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quarta-feira, 10 de agosto de 2016

Religiões de matriz africana são o principal alvo de intolerância no Brasil

Relatório e dados
Os entrevistados destacam que, pela primeira vez, a CCIR, criada em 2008, aliou os dados estaduais a números nacionais, informações de outros institutos e relatos de três diferentes pesquisas acadêmicas.

Os afro-brasileiros são discriminados, tratados com preconceito, para não dizer demonizados, por sermos de uma tradição africana/afrodescendente. Logo, estamos afirmando que o racismo é causa fundamental do preconceito ao candomblé e demais religiões afro-brasileiras"

Assassinatos: 
 Um pai de santo foi morto a tiros na esquina de casa no início desta quinta-feira (07/01/2016 12h30 ) em Duque de Caxias, na Baixada Fluminense. De acordo com a Polícia Militar, a vítima chegou a ser socorrida, mas não resistiu aos ferimentos. A ocorrência foi encaminhada à 59ª DP (Duque de Caxias).

Pai de santo é morto com tiros na cabeça dentro do centro de Umbanda em Simões Filho-Mais um caso de violência é registrado em Simões Filho, desta vez a vítima foi um pai de santo. Ele foi morto a tiros, na noite deste sábado (11/09/2015), dentro do centro de Umbanda, localizado na Rua L, no bairro de Simões Filho 1, em Simões Filho, cidade da Região Metropolitana de Salvador. Informações preliminares dão conta de que ele foi vítima

de um latrocínio (roubo seguido de morte).

O religioso Identificado apenas como “Aílton Gomes” foi atingido por vários disparos de arma de fogo em várias partes do corpo, inclusive na cabeça.

Papel do Estado
Um dos objetivos de aumentar o escopo do relatório da CCIR é chamar a atenção para o problema e nacionalizar o debate, além de pressionar Estados e o governo federal para a implementação de políticas públicas mais efetivas. Outra meta é cobrar a execução da legislação já existente, que tipifica o crime de intolerância religiosa.

Os dados do Disque 100, criado pela Secretaria Nacional de Direitos Humanos, apontam 697 casos de intolerância religiosa entre 2011 e dezembro de 2015, a maioria registrada nos

Estados de São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais. No Estado do Rio, o Centro de Promoção da Liberdade Religiosa e Direitos Humanos (Ceplir), criado em 2012, registrou 1.014 casos entre julho de 2012 e agosto de 2015, sendo 71% contra adeptos de religiões de matrizes africanas, 7,7% contra evangélicos, 3,8% contra católicos, 3,8% contra judeus e sem religião e 3,8% de ataques contra a liberdade religiosa de forma geral.

Dentre as pesquisas citadas, um estudo da PUC-Rio sugere que há subnotificação no tema. Foram ouvidas lideranças de 847 terreiros, que revelaram 430 relatos de intolerância, sendo que apenas 160 foram legalizados com notificação. Do total, somente 58 levaram a algum tipo de ação judicial.

O trabalho também aponta que 70% das agressões são verbais e incluem ofensas como "macumbeiro e filho do demônio", mas as manifestações também incluem pichações em muros, postagens na internet e redes sociais, além das mais graves que chegam a invasões de terreiros, furtos, quebra de símbolos sagrados, incêndios e agressões físicas.

-"Embora existam também atritos entre algumas religiões cristãs, eles acabam não sendo tão violentos porque essas religiões têm uma origem comum e compartilham os mesmos valores. No caso das religiões de matriz africana, a intolerância recebe uma outra dimensão e resulta em violência, como no depredamento de casas, espancamento de pessoas e até mesmo assassinatos. "

Entre 2000 e 2010 o segmento religioso dos evangélicos foi o que mais cresceu no país, passando de 15,4% da população para 22,2%, segundo o IBGE. Isso equivale a um aumento de 16 milhões no número de adeptos, que chegou a 42,3 milhões em todo o Brasil, o que refletiu na política.
A bancada evangélica conta hoje com 78 parlamentares e tem representação na presidência da Câmara, com Eduardo Cunha (PMDB). Se a frente parlamentar fosse um partido, seria o
mais numeroso da Câmara Federal. Nas eleições de 2014, o PT elegeu 70 parlamentares, seguido do PMDB com 66 e PSDB, com 54

Durante investigação realizada entre 2010 e 2011, a Relatoria Nacional para o Direito Humano à Educação constatou vulnerabilidade de crianças e professores adeptos a religiões d matriz africanas escolas publicas brasileira. Violência física, exclusão social e humilhação, além do afastamento de profissionais da educação adeptos ao candomblé ou umbanda, ainda tem a proibição da pratica da capoeira e danças afro-brasileiras foram registrados pela relatoria... Intolerância e aprendida como racismo...

Mercado religioso
O professor de ciências da religião Frank Usarski, da PUC-SP, afirma que a tensão mais visível é entre algumas igrejas pentecostais e as religiões afro-brasileiras, apesar de existirem também atritos entre religiões que tenham a mesma raiz.

"Isso tem muito a ver com a lógica do mercado religioso. Hoje em dia não é mais uma convivência idealista, mas uma luta de segmentos, da necessidade de conquistar uma certa parcela da população. Dessa forma, o outro é estigmatizado, desvalorizado e inferiorizado", acrescenta, dizendo que a briga entre as religiões se orienta por uma lógica capitalista.

Ele cita, como exemplo, a briga entre vertentes da religião budista no Brasil, em que houve briga jurídica para impedir a entrada de líderes religiosos no país. Além disso, um grupo

reivindica um templo para si e o outro não quer devolvê-lo. "Não são só brigas simbólicas, mas também jurídicas."

As religiões de matriz africana chegaram ao Brasil entre os séculos XVI e XIX, trazidas pelos escravos, alguns deles sacerdotes, que eram traficados para cá. Como, naquela época, a única
religião aceita no País era o catolicismo, os devotos dos orixás tiveram que se comportar como cristãos, frequentando ritos e cultuando santos católicos. Dessa mistura entre tradição africana e influência europeia nasceu o candomblé – que une a devoção aos orixás com conceitos da religião católica –e posteriormente a umbanda, misto de culto aos orixás, com preceitos kardecistas e crenças indígenas.

Se liga: Ao mesmo tempo, o estudo aponta para o crescimento de educadores, tanto católicos como neopentecostais conversadores, que utilizam as escolas públicas e creches brasileiras para proselitismo religioso.

Um afro abraço.

Claudia Vitalino.

fonte:www.bbc.com/portuguese/noticias/www.cartacapital.com.br/

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