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sexta-feira, 9 de setembro de 2016

PATERNIDADE PRETA

Introdução: Paternidade Patriarcal
No período chamado de Paternidade Patriarcal, o pai representava a figura de poder na

família. Sua autoridade era aceita com naturalidade no mundo agrícola em que vivia. A família era a unidade econômica maior, com o pai chefiando a produção e cada filho contribuindo ativamente, desde muito cedo, para a sobrevivência familiar. Ao pai competia prover as necessidades físicas de todos os familiares, treinando-os para o trabalho. Também devia orientar o crescimento moral e espiritual das crianças, responsabilizando-se por todas as medidas disciplinares que julgasse necessárias. Cabia ao pai, ainda, a escolha dos casamentos de seus filhos.

Muitas mudanças de ideias e de condições de vida começassem a ocorrer em meados do século XVIII. Com o crescimento da população e o declínio da atividade agrícola, os filhos começaram seu deslocamento em direção às cidades, longe do controle dos pais.O período vai de 1800 a 1880, refere-se à urbanização da classe média. Neste contexto, os pais tornaram-se provedores econômicos especializados, algumas vezes concorrentes dos próprios filhos mais velhos, deixando a casa para trabalhar e delegando às mulheres a administração da casa e a educação das crianças. Mas, embora tenham perdido muito da autoridade, os homens continuavam a agir como chefes da família.

Talvez uma das relações mais destruídas pela escravização tenha sido a paternidade preta. A justa reclamação de muitos filhos e filhas da ausência desse pai não é recente.

Ela dura mais de 500 anos.
A história do Brasil registra o que hoje ninguém desconhece: a construção histórica do país começa com o cimento da pluralidade de povos, representada esquematicamente pelas populações indígenas, pelos brancos, predominantemente portugueses, pelos negros  escravizados em África desde o século XVI até o século XIX. Apenas a partir de 1875, data-símbolo do início do processo migratório com a vinda de imigrantes brancos de várias procedências e, anos depois, em 1908, com a chegada dos japoneses, é que essa pluralidade deixou de ser trinária e se tornou complexa tal qual a conhecemos hoje.

Durante mais de 350 anos, esse pai era um “escravo reprodutor”: um homem preto era escolhido e obrigado a engravidar dezenas de “fêmeas” com as quais, mais tarde, ele não
teria contato. Em outros casos, mesmo que o pai quisesse manter contato com esse filho, ele era proibido e, se insistisse, era assassinado. Pro sistema racista da escravidão, o filho não era dele, mas propriedade do homem branco, que era também dono de sua “esposa”, da terra, de tudo.

REDEFININDO A IDENTIDADE
A reação dos negros a essa imagem estigmatizada se dá, de forma titubeante, com uma incipiente imprensa, nos primórdios da década de 10 (século XX).
A figura da maternidade preta, diferentemente, se manteve um pouco mais. Essas crianças precisavam ser amamentadas e cuidadas até que pudessem começar a trabalhar. Por tudo isso e mais um pouco, dizer que os pais pretos simplesmente abandonam os filhos porque são machistas, é não conhecer nossa história. Nosso drama racial não permitiu a paternidade negra durante quase 4 séculos, e hoje a gente colhe os danosos frutos disso.

Sei que homens pretos podem ser pais maravilhosos. Ele era presente, carinhoso, sensível, meio ranzinza, muito chorão.

SE LIGA: Mãe e pai. 50% e 50%. Meio a meio. Responsabilidades divididas. Criação dividida. Cuidados divididos. Desde sempre, o pai é tido como o ser que ajuda a mãe só quando ele pode. O ser que participa da reprodução, mas que só participa da criação nos finais de semana, sempre com diversão e sem responsabilidades.

Saudações às mulheres que criaram/criam seus filhos sem pais.

Parabéns aos aos pais que estão “dentro do modelo”, aos que fora do padrão estabelecido, aos que bebem, aos que perderam a sanidade, aos que estão encarcerados, aos que vivem na rua, no mundo. Aos pais aos pretinhos gays que estão lidando com o sistema racista da adoção.
Desejo que possamos ir reconstruindo as nossas famílias pretas. Exercer a paternidade
preta, essa paternidade-resistência, faz parte indiscutível desse processo. Muito amor e respeito para as famílias pretas . Temos muito trabalho de amor a fazer entre nós.


Um afro abraço.

Claudia Vitalino.

fonte:https://pensamentosmulheristas.wordpress.com/www.jusbrasil.com.br

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