UNEGRO- RIO DE JANEIRO

UNEGRO - União de Negras e Negros Pela Igualdade. Esta organizada em de 26 estados brasileiros, e tornou-se uma referência internacional e tem cerca de mais de 12 mil filiados em todo o país. A UNEGRO DO BRASIL fundada em 14 de julho de 1988, em Salvador, por um grupo de militantes do movimento negro para articular a luta contra o racismo, a luta de classes e combater as desigualdades. Hoje,rumo aos 30 anos de caminhada continua jovem atuante e combatente... Aqui as ações da UNEGRO-RJ

quinta-feira, 21 de março de 2019

O PRIMEIRO DE MAIO PARTE I:Trabalhador negro ganha 36% menos que o não negro...

Abolicionismo e trabalho negro Muito já se escreveu ou ainda se tem escrito sobre a abolição do trabalho escravo no Brasil. O tema é, de fato, fundamental para se pensar a constituição de um mercado de trabalho
capitalista e a introdução plena de uma ordem social competitiva no país. Entretanto, a literatura especializada tem enfatizado muito precariamente no âmbito desse quadro a relevância da história do trabalhador negro livre antes da abolição da escravatura. Nesse sentido, nunca é demais assinalar que a história do trabalhador negro livre começa muito antes da abolição, sendo importante recuperar o significado dessa dupla inscrição numa reflexão que se quer mais acurada sobre a importância dos papéis e da participação do negro na formação e constituição do mercado de trabalho livre no Brasil. A abolição do trabalho escravo no Brasil não aconteceu de forma repentina: o processo de transição do trabalho escravo para o trabalho livre já pode ser identifica - do ao longo de todo o século XIX. 2 É certo que o processo de coartações e alforrias se faz presente em toda a história da escravidão, porém as diversas formas de liberação da mão-de-obra negra se intensifica visivelmente em seu último período. Contudo, esta situação de convivência de uma força de trabalho livre (e, sobretudo, negra livre) com uma estrutura de trabalho escravo, por seu turno, criou também, ela própria, algumas dificuldades à pró - pria valorização, diversificação e expansão do trabalho livre no Brasil, como de resto ao próprio desenvolvimento pleno do mercado de trabalho capitalista no Brasil.

Os projetos imigrantistas - O pensamento social brasileiro de fins do século XIX, entrincheirado em supostas teorias acadêmicas, em - bebidas ora num evolucionismo, ora num positivismo ou num determinismo calcificantes – ou, mesmo em alguns momentos, numa mistura improvável de muitas delas - refletiam e sustentavam a ideia da indiscutível superioridade civilizatória caucasiana e a consequente inviabilidade da construção e evolução de uma nação desenvolvida e próspera tanto pelo trabalho escravo, como também e, sobretudo, pelo concurso de uma população majoritariamente mestiça e negra 8 . A solução, portanto, numa só tacada, tanto para o problema emergencial da constituição de um mercado de trabalho livre e progressista quanto da formação de um povo capaz de capitanear o projeto desenvolvimentista.

O mercado de trabalho livre no Brasil Decorrente desse contexto, o desenvolvimento do mercado de trabalho capitalista no Brasil andou, desde seus primeiros momentos, pari passuà ocupação majoritária dos seus postos e, principalmente dos seus melhores postos, pelo elemento branco. Segundo Andrews, nos 40 anos pós-abolição, o Brasil recebeu um contingente de mais de dois milhões de imigrantes, o impacto desse afluxo populacional na composição racial do país foi significativa. Em 1890, os brancos constituíam 44% da popula - ção brasileira, pardos e pretos participavam, nesse mes - mo ano com 47% do total populacional. Todavia, de 1890 a 1940 o incremento populacional do elemento branco foi exponencial. Em 1940 a população branca contava 63,5% da população brasileira 9 No que tange especificamente ao mercado de tra - balho, Andrews relata que: O censo de 1893 da cidade de São Paulo mostrou que 72% dos empregados do comércio, 79% dos trabalhadores das fábricas, 81% dos trabalhadores do setor de transportes e 86% dos artesãos eram estrangeiros. Uma fonte de 1902 estimou que a força de trabalho industrial na capital era composta de mais de 90% de imigrantes; em 1913, o Correio Paulistano estimou que 80% dos trabalhadores do setor de construção eram italianos; e um estudo de 1912 sobre a força de trabalho em 33 indústrias têxteis do Estado descobriu que 80% dos trabalhadores têxteis eram estrangeiros, a grande maioria italianos”10. A ocupação majoritária do branco imigrante no mercado de trabalho acabou por empurrar a população não-branca para as ocupações subalternas e mais desvalorizadas. Serviços domésticos, empregos informais e bis - cates foram as atividades que restaram aos não-brancos, nas quais eles se encontram ainda hoje, majoritariamente. Por outro lado, a forte presença branca imigrante

