Diamantina (Minas Gerais) ao seduzir o rico contratador de diamantes português João Fernandes de Oliveira. A ostentação em que ela vivia atingiu aspectos surrealistas, quando o amante satisfez seu capricho ao construir um lago artificial e uma caravela manobrada por uma tripulação de dez homens. Tudo para que a amante pudesse “conhecer o mar” sem sair de Minas. Segundo o crítico de cinema Ismail Xavier, “Xica na tela é símbolo da astúcia do oprimido e, ao mesmo tempo, encarnação do estereótipo da sensualidade negra”. Ela foi a personagem feminina que — ao lado de Geni, de “Toda Nudez Será Castigada” (1973); de Florípedes, de “Dona Flor e seus Dois Maridos” (1976); e de Macabéia, de “A Hora da Estrela” (1986)) — marcou época no cinema brasileiro, despertando a atenção do público. Jeanne Moreau, ao ver o filme em Paris, disse que era “Um Lola Montès selvagem”, referindo-se ao clássico de Max Ophuls.

A carreira de cantora teve início em 1971, em casas noturnas paulistas. De 1975 a 1979, lançou três discos. Nos anos 1980, lançou mais três. Em 1994, gravou a canção de abertura da animação da Disney, “O Rei Leão”. Na TV, estreou em 1968, com um pequeno papel na famosa telenovela “Beto Rockfeller”, de Bráulio Pedroso. Depois participou de “A Patota” (1972), “Supermanoela” (1974) e “Duas Vidas” (1976). Atuou na telenovela “Xica da Silva”, em 1996, vinte anos depois de protagonizar o filme, e onde fez a mãe de Xica, no início, e Xica na maturidade, no final. Fez várias outras novelas: “Corpo a Corpo” (1984), “Kananga do Japão” (1989), “A Próxima Vítima” (1995), “Porto dos Milagres” (2001), “Sinhá Moça” (2006), e minisséries como “Memorial de Maria Moura” (1994), “Chiquinha Gonzaga” (1999) e “Cinquentinha” (2010), na Rede Globo. Em 2007, gravou a telenovela “Luz do Sol”, na Rede Record, e em 2011 atuou na mesma emissora em “Rebelde”, como Dadá. ZEZÉ MOTTA foi casada algumas vezes, mas nunca conseguiu engravidar, e ao longo de sua vida adotou cinco meninas, hoje, adultas. A atriz, que já rodou um total de 42 filmes, tem em “Gonzaga: De Pai pra Filho” (2012), de Breno Silveira, o seu trabalho cinematográfico mais recente.

Zezé- Ainda só se costuma ver muitos atores negros em uma produção quando ela aborda a escravidão. Já foi pior. Lembro que, no passado, a novela que tinha Neuza Borges, não tinha a Zezé Motta. A que tinha Xica Xavier, não tinha Ruth de Souza. Era um ou dois papéis para negros, no máximo. Um para um homem, outro para uma mulher. Essas personagens não tinham histórias. Vivam no reboque das vidas das personagens para os quais trabalhavam. Ainda temos que cobrar muito mais espaço para os artistas negros. E falo isso com muita propriedade. Faço parte do grupo que criou o Cidan (Centro Brasileiro de Informação e Documentação do Artista Negro). Nele, há um banco de dados com cerca de 500 atores negros. A arte no Brasil é difícil para todos. Mas, para os negros, é mais difícil ainda. Não entenda isso como uma paranóia minha. Eu participo de muitas campanhas. Se eu não fosse negra, eu faria parte do movimento negro da mesma maneira. A minha questão é com a injustiça. Quando algum movimento de mulheres me chama, eu vou. Quando posso apoiar os gays, vou também. Essa coisa de assassinatos de gays é um absurdo. Parece que estamos

da Idade da Pedra. Sou preocupada com um mundo melhor, mais justo. Por isso, gosto de participar. Se é para ajudar a melhorar o mundo, podem me chamar. Agora mesmo estou com um grupo que percorre as escolas fazendo campanha contra o tabagismo. O mal tem que ser cortado pela raiz. Temos que conscientizar sobre o males do tabaco desde cedo.


Zezé Motta nasceu para brilhar. Ela faz teatro,cinema televisão e ainda se apresenta em casas de show. E quem acha que tanto trabalho tira a qualidade de suas apresentações,
está muito enganado. A atriz é sucesso em tudo que faz.


Um afro abraço.

fonte: Wikipédia, a enciclopédia livre./http://zezemottaascantrizes.blogspot.com.br/

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