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sábado, 25 de outubro de 2014

Lugar de Negro : Vida de Negro...

Em muitos países africanos chamar alguém de negro soa como ofensa ( é o mesmo que chamá-lo de escravo), sendo então empregada a palavra black ao invés de niger (preto). Se formos analisar pela ótica dos conceitos aparecidos no dicionário Aurélio, dá-se toda razão oa povos que não gostam de serem taxados como negros. Porque, no ilustríssimo dicionário a palavra negro e o indivíduo de cor negra são assim denominados: sujo, encardido, muito triste, lúgrebe, melancólico, lutuoso, maldito, sinistro, perverso...


Qual nosso lugar enquanto negros e brasileiros nesta historia que logico e nossa...
Quando Lélia Gonzáles e Carlos Hasenbalg publicaram um pequeno livro intitulado Lugar de negro em 1982, abordando o racismo e os problemas dele decorrentes, desejavam enfatizar a crença corriqueira no Brasil de que negros e negras deveriam peremptoriamente ocupar os espaços e funções as mais desvalorizas possíveis. No inicio dos anos oitenta aqueles autores tentavam diagnosticar os efeitos perversos da violência racial alimentada por um imaginário contaminado pelo legado da escravidão.

Para inicio de conversa...
Na transição da ordem escravocrata para o mercado de trabalho assalariado no Brasil,elementos raciais e étnicos representaram critérios não-econômicos que ordenarampreferências e hierarquias entre os trabalhadores e atuaram como uma base normativa para as relações sociais. A partir de um branco e de um negro simbólicos, local e historicamente situados, estabeleceu-se relacionalmente o lugar de cada trabalhador nessa sociedade, o que por sua vez exerceu influência sobre as possibilidades de inserção dos indivíduos no mercado de trabalho e no preenchimento de determinadas ocupações.Havia nesse processo uma tensão resultante de forças antagônicas, pois ao mesmo tempo em que se buscava eliminar vestígios do passado colonial - então visto como uma amarra ao seu progresso e ao seu desenvolvimento -, havia igualmente uma preocupação com a manutenção da ordem e da estrutura de poder vigentes. A introdução de imigrantes brancos de origem européia nas regiões agrícolas e nas grandes cidades do sul do país - em especial na lavoura cafeeira do estado de São Paulo, local que adquiriu um forte dinamismo econômico nesse período – tornou a organização social mais complexa e modificou o próprio significado de nação anteriormente vigente.O marco inicial para a modernização brasileira é o ocaso do Império. A partir da de cadência da organização sociopolítica então vigente e das revoluções burguesas o corri das nas nações européias e nos Estados Unidos, surge entre os setores dominantes locais os entimento de que um novo projeto de nação era necessário para que se acompanhasse o progresso dos novos tempo...

Vida de Negro



Dorival Caymmi

Lerê, lerê, lerê, lerê, lerê
Lerê, lerê, lerê, lerê, lerê
Lerê, lerê, lerê, lerê, lerê
Lerê, lerê, lerê, lerê, lerê


Vida de negro é difícil, é difícil como o quê
Vida de negro é difícil, é difícil como o quê


Eu quero morrer de noite, na tocaia me matar
Eu quero morrer de açoite se tu, negra, me deixar

Vida de negro é difícil, é difícil como o quê
Vida de negro é difícil, é difícil como o quê
Meu amor, eu vou-me embora, nessa terra vou morrer
Um dia não vou mais ver, nunca mais eu vou te ver

Vida de negro é difícil, é difícil como o quê
Vida de negro é difícil, é difícil como o quê

Lerê, lerê, lerê, lerê, lerê
Lerê, lerê, lerê, lerê, lerê

Vida de negro é difícil, é difícil como o quê
Vida de negro é difícil, é difícil como o quê
Eu quero morrer de noite, na tocaia me matar
Eu quero morrer de açoite se tu, negra, me deixar

Vida de negro é difícil, é difícil como o quê (Lerê, lerê, lerê, lerê, lerê)
Vida de negro é difícil, é difícil como o quê

Meu amor, eu vou-me embora, nessa terra vou morrer
Um dia não vou mais ver, nunca mais eu vou te ver

Vida de negro é difícil, é difícil como o quê (Lerê, lerê, lerê, lerê, lerê...)
Vida de negro é difícil, é difícil como o quê


Escravidão: instituição ou ordem social
o Brasil tem como ponto de partida a longa;experiência acumulada nas lutas de resistência desde os primeiros quilombos formados na segunda metade do século XVI, somada à produção teórica dos intelectuais e daqueles que se dedicaram a compreender e desvelar a

história da participação do elemento negro na formação histórica e econômica do Brasil. 
A elaboração desse projeto assenta-se em novos paradigmas, rompendo com a visão eurocêntrica de transplantar modos de produção e modelos de sociedade para o Brasil, ainda presente em muitas leituras de nossa história.