A constituição de 1988, e os marcos jurídicos na luta anti-discriminatória no mercado de trabalho no Brasil A Constituição Federal de 1988 constituiu um marco na transição democrática e na institucionalização dos direitos humanos no Brasil. Como marco jurídico de uma nova etapa da vida jurídica e política da República
brasileira, a Constituição de 1988 consagrou o primado do respeito aos direitos humanos, propugnado pela ordem internacional, como verdadeiro paradigma balizador do ordenamento jurídico nacional e, por consequência, orientador das relações de trabalhos, inclusive as pautadas neste artigo. Orientado por esse conjunto princípiológico, necessário foi que se abrisse a ordem jurídica brasileira ao sistema internacional de proteção dos direitos humanos, o que, por consequência, obrigou a toda uma nova interpretação de princípios tradicionais, tais como a soberania nacional na dimensão política, mas também no próprio âmbito das relações de trabalho, impondo a reorientação e relativização de valores implícitos. Assim, nos moldes dessa abertura ao ordenamento jurídico internacional, dada pela Constituição Federal de 1988, o Brasil ratificou diversos instrumentos internacionais. No âmbito das relações de trabalho, destaca- -se a Convenção 111 da OIT que estabelece parâmetros jurídicos para matérias relativas a ausência de igualdade ou, especificamente e propriamente, relativas à discriminação nas relações de trabalho. Nos termos do artigo 1º da Convenção discriminação significa: a) toda distinção, exclusão ou preferência, com base em Raça, cor, sexo, religião, opinião polí- tica, nacionalidade ou origem social, que tenha por efeito anular ou reduzir a igualdade de oportunidade ou de tratamento no emprego ou profissão; b) Qualquer outra distinção, exclusão ou preferência, que tenha por efeito anular ou reduzir a igualdade de oportunidades, ou tratamento no emprego ou profissão, conforme pode ser determinado pelo país membro concernente, após consultar organizações representativas de empregadores e trabalhadores, se as houver, e outros organismos adequados (OIT, Artigo 1º). Todavia, com um escopo ainda mais amplo do que o de meramente sincronizar a agenda jurídica nacional ás orientações hegemônicas da ordem jurídica e política internacional, mesmo que lastreado nele, o legislador constituinte, já no pórtico da Carta Magna, no art. 1, inciso III, determinava também como basilar à nova ordem jurídica inaugurada pela nova Constituição e coetânea aos novos valores de uma sociedade em processo de democratização, a dignidade da pessoa humana. Inovava mais uma vez nossa carta jurídico-política maior, revertendo a lógica liberal; posto que tendo a noção de dignidade da pessoa humana um caráter universal, inseri-la no ordenamento jurídico constitucional significava vinculá-la irremediavelmente não somente ás normas infraconstitucionais, como também atrelá-la inexoravelmente á experiência social concreta.

Pesquisa mostra disparidade salarial independente da formação. Dieese sugere criação de cotas para negros nas empresas.
Um estudo divulgado nesta quarta-feira (13) pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese) mostra que um trabalhador negro recebe em média um salário 36,1% menor que o de um não negro, independentemente da região onde mora ou de sua escolaridade. Segundo o estudo, a diferença salarial e de oportunidades de trabalho são ainda maiores nos cargos de chefia.

