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sexta-feira, 20 de janeiro de 2012

SÃO SEBASTIÃO E O SINCRETISMO NO BRASIL.

CATÓLICO E O SINCRETISMO:




O sincretismo católico-umbanda no Brasil foi uma contrução dos próprios escravos. PopuLação negra dominada, trazida ao Brasil a ferro, nos navios que faziam o tráfico humano, os africanos seguiram as leis históricas que presidem as relações entre os povos."A popuação negra teve que se adaptar para sobreviver conjuntamente com o dominante e produz-se uma série de acomodações e adaptações, tanto da parte do vencedor como do vencido".

O africano não abandonaram as suas crenças religiosas muito pelo contrario. O negro, procurou acomodar a sua cresça a nova situação e o processo mais inteligente foi exatamente o de comparar as qualidades dos seus ORIXÁS com as dos Santos católicos. Tomaram como base o Santo mais adorado do lugar: daí, algumas alterações verificadas no sincretismo, especialmente na Bahia e no Rio de Janeiro.




Os Senhores, primeiramente não entenderam mais achavam graça no sincretismo e como consideravam os africanos ignorantes, consentiam na prática bem disfarçada de seus cultos. E assim, graças à inteligência dos sacerdotes africanos, as suas antiqüíssimas e sábias idéias religiosas puderam sobreviver até hoje, apesar da intolerância de uma ou outra autoridade policial atrasada. E que a UMBANDA é uma das mais antigas religiões da humanidade e, contra ela não adianta a burrice de um simples mortal.

Voces sabem que a diferença mais notável é quanto a Oxossi e OGUN. Enquanto no Rio, OGUN é equiparado a São Jorge, na Bahia é Santo Antônio. OXOSSI que, no Rio, é São Sebastião, na Bahia é São Jorge.



YEMANJÁ E OXUN são comparadas a Nossa Senhora, sob diversas invocações. Os Nagôs, ao que parece, consideram OXÚN "faceira e vaidosa", concepção que diverge da adotada no OMOLOCÔ do Rio, para o qual OXÚN é o símbolo da "dona de casa".

Na verdade, o sincretismo e tambem um fenômeno histórico sem influência alguma na filosofia religiosa de Umbanda.

Onde há coincidência é quanto ao Senhor do Universo, Deus e seu Filho. Nesse ponto, todas as religiões coincidem. Só há um DEUS e um só FILHO DE DEUS. DEUS é DEUS. Tem ELE, na Umbanda, os nomes de Zambi, OLORUN; ZAMBI, no Omolocô; no NAGÔ. Chamam-no também, OXALÁ ALUFAN, sendo JESUS CRISTO O OXALÁ GUIAN, isto é, OXALÁ NOVO.

São Sebastião: A "característica" que une São Sebastião a Oxossi é o objeto com o qual ele fora martirizado - a flecha.

Sua história...



São Sebastião era um soldado romano cristão, que viveu no século III d.C., quando o cristianismo era ainda proibido. Enquanto o Imperador Romano não sabia da sua religião, o tinha como homem de confiança, mas quando tomou ciência, o condenou ao martírio pelas mãos dos arqueiros. Por outro lado temos que, na religião dos orixás, Oxossi é o orixá provedor. É o orixá da caça e da pesca que cultuamos para que não nos falte o alimento. É o orixá que nos concede o axé da fartura, sempre à medida que necessitamos, não entendendo aqui fartura como algo para além da nossa capacidade de consumir. E um dos instrumentos de caça de Oxossi é a flecha. Em tempos de preocupação com o meio ambiente, a melhor forma de defini-lo é como orixá do equilíbrio ecológico.


Portanto, não podemos indicar como paralelo a profissão de ambos, pois o paralelo militar entre os santos católicos e os orixás se dá entre São Jorge e Ogun; nem tampouco falar em paralelo de morte, posto que São Sebastião foi um ser humano datado historicamente que foi martirizado por duas, na primeira flechado, enquanto Oxossi é um orixá - essência divina - que até no mito em que morre, é ressuscitado. Só nos resta realmente a flecha, mas ainda assim com sentidos diversos: as que alvejaram São Sebastião eram confeccionadas para a guerra; enquanto as de Oxóssi são símbolos da caça.

Enquanto os santos católicos e os orixás são entidades espirituais diferentes, Jesus Cristo é a mesma pessoa de OXALÁ GUIAN (ou OXAGUIAN).

Quem tiver vocação para pensar-mos a religiosidade e o sincretismo e, analise bem o significado do culto da visita dos 3 Reis Magos (um africano, um europeu e um asiático) a Jesus Cristo em seu nascimento.

RELEMBRANDO: O ESTADO NOVO REPRIMINDO A RELIGIÕES AFRO BRASILEIRAS.