Como contraponto à predominância de teorias eurocêntricas na elaboração de estratégias para o desenvolvimento da sociedade brasileira, alguns intelectuais e dirigentes negros têm proposto o afro centrismo como linha de formulação de uma “nova teoria negra”. Creio que tal processo de gestação teórica, recusando-se a aceitar o desenvolvimento dialético e universal das ciências e do conhecimento, traz em seu âmago a autolimitação no curso da elaboração proposta   A concepção da via estratégica para a emancipação do povo negro que apresento
aqui, tem como principais referências as identidades ou aproximações que tenho com o pensamento político, entre outros autores, de Antonio Gramsci, Jacob Gorender e Florestan Fernandes no que concerne ao entendimento sobre os temas mencionados.Compreendendo como base da interpretação da realidade brasileira o estudo das forças sociais produtivas na formação do país e do papel central entre estas, desempenhado pela “raça negra”, entendo que a teoria gramsciana corresponde às necessidades da luta do povo negro pela hegemonia cultural e política que possibilite a construção de uma sociedade multiétnica e igualitária.

A Sociedade Escravista....
Ao longo de quatro séculos, desde a metade do século XVI até a segunda metade do século XIX, foram trazidos da África e transportados à força para a América cerca de 10 milhões de africanos. Nesse número não está contido a soma dos que morreram no caminho. O trafico atlântico foi o maior movimento de migração forçada da história da humanidade.“O escravo foi um produto das sociedades escravistas e mercantis subordinadas ao capitalismo mundializado desde o século dos descobrimentos marítimos. A produção do escravo-mercadoria em África se dava pelos mecanismos da violência, da captura nas guerras ou do puro e simples seqüestro. Em seguida, processava-se o estranhamento e afastamento do escravizado do seu meio social e de sua cultura, para sua posterior expatriação e comercialização como mercadoria”


Em 29 de março de 1549 a coroa portuguesa autorizou, oficialmente, a entrada de escravos no País. O decreto de D. João III concedeu o direito a uma quota de 100 escravos de nação Congo, trazidos do Cabo Verde e São Tomé para cada senhor de engenho ou dono de

plantação. A lida com escravos negros na verdade já era comum pelo menos desde 1534, quando o primeiro navio negreiro atracou em nosso litoral. O Brasil foi o país que mais traficou e o maior recebedor de escravos africanos da História. No final deste século, o tráfico se concentrava no Rio de Janeiro e em São Paulo,destinado à produção do café que se tornou o principal produto do mercado brasileiro. Em 1800 a população brasileira era constituída por aproximadamente um milhão de brancos e cerca de dois milhões de negros: africanos e nascidos no Brasil, escravos e libertos.“Bem mais refinado era o processo de construção do escravo nascido no Brasil. Nascido livre como todos, o crioulo era criado para ser escravo. A formação de um comportamento de obediência, a interiorização da inferioridade social, justificada e explicitada pela cor de sua pele – característica aliás imutável e independente de sua vontade – bem como a imposição de uma legislação que fixava a sua condição civil escrava e do decorrente controle policial dos seus movimentos, se processam no interior da sociedade escravista. A ele era ensinado que a sua cor era marca de uma maldição divina, a cultura dos seus ancestrais era bárbara, a sua religiosidade era demoníaca e doentia, a sua aparência repelente e a sua inteligência limitada às tarefas da obediência. Este era o seu lugar naquela sociedade, o de escravo. Assim, não só a escravidão africana e tráfico transatlântico produziram escravos; a sociedade brasileira produziu continuamente os seus escravos, os crioulos, em uma quantidade bem mais expressiva que os filhos de África, todos nossos ancestrais.”