A pesquisa 'Os negros nos mercados de trabalho metropolitanos' foi feita nas regiões metropolitanas de Belo Horizonte, Brasília, Fortaleza, Porto Alegre, Recife, Salvador e São Paulo. O estudo destaca que a desvantagem registrada entre a remuneração de negros e não negros é pouco influenciada pela região analisada, horas trabalhadas ou setor de atividade da economia.

“Em qualquer perspectiva, os negros ganham menos do que os brancos”, avalia a economista Lucia Garcia, coordenadora de pesquisa sobre emprego e desemprego do Dieese, em entrevista à Globo News. "O que observamos é que a progressão na educação melhora a educação da população negra, mas não extingue a
desigualdade. Encontramos mais desigualdades no ensino superior completo."

Rendimento médio por hora (2011/2012)
Escolaridade Negro Não-negro
Fund. incompleto R$ 5,27 R$ 6,46
Fund. completo R$ 5,77 R$ 6,76
Médio completo R$ 7,13 R$ 9,56
Sup. completo R$ 17,39 R$ 29,03



Um afro abraço.
Claudia Vitalino.

Fonte: DIEESE/SEADE, MTE/FAT e entidades regionais

sexta-feira, 1 de março de 2019

É a consciência coletiva da mulher negra que traz a ruptura das invisibilidades, que chama atenção para as lacunas existentes na luta de mulheres, do negro e nas políticas de classe.

No dia 8 de março de 2019, Candelária, as mulheres unidas sairão em marcha pela vida e
contra todas as formas de violência. Nós, mulheres negras, estaremos presentes em bloco e em toda força e potências de nossas vozes plurais!


As narrativas que acompanham o surgimento do Dia Internacional da Mulher são consequências demúltiplso fatos históricos. Relacionam-se a lutas pelos direitos sociais e políticos de mulheres quecomeçaram na segunda metade do século 19 e nunca se interromperam. É um dia legítimo de memória e continuidade daquelas que rasgaram as mantas instauradas pelo patriarcado, impulsionando perspectivas para um debate inicial de gênero.

No entanto, as mulheres que instigaram esse debate neste período são as mesmas que foram formadas para não refletir, em primeira instância, sobre as desigualdades raciais e de gênero, e até mesmo de classe. Teve pouco ou nenhum impacto em suas reflexões o que ocorreu às mulheres negras entre os séculos 16 e 19 nas Américas, no período de tráfico negreiro, ou o que ocorreu pós-abolição no Brasil. Isso revela o abismo que o racismo provoca mesmo em mentes que buscam emancipação de um grupo oprimido.



Transgredindo as fronteiras instauradas pelo racismo, a mulher negra já trazia elementos ancestrais que dialogam com o que a gente conhece hoje como interseccionalidade, através de uma herança malunga, que recriou laços políticos e estratégias de sobrevivência.

Em um País que viveu três séculos de escravização da população negra, as mulheres negras ainda são vistas pela sociedade como servas e são as mais agredidas, socialmente e fisicamente. No Brasil, 58,86% das mulheres vítimas de violência doméstica são negras, revelam dados de 2015 da Central de Atendimento à Mulher (Ligue 180).

Somos Mulheres Negras, meninas, adolescentes, jovens, adultas, idosas, lésbicas, bissexuais, transexuais, travestis, heterossexuais, quilombolas, rurais, das favelas, da baixada, sem teto, sem terra, em situação de rua, trabalhadoras domésticas, prostitutas, artistas, profissionais liberais, servidoras públicas, terceirizadas, empreendedoras, intelectuais, yalorixás, estudantes, ativistas, parlamentares, professoras e juntas marcharemos no 8 de março contra o racismo e todas as formas de violências e pelo bem viver!




Um afro abraço.

MULHERES DA UNEGRO RJ

sábado, 1 de dezembro de 2018

Quase 80% da população brasileira que usam SUS se autodeclara negra

Estudos e estatísticas oficiais de saúde apontam que as mulheres negras com idade entre 10 a 49 anos
são bastante afetadas por mortes maternas provocadas por causas evitáveis como hipertensão, hemorragia e infecção puerperal. As mortes na primeira semana de vida também são mais frequentes
entre crianças negras quando comparadas às brancas.Ainda no contexto de mortalidade, a estatística registra que a segunda causa de morte mais frequente entre a população negra é o homicídio, enquanto para brancos, esta aparece como a quinta causa de mortalidade mais comum. Diabetes, hipertensão e doença falciforme estão entre as doenças mais comuns na população negra brasileira. Essas enfermidades também matam mais pessoas negras que brancas, segundo dados do Ministério da Saúde.

