Somos...

Somos...
Rebele-se Contra o Racismo!

terça-feira, 7 de outubro de 2014

Pensando sem paixões representação de Negras e Negros na Televisão Brasileira

O racismo deve ser reconhecido como uma construção sociológica, uma categoria social de
dominação e de exclusão. Neste sentido, o debate em torno da superação do racismo no Brasil deve envolver tanto o Estado quanto a sociedade em geral, já que trata-se de um fato estrutural que produz desigualdades e hierarquias sociais determinados pela estrutura da sociedade e pelas relações de poder que a conduzem. Significa dizer que o racismo nasce, se manifesta e se perpetua nas próprias Instituições do Estado, a exemplo das Instituições de ensino superior, como as Universidades brasileiras.

Ter relações com uma negra não lhe torna menos racista...
- Elogio racista é toda demonstração de admiração, afetividade ou carinho que se concretiza por meio de ideias ou expressões próprias ao racismo. Com ou sem a intenção de, que fique bem claro. Um dos mais conhecidos é o famoso “negro de alma branca” que nossos antepassados tanto ouviram. Mas não são apenas nossos homens que conhecem muito bem os elogios racistas.

" Nós mulheres negras também somos agraciadas com esses pequenos monstrinhos, usados inadvertidamente por amigos, familiares. Muitas vezes até por nossos parceiros, por isso o movimento negro e de mulheres negras precisamos ter uma atenção redobrada no que e ventilado pela mídia mesmo com boas intenções" .

Introdução:
Os brasileiros que gostam de televisão e principalmente novela, que têm o hábito de assisti-las e se envolvem com as tramas devem se lembrar de poucos atores negros que interpretaram personagens de destaque. Por outro lado, nos lembramos com mais facilidade de alguma atriz negra que tenha interpretado uma empregada doméstica. Isso porque a representação da mulher negra, e dos negros em geral, na teledramaturgia brasileira é ínfima, como mostra a obra “A negação do Brasil: O negro na telenovela brasileira” (2004), em que o autor, Joel Zito Almeida de Araujo, analisou telenovelas transmitidas entre 1963 e 1997, pela TV Tupi, TV Excelsior e Rede Globo. Só a análise das 98 novelas exibidas pela Rede Globo,
nas décadas de 1980 e 1990 revelou que, exceto as que tinham a escravidão como tema, em 28 delas não apareceu nenhum afro-descendente. E, em apenas 29 o número de atores negros contratados conseguiu ultrapassar a marca de dez por cento do total do elenco (ARAÚJO, 2004). Quando apareceram, foram mostrados de maneira estereotipada. Os papéis destinados a eles, na maioria das vezes, eram empregados domésticos, subordinados aos patrões brancos. As personagens negras eram mostradas de forma subalterna e negativa, destacando-se os aspectos da sensualidade.

Ver TV exibe os melhores momentos de programas sobre representatividade de indígenas e negros na televisão brasileira.
A partir da década de 1980 os negros começaram a interpretar mais personagens nas telenovelas que é considerado um espaço para construção de identidades, porém a imagem sempre foi estereotipada com papéis que remetem às desigualdades entre negros e brancos. Pretendemos, a partir da análise da primeira protagonista negra de uma telenovela do horário nobre da Rede Globo, emissora de maior destaque na história da teledramaturgia brasileira, e da primeira Helena negra de novelas do autor Manoel Carlos, analisar como a mulher negra tem sido representada nesse espaço. O objetivo é compreender se a mulher negra consegue o mesmo destaque que as brancas quando fogem do estereótipo de empregada doméstica para interpretar protagonistas e de classe média.

Esse projeto tem como objetivo, assim como as obras que formam sua base teórica, impulsionar debates sobre a questão racial na mídia, em especial na teledramaturgia, pois este é, no Brasil, um dos principais espaços para construção de identidades, por se tratar de uma paixão nacional que atrai audiência e envolve a sociedade em diversos temas sociais.

A identidade contemporânea, como a identidade étnica negra, está continuamente construindo-se e modificando-se, e a mídia atua neste processo, inclusive para seu reconhecimento social. O que esses indivíduos querem não é tanto ser representados, mas, sim, reconhecidos: fazerem-se visíveis socialmente em sua diferença. (MARTIN-BARBERO apud RODRIGUES, 2007)

Diversos temas sociais, como o racismo, são abordados e estudados segundo a ótica das teorias de representações sociais que, de acordo com Denise Jodelet (2005), são responsáveis por nos fazer compreender fenômenos do homem e a interagirmos com a sociedade a partir de aspectos coletivos.

A partir das representações é que são estudados comportamentos da sociedade em relação a indivíduos pertencentes a grupos distintos, como raça, religião e gênero. Para produção desse trabalho será abordado, por exemplo, como a mulher negra se encaixa na teledramaturgia brasileira pela ótica das representações sociais. Como elas são apresentadas à sociedade e como esta a recepciona.,,,

Geralmente um, dois ou três são escalados para um grande elenco e, apesar de já mais de um século ter se passado desde a abolição da escravidão, os papéis são praticamente os mesmos: os de época, o motorista, o porteiro de prédio ou a empregada doméstica.

- É difícil ver um diretor negro, por exemplo. A Globo tem um. Sem representatividade, fica complicado de conseguir papéis, não porque os autores não queiram escrever, mas falta um pouco de conhecimento da cultura. Mas as emissoras já abriram bastante espaço. Estamos caminhando com passos de formiguinha, mas estamos.

Influência da TV No principal veículo de comunicação de massa do Brasil, a falta de representatividade do negro é algo que influencia ativamente na constituição da identidade...

Bem gente foi perguntado a  adolescentes brancos e negros de escolas públicas e perguntou como eles se veriam aos 30 anos. Os brancos disseram que seriam advogados, funcionários públicos, engenheiros, médicos. Já os negros citaram profissões como secretária, porteiro, cobrador de ônibus. Um dos motivos para isso é que nas novelas o negro é quase sempre o porteiro, a cozinheira, quando não é o bandido. Raramente ele assume posição de destaque.

‘Sexo e as Negas’ expõe em  discurso o qual  ridículo do racismo...
 Bem pra começar:
Todos os argumentos sobre as poucas oportunidades para atores negros na TV são fortes e é verdade que já demora demais uma solução que amplie a imagem do afrodescendente além do estereótipo. Mas não é um contrassenso pedir mais papéis para atores negros e, ao mesmo tempo, tentar impedir que vá ao ar um programa estrelado por maioria negra?

A série é inspirada no seriado "Sex and the City", mas as mulheres na produção norte-americana têm um cotidiano em que a sexualidade é parte e não o centro da trama, afirma os autores...

Um argumento em defesa de "Sexo e As Negas" é o grande número de atores negros empregados na série, mas Fernanda Júlia, diretora de teatro do Nata (Núcleo Afrobrasileiro de Teatro de Alagoinhas), rebate. "Para mim, artista negra é alguém que luta pela modificação da ação do negro no espaço midiático, esse argumento é equivocado. De que adianta essa quantidade de atores negros se eles estão em cena reproduzindo e reforçando tudo aquilo que nós estamos tentando combater?", questiona.

- Precisamos ver negros protagonistas de suas histórias e é isso o que deve estar em primeiro lugar,mais a que preço? quando estamos no campo da ficção. A profissão é apenas
um dos ingredientes? Sim ou Não?

Se liga: Soraia (Maria Bia), Zulma (Karin Hills), Lia (Lilian Valeska) e Tilde (Corina Sabbas) de "Sexo e as Negas" poderiam ser médicas, advogadas, esteticistas ou pertencer a qualquer profissão que não fosse configurada como serviçal. Mas por que, afinal, a doméstica não pode falar sobre sexualidade? 
Sim podem ,eu concordo e acredito que a maioria de nos concordamos neste ponte; mais também tenho certeza que isso não precisa acontecer de maneira tão groseira; desrespeitosa e estereotipada .

O movimento feminista e a militância do movimento negrol têm motivos de sobra para questionar este programa com base na atitudes da emissora ao longo da história. Compreendo da mesma forma, apoio integralmente a luta contra o racismo, bem como o combate aos preconceitos com base em sexo.

Mas boicotar um programa com atores negros em sua maioria? 
O título da série foi uma má escolha? 

A democratização uma das formas e um dos meios de comunicação como forma de combate ao racismo...
Uma das tarefas fundamentais dos meios de comunicação dirigidos pelas oligarquias e elites brasileiras tem sido a propagação direta e indireta – muitas vezes subliminar, do racismo. É preciso perceber o que está por trás da permanente degradação da imagem da população negra nesses espaços. Há um pensamento racista que é, ao mesmo tempo, reformulado, naturalizado e divulgado para a coletividade.

A arte em forma de publicidade, teledramaturgia, cinema e programas humorísticos são poderosos instrumentos de formação da mentalidade. O que vemos no Brasil, infelizmente, é esse poder a serviço do fomento a valores racistas e preconceituosos que, por sua vez, gera muita violência. A democratização dos meios de comunicação é fundamental para combater essa realidade. No mais, deixo duas perguntas ao governo federal e ao congresso nacional, dos quais devemos cobrar:

O uso de concessão pública para fins de depreciação, desvalorização da população negra e da prática do racismo, machismo, sexismo, homofobia e todos os tipos de discriminação e violência não são suficientes para colocar em risco a concessão destes veículos?

Gente:Por que Venezuela, Bolívia e Argentina, vizinhos latino-americanos, avançam no
sentido de diminuir a concentração de poder de certos grupos de comunicação e no Brasil os privilégios para este setor só aumentam?

Um afro abraço.
UNEGRO RJ

fonte:tvbrasil.ebc.com.br/..www.pragmatismopolitico.com.br/unegro.

Nenhum comentário:

Postar um comentário