Nas fazendas ou na extração de minérios as condições de trabalho e de higiene eram
deploráveis, a alimentação era escassa e os maltratos freqüentes. Chicotes, troncos,
marcas de sinetes incandescentes, gargalheiras, bacalhaus cortantes e pelourinho eram
de uso recorrente. A jornada de trabalho diária era de 12 a 14 horas. Nessas condições, a
vida útil de um escravo era em média de 7 a 10 anos ou no máximo 15.Os senhores escravistas buscaram destruir a identidade dos africanos, a dignidade,quebrar os elos de convivência e os vínculos sociais, separando as famílias, misturando pessoas provenientes de diferentes etnias, imprimindo castigos exemplares e humilhantes aos seus antigos líderes. Como bem pessoal, o negro podia ser alugado, leiloado, penhorado ou hipotecado, assim

como as demais posses de seu proprietário. Levaram a cabo o propósito de desumanização do negro como sujeito. Os governadores portugueses e a classe senhorial separavam as “nações” e estimulavam as diferenças étnicas entre “Nagôs”, “Daomeanos”, “Minas”, “Angolas” e “Moçambiques”. A igreja fundou irmandades especiais de “negros selvagens”, de “crioulos” e de “mulatos”., aceitando às vezes as divisões étnicas. Nas cidades da Bahia e de Minas, certas


Resistência negra...
Nesta história de lutas, como ressalta o pesquisador Clovis Moura no livro “Os Quilombos
e a Rebelião Negra” os quilombos ocupam um lugar de indiscutível destaque: Surgindo a
partir da organização de escravos fugitivos, eles se multiplicaram aos milhares e se espalharam por todo o país, servindo não só como refúgio, mas também para a  em organização da vida social sob outras bases que não aquelas ditadas pelo sistema
colonial. Eram uma demonstração da possibilidade de se estruturar a sociedade de outra forma. O quilombo como forma organizacional dos negros se iniciou no século XVI,
conforme o primeiro registro do quilombo dos palmares datado de 1597 e somente fechou
o seu ciclo de lutas nas últimas décadas do século XIX. Registra a mais longa e histórica
forma de luta no Brasil. (1597 – 1888).  Nos quilombos mais estruturados, a economia era

baseada no trabalho coletivo, de forma a atender as necessidades de todos os habitantes. Neles conviviam, além da imensa maioria de negros, uma série de outros oprimidos na sociedade escravista: fugitivos do serviço militar, criminosos, índios, mestiços e também brancos pobres.Os quilombos que duraram mais anos, conseguiram fazê-lo a partir da estruturação de uma eficaz e aguerrida força militar. Além disso, os quilombolas mantinham relações  comerciais (legais ou não) com as comunidades da região e também se apoiavam no constante apoio dos negros escravizados existentes nas áreas próximas. 
O Quilombo dos Palmares, foi o maior e mais duradouro quilombo, chegando a ocupar, uma extensão de aproximadamente 150 quilômetros de comprimento e 50 de largura. A República dos Palmares, como chegou a ser conhecida, iniciou sua formação em 1597 e durou até 1695, situada numa vasta área da Capitania de Pernambuco, principalmente na comarca de Alagoas, em uma região serrana que atingia até 500 metros de altitude,coberta por florestas e de acesso muito difícil. Em seu período de auge, Palmares chegou a atingir, uma população de cerca de 20 mil pessoas. Outros quilombos, como o de Campo Grande e o de Ambrósio, em Minas Gerais, chegaram a ter mais de 10 mil habitantes e também são parte de uma história que fez do Brasil não só um país de escravidão, mas também um país de quilombos Em variados pontos do país os negros constituíram ainda sociedades secretas, com o objetivo de conspirar, organizar fugas de escravos, rebeliões e manter ativa a luta pela liberdade. Na Bahia existiram muitas organizações desse gênero, como a sociedade yorubana Obgoni ou Ohogbo, apontada como responsável pela rebelião de 1809 no Estado. No Rio de Janeiro a sociedade Tates Corongos, organizou a rebelião de Manuel Congo, esmagada pelas forças do Duque de Caxias. Além desta, planejou uma outra,
comandada por Estevão Pimenta, que foi abortada com a prisão de seus lideres, devido à
delação às autoridades. Infelizmente a história não guardou o nome, de muitas dessas sociedades, que tiveram grande influência nos pronunciamentos dos negros