Quase 80% da população brasileira que depende do Sistema Único de Saúde (SUS) se autodeclara negra (preta e parda). Nesse contexto, o Ministério da Saúde, por meio do Departamento de Apoio à Gestão Participativa e ao Controle Social da Secretaria de Gestão Estratégica e Participativa, organizou nesta semana (4 e 5) mais uma Oficina de Monitoramento e Implementação da Política Nacional de Saúde da População Negra.

“A implementação dessa política é primordial para melhorar o acesso da população negra aos serviços de saúde e aprimorar a qualidade daquilo que lhe é oferecido. A Política Nacional de Saúde Integral da População Negra é estruturante para o SUS porque reitera o impacto do racismo e de outros determinantes sociais nas condições de vida e saúde da população.

Instituída no Brasil em 2009, a Política Nacional de Saúde Integral da População Negra tem como
direcionamento garantir a equidade e a efetivação do direito à saúde de negras e negros. A política também reconhece o racismo, as desigualdades étnico-raciais e o racismo institucional como determinantes sociais das condições de saúde.

A política inclui ainda ações de cuidado, atenção, promoção à saúde e prevenção de doenças, bem como gestão participativa, participação popular e controle social, produção de conhecimento, formação e educação permanente para trabalhadoras e trabalhadores da saúde, visando à promoção da equidade em saúde da população negra.

“O investimento do governo para a implementação da política contribui para que o Brasil cumpra os compromissos assumidos no âmbito da Década Internacional de Afrodescendentes da ONU. A década prevê uma discussão ampla e acentuada nos países para a plena inclusão dos negros em todos os setores da sociedade e nada mais primordial do que garantir saúde a essa população, muitas vezes marginalizada e vulnerável”...

- Além disso, quase 80% da população brasileira que depende do Sistema Único de Saúde (SUS) se autodeclara negra.

Um afro abraço.

Claudia Vitalino.

fonte:https://nacoesunidas.org

quarta-feira, 7 de novembro de 2018

NOVEMBRO NEGRO - Escravidão Africana- Pra não esquecer!




A escravidão é o grande sustentáculo do processo de colonização do continente americano, a partir do século XVI. Longe de se ater a uma forma homogênea de relação de trabalho, a escravidão foi marcada pelas mais diferentes caracterizações ao longo do período colonial. No caso da colonização lusitana, a utilização de escravos sempre foi vista como a mais viável alternativa para que os dispendiosos empreendimentos de exploração tivessem a devida funcionalidada


O tráfico negreiro ainda incentivava o desenvolvimento de outras atividades econômicas. A indústria naval crescia ao ampliar a necessidade de embarcações que pudessem fazer o transporte dos negros capturados. Ao mesmo tempo, incentivou as atividades agrícolas ao ampliar, por exemplo, as áreas de plantação do tabaco, produto agrícola usualmente utilizado como moeda de troca para obtenção dos escravos.

A obtenção de escravos era feita a partir de firmação de acordos comerciais com algumas tribos, principalmente as que se localizavam na região do litoral Atlântico do continente. Na verdade, a escravidão já integrava as práticas sociais e econômicas dos africanos mesmo antes do processo colonial. Em geral, essa população escrava era resultado da realização de guerras ou da aplicação de penas contra aqueles que cometessem algum tipo de delito.

A partir da chegada dos portugueses à África, a prática antes desenvolvida no contexto social e político das populações africanas, veio a integrar uma atividade comercial sistemática integrada à economia mercantilista europeia. Dessa maneira, a escravidão se transformou em uma atividade econômica de caráter essencial. Um dos resultados dessa transformação foi que, entre os séculos XV e XIX, o número de escravos provenientes da Costa Africana ultrapassou a marca dos 11 milhões de cativos.

Um imenso processo de exclusão socioeconômica e, principalmente, a questão do preconceito racial. Mesmo depositado no passado, podemos ver que as heranças de nosso passado escravista ecoam na constituição da sociedade no mundo...