Durante o governo de Agamenon Magalhães, os cultos afrobrasileiros foram proibidos e perseguidos, porque o seu governo “era declaradamente de maioria católico e apontava na perspectiva de que tudo o que não fosse cristão era digno de perseguição e combate.” Nesta perspectiva, os seguidores dos cultos afro-brasileiros só podiam realizar seus atos religiosos em particular, no espaço privado, e não em lugares públicos.

Contra esta intolerância religiosa e para poderem praticar os seus atos religiosos, os seguidores (as) dos cultos afro-brasileiros, usaram como estratégia, sincretizar as suas práticas religiosas, escondendo-as por meio da prática da religião do dominador, onde só assim podia cultuar seus orixás (Deuses africanos), comparando-os aos santos cultuados pela igreja católica.

Mais os afro-brasileiros nem sempre foram apoiados ou encorajados a praticar abertamente sua religião tradicional, suas práticas religiosas foram proibidas e perseguidas. Entretanto, o sincretismo religioso com os santos católicos deu a elas certa legitimidade entre a população predominantemente católica do Brasil. Na verdade, as religiões de matriz africana ficaram a margem das elites governantes tanto a nível regional quanto internacional no Brasil e em outras regiões.

“As manifestações religiosas eram tidas como práticas bárbaras, magias e superstições, além de serem criminalizadas pelo código civil, como exercício ilegal da medicina, ou mesmo puro charlatanismo [...] Durante o Estado Novo, no governo de Agamenon Magalhães, houve um forte recrudescimento no combate às práticas e costumes dos negros e negras, sobretudo aquelas de caráter religioso.




Aproximadamente no período da década de 1930, “os maracatus foram utilizados pelos praticantes da religião afro-descendentes para acobertar suas práticas religiosas, uma vez que apesar dos preconceitos, os maracatus possuíam legitimidade para circular nas ruas durante o carnaval.” [20]. A partir desta afirmação surgiram algumas inquietações. Na atualidade, os seguidores (as) dos cultos afro-brasileiros da cidade do Recife, precisam camuflar sua religiosidade diante dos maracatus? Os preconceitos, discriminações e as formas pejorativas à religiosidade afro-brasileira continuam permeando nossa sociedade? Ou será que estamos revivendo as repressões ocorridas com os nossos ancestrais nos séculos XVI-XVIII? Acreditamos que hoje, a religião afrobrasileira esteja passando por processos de transformações em nossa sociedade, seja ela, no campo político, social ou educacional.

Deste modo, para compreendermos estas transformações sociais, analisaremos a relação sócio-religiosa entre os seguidores (as) e não seguidores (as) dos cultos afro-brasileiros,precisa intenssificar a conscientização de respeito às diferenças religiosas neste espaço de igualdade e de tolerância.

Um afro abraço.

fonte:www.umbandamenor.kit.net/www.sidneyrezende.com/Negros Hereges, Agentes do Diabo. Religiosidade Negra e Inquisição em Portugal – séculos XVI-XVIII. In: FLORENTINO, Manolo e MACHADO, Caalda (Orgs.). Ensaios Sobre a Escravidão (z). Belo Horizonte: Ed. UFMG, 2003.
CAMPOS, Zuleica Dantas Pereira. A Polícia no Estado Novo Combatendo o Catimbó. Revista Brasileira de História das Religiões – Ano I, n.3, Jan.2009 – ISSN 1893-2859. Dossiê Tolerância e Intolerância nas manifestações religiosas.
CANDAU, Vera Maria. (org.). Sociedade, Educação e Cultura: Questões e Propostas. Petrópolis, RJ: Vozes, 2010.
CANCLINI, Nestor Garcia. Culturas Híbridas. São Paulo: EDUSP, 1999.
CASCUDO, Luís da Câmara. Made in Africa [1898-1986]. São Paulo: Global, 2002.
FOUCAULT, Michel. A ordem do discurso. São Paulo: Ed. Loyola, 1996.
FREIRE, Paulo. Pedagogia do Oprimido. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 2005.
GOFFMAN, Erving. Estigmas. Rio de Janeiro: Guanabara, 1963.

GÓIS, Aurino José. O Diálogo Inter-Religioso entre o Cristianismo e as Tradições Afro-Brasileiras. In: AMÂNCIO, Iris Maria da Costa. (org.). África-Brasil-África: Matrizes, Heranças e Diálogos Contemporâneos. Belo Horizonte: Editora PUC Minas; Nandyala, 2008.

LIMA, Ivaldo Marciano de França. Maracatu-Nação: ressignificando velhas histórias. Recife: Bagaço, 2005.
Cultura Afro-descendente no Recife: Maracatus, valentes e catimbós. Recife: Edições Bagaço, 2007

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