escravos.Também são escassos os documentos existentes. No Brasil colônia e depois da Independência, sucederam-se em diversas províncias,também no espaço urbano, revoltas e rebeliões de escravos e mestiços contra a dominação racial, econômica e política da classe dominante escravista. Movimentos de libertação como a Balaiada no Maranhão e a Cabanagem no Pará, nos quais o povo negro teve papel preponderante. Destaca-se entre tantas revoltas e rebeliões, – com situações de opressão racial / social em contextos políticos distintos – a “Revolta dos Búzios” em 1798 e o “Levante dos Malês” em 1835 . Desde a década de 1880, o movimento de fuga de escravos acelera-se, e passa a ser comum ler nos jornais que um grande proprietário adormecera com toda a sua  escravaria bem guardada nas senzalas e acordara sem nenhum cativo.
As leis promulgadas não detiveram as rebeliões e fugas em massa que se generalizavam.
O enorme contingente de negros livres, libertos e escravos, em número muito superior ao
de brancos, significava uma ameaça constante à estabilidade social. A abolição se impunha como uma necessidade. A assinatura da Lei Áurea em 1888 libertou pouco mais
de 700 mil negros que ainda viviam na condição de escravo. Esse número  apresentava cerca de 5% da população negra que existia no país.   O movimento abolicionista de modo geral, que lutara pela abolição reunindo pessoas de  todas as classes, não objetivava a inclusão social dos libertos antes e depois da Lei Áurea. Com o argumento da efetivação da abolição – razão de ser dos clubes e sociedades que foram criados – as organizações abolicionistas dissolveram-se. Estava explicitado que não interessava aos abolicionistas o destino dos ex-escravos.

O movimento abolicionista tinha dois objetivos: a abolição da escravatura e desagregação da ordem escravista com a eliminação da relação senhor-escravo, fazendo


emergir do seio desta, a ordem social capitalista....


Libertos e pobres.
Durante o Império, a abolição da escravatura foi gradual, criando um grande contingente de
libertos a perambularem pelas ruas dos centros urbanos, sem ocupação ou meios de
sobrevivência.

A lei Eusébio de Queirós, promulgada em 1850, proibiu o trafico de escravos.
A lei do Ventre Livre tornou todos os escravos nascidos a partir de 1871 livres.

A lei dos Sexagenários libertou os escravos com mais de 65 anos em 1885, os quais, a rigor eram poucos, dada a baixa expectativa de vida.


Jogando levas e mais levas de crianças pobres nas ruas...

Estourando a guerra do Paraguai, o Império aproveitou para se livrar deste contingente, reforçando o recrutando forçado de crianças, praticamente caçando-as nos centros urbanos.

Muitos pais tentarem esconder os filhos para evitar que fossem recrutados, ou subornaram os oficiais da policia ou do exército que revistavam as casa em busca de crianças, pois se sabia que servir na guerra era morte certa.   O Império usava as crianças pobres, em sua maioria descendentes de escravos, nos locais mais perigosos, principalmente no manejo de canhões, onde não tinham nenhuma arma para se defenderem a não ser o canhão manejado.

Obviamente a mortalidade entre as crianças soldados foi enorme, realmente esvaziou as ruas
de crianças pobres.   No entanto, terminada a guerra do Paraguai, as famílias pobres continuaram a ser numerosas e deram conta de rapidamente voltar a povoar as ruas.

Foi quando, finalmente, a lei Áurea aboliu a escravidão humano no Brasil em 1888.
A liberdade conquistada foi apenas parcial, pois jogou os ex-escravos em um mundo onde ninguém queria lhes dar trabalho, onde não tinham acesso a educação ou moradia digna, originando as primeiras favelas.

Discriminação:Porque são pobres, não porque são negros...
O pensando assim me veio Macunaima o estereotrópico do negro brasileiro...

A única lógica de macunaíma, é não ter lógica nenhuma
O termo negrada aparece no dicionário Aurélio do ano de 1986 15ª impressão como grupo de indivíduos dado a pandegas e a desordem. Ou seja, se um grupo de negros reunidos são desordeiros, um elemento deste grupo nunca deixará de sê-lo. É por isso que um negro correndo é visto pela sociedade como bandido, principalmente se ele estiver correndo em direção a um grupo de negros dizem logo que é uma quadrilha nos discordamos

No nascimento de Macunaíma, a natureza foi narrada como se tudo tivesse parado para ver o menino nascer. Encontramos também neste episódio o verbo Parir, sendo que este verbo é
utilizado para animais irracionais. Neste ponto, Mário de Andrade está usando o eufemismo, ou seja, a linguagem que parece querer acentuar ainda mais a feiura do personagem.

Macunaíma é um hipodigma (tipo ideal) do homem negro da América Latina, preguiçoso...
Mário de Andrade procura colocar em primeiro plano os defeitos do personagem "Ai que preguiça!" e na pensagem subliminar NEGRO x INDIO....

A leitura de Macunaíma é a visão da luta do colonizador e o colonizado. O índio é o colonizado e o colonizador é o antagonista. A mensagem deste livro faz referência a nossa cultura, que se afastou da sua origem, e com isso, o modernista aparece para tentar conscientizar as pessoas para voltar às origens e o amor a terra, sendo assim, Macunaíma é uma lenda amazônica

( RECOMENDO)

Um afro abraço.

fonte:www.conversaafiada.com.br/.UNEGRO

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