Um afro abraço.

Claudia Vitalino.

fonte: https://www.youtube.com/

sábado, 29 de setembro de 2018

A experiencia do ancião e a valorização da tradição na literatura africana

As civilizações africanas, no Saara e ao sul do deserto, eram em grande parte civilizações da palavra falada, mesmo onde existia a escrita, como na África ocidental a partir do século XVI, pois muito

poucas pessoas sabiam escrever, ficando a escrita muitas vezes relegada a um plano secundário em relação às preocupações essenciais da sociedade. Seria um erro reduzir a civilização da palavra falada simplesmente a uma negativa, "ausência do escrever", e perpetuar o desdém inato dos letrados pelos iletrados, que encontramos em tantos ditados, como no provérbio chinês: "A tinta mais fraca é preferível à mais forte palavra". Isso demonstraria uma total ignorância da natureza dessas civilizações orais. Como disse um estudante iniciado em uma tradição esotérica: "O poder da palavra é terrível. Ela nos une, e a revelação do segredo nos destrói" (através da destruição da identidade da sociedade, pois a palavra destrói o segredo comum).

A civilização oral
Um estudioso que trabalha com tradições orais deve compenetrar-se da atitude de uma civilização oral em relação ao discurso, atitude essa, totalmente diferente da de uma civilização onde a escrita registrou todas as mensagens importantes. Uma sociedade oral reconhece a fala não apenas como um meio de comunicação diária, mas também como um meio de preservação da sabedoria dos ancestrais, venerada no que poderíamos chamar elocuções-chave, Isto é, a tradição oral. A tradição pode ser definida, de fato, como um testemunho transmitido verbalmente de uma geração para outra. Quase em toda parte, a palavra tem um poder misterioso, pois palavras criam coisas. Isso, pelo menos, é o que prevalece na maioria das civilizações africanas. Os Dogon sem dúvida expressaram esse nominalismo da forma mais evidente; nos rituais constatamos em toda parte que o nome é a coisa, e que "dizer" é "fazer".

A oralidade é uma atitude diante da realidade e não a ausência de uma habilidade. As tradições desconcertam o historiador contemporâneo - imerso em tão grande número de evidências escritas, vendo-se obrigado, por isso, a desenvolver técnicas de leitura rápida - pelo simples fato de bastar à compreensão a repetição dos mesmos dados em diversas mensagens. As tradições requerem um retorno contínuo à fonte. Fu Kiau, do Zaire, diz, com razão, que é ingenuidade ler um texto oral uma ou duas vezes e supor que já o compreendemos. Ele deve ser escutado, decorado, digerido internamente, como um poema, e cuidadosamente examinado para que se possam apreender seus muitos significados - ao menos no caso de se tratar de uma elocução importante. O historiador deve, portanto, aprender a trabalhar mais lentamente, é refletir, para embrenhar-se numa representação coletiva, já que o corpus da tradição é a memória coletiva de uma sociedade que se explica a si mesma. Muitos estudiosos africanos, como Amadou Hampâté-Ba ou Boubou Hama, muito eloqüentemente têm expressado esse mesmo raciocínio. O historiador deve iniciar-se, primeiramente, nos modos de pensar da sociedade oral, antes de interpretar suas tradições.

A natureza da tradição oral
A tradição oral foi definida como um testemunho transmitido oralmente de uma geração à outra. Suas características particulares são o verbalismo e sua maneira de transmissão, na qual difere das fontes escritas. Devido à sua complexidade, não é fácil encontrar uma definição para tradição oral que dê conta de todos os seus aspectos. Um documento escrito é um objeto: um manuscrito. Mas um documento oral pode ser definido de diversas maneiras, pois um indivíduo pode interromper seu testemunho, corrigir-se, recomeçar, etc. Uma definição um pouco arbitrária de um testemunho poderia, portanto, ser: todas as declarações feitas por uma pessoa sobre uma mesma seqüência de acontecimentos passados, contanto que a pessoa não tenha adquirido novas informações entre as diversas declarações. Porque, nesse último caso, a transmissão seria alterada e estaríamos diante de uma nova tradição.

Algumas pessoas, em particular especialistas como os griots, conhecem tradições relativas a toda uma série de diferentes eventos. Houve casos de uma pessoa recitar duas tradições diferentes para relatar o mesmo processo histórico. Informantes de Ruanda relataram duas versões de uma tradição sobre os Tutsi e os Hutu: uma, segundo a qual, o primeiro Tutsi caiu do céu e encontrou o Hutu na terra; e outra, segundo a qual Tutsi e Hutu eram irmãos. Duas tradições completamente diferentes, um mesmo informante e um mesmo assunto! É por isso que se inclui "uma mesma seqüência de acontecimentos" na definição de um testemunho. Enfim, todos conhecem o caso do informante local que conta uma história compósita, elaborada a partir das diferentes tradições que ele conhece.


Uma tradição é uma mensagem transmitida de uma geração para a seguinte. Mas nem toda informação verbal é uma tradição. Inicialmente, distinguimos o testemunho ocular, que é de grande valor, por se tratar de uma fonte "imediata", não transmitida, de modo que os riscos de distorção do conteúdo são mínimos. Aliás, toda tradição oral legítima deveria, na realidade, fundar-se no relato de um testemunho ocular. O boato deve ser excluído, pois, embora certamente transmita uma mensagem,
é resultado, por definição, do ouvir dizer. Ao fim, ele se toma tão distorcido que só pode ter valor como expressão da reação popular diante de um determinado acontecimento, podendo, no entanto, também dar origem a uma tradição, quando é repetido por gerações posteriores. Resta, por fim, a tradição propriamente dita, que transmite evidências para as gerações futuras.


A origem das tradições pode, portanto, repousar num testemunho ocular, num boato ou numa nova criação baseada em diferentes textos orais existentes, combinados e adaptados para criar uma nova mensagem. Mas somente as tradições baseadas em narrativas de testemunhos oculares são realmente válidas, o que os historiadores do Islã compreenderam muito bem. Desenvolveram uma complicada técnica para determinar o valor dos diferentes Hadiths, ou tradições que se pretendiam palavras do Profeta, recolhidas por seus companheiros. Com o tempo, o número de Hadiths tomou-se muito grande, e foi necessário eliminar aqueles para os quais a cadeia de informantes (lsnad) que ligava o erudito que as havia registrado por escrito a um dos companheiros do Profeta não podia ser estabelecida. Para cada ligação, o cronista islâmico determinava critérios de probabilidade e credibilidade idênticos aos empregados na crítica histórica atual. Poderia a testemunha intermediária conhecer a tradição? Poderia compreendê-la? Era seu interesse distorcê-la? Poderia tê-la transmitido? E, se fosse o caso, quando, como e onde?


Notaremos que a definição de tradições apresentada aqui não implica nenhuma limitação, a não ser o verbalismo e a transmissão oral. Inclui, por- tanto, não apenas depoimentos como as crônicas orais de um reino ou as genealogias de uma sociedade segmentária, que conscientemente pretenderam descrever acontecimentos passados, mas também toda uma literatura oral que fornecerá detalhes sobre o passado, muito valiosos por se tratar de testemunhos inconscientes, e, além do mais, fonte importante para a história das idéias, dos valores e da habilidade oral.


As tradições são também obras literárias e deveriam ser estudadas como tal, assim como é necessário estudar o meio social que as cria e transmite e a visão de mundo que sustenta o conteúdo de qualquer expressão de uma determinada cultura. f:. por isso que nas seções seguintes trataremos respectivamente da crítica literária e da questão do ambiente social e cultural, antes de passarmos ao problema cronológico e à avaliação geral das tradições.

A tradição como obra literária
Numa sociedade oral, a maioria das obras literárias são tradições, e todas as tradições conscientes são elocuções orais. Como em todas elocuções, a forma e os critérios literários influenciam o conteúdo da mensagem. Essa é a principal razão das tradições serem colocadas no quadro geral de um estudo de estruturas literárias e serem avaliadas criticamente como tal.
Um primeiro problema é o da forma da mensagem. Há quatro formas básicas, resultantes de uma combinação prática de dois conjuntos de princípios. Em alguns casos, as palavras são decoradas, em outros, a escolha é entregue ao artista. Em alguns casos, uma série de regras formais especiais são sobrepostas à gramática da língua comum, em outros, não existe tal sistema de convenções.

Um afro abraço.
Claudia Vitalino.
fonte:http://afrologia.blogspot.com.

terça-feira, 25 de setembro de 2018

Marta a mulher negra 6 vezes fez história nos esportes do Brasil

Marta, a maior do futebol

Primeira mulher e negra – ou primeira negra e mulher – a jogar uma partida internacional de futebol masculino. Primeira jogadora de futebol feminino nacional. Embaixadora da Boa Vontade, eleita pela
Organização das Nações Unidas. Bola de Ouro e Chuteira de Ouro, pela Fifa, a melhor jogadora do mundo por cinco anos seguidos, entre 2006 e 2010, um recorde entre mulheres e homens. Maior Artilheira da História da Seleção Brasileira, masculina e feminina. Supera Édson Arantes do Nascimento, o Pelé, em número de gols com a camisa da Seleção Brasileira: 117 contra 95. Maior artilheira da história das Copas do Mundo de Futebol Feminino, com 15 gols em quatro competições. Uma entre os 100 brasileiros e brasileiras mais influentes do ano de 2009, segundo a revista Época.

A artilheira dos gols não contabilizados...
Marta já foi escolhida como melhor futebolista do mundo por seis vezes, sendo cinco de forma consecutiva. Um recorde entre mulheres e homens. Foi considerada pela Revista Época um dos 100 brasileiros mais influentes do ano de 2009 Em 2015, ela se tornou a Maior Artilheira da História das Copas do Mundo de Futebol Feminino, com 15 gols, e também se tornou a Maior Artilheira da História da Seleção Brasileira (contando a Masculina e a Feminina) com 101 gols. É considerada a maior futebolista de todos os tempos.

Após grandes exibições recentes e, principalmente, nos Jogos Pan-americanos de 2007, a alagoana declarou que se emocionou ao saber que o rei do futebol acompanhou os jogos da seleção feminina.

Marta iniciou a carreira profissional no Vasco da Gama em 2000 aos 14 anos. Após três anos no time cruzmaltino, foi emprestada ao time mineiro Santa Cruz, onde jogaria por mais duas temporadas, antes de ser negociada pelo time carioca, para defender o Umeå IK, da Suécia. Por este clube, tornou-se muito mais conhecida na Europa e foi se destacando cada vez mais, até ser considerada a melhor jogadora do mundo.

Seleção brasileira - Conquistou, com a Seleção, a medalha de ouro nos Jogos Pan-americanos de 2003 e 2007, liderando a artilharia da competição com 12 gols nestes últimos. Foi ainda medalha de prata nos Jogos Olímpicos de 2004 e 2008.

Em 27 de setembro de 2007, durante a partida de semifinal na Copa do Mundo de Futebol Feminino de 2007, realizada na China, contra os EUA, marcou o gol mais bonito da competição e, para alguns, o gol mais bonito marcado durante toda a existência deste torneio e ajudou o Brasil a chegar pela primeira vez em sua história à final dessa competição. O Brasil ficou em 2º lugar e Marta foi escolhida a melhor jogadora da Copa, recebendo o prêmio Bola de Ouro e também foi a artilheira da competição com 7 gols.

Em 2015, Marta se tornou a maior artilheira da história da Copa do Mundo de futebol feminino, com 15 gols.

Mesmo ano em que se tornou a maior artilheira da seleção brasileira completando 117 gols. Ela superou Pelé que tem 95 gols marcados com a camisa da seleção.


Recorde -Na partida em que bateu o recorde de Pelé em número de gols com a camisa de Seleção Brasileira, em 9 de dezembro de 2015, a atacante marcou nada menos que cinco dos 11 gols da equipe, e da partida, no massacre sobre Trinidad e Tobago, na Arena das Dunas, em Natal RN), durante o Torneio Internacional de Futebol Feminino. Na época, ela declarou: "Estou feliz pelos gols, pelo recorde”, em entrevista à TV Bandeirantes. Naquele dia, o placar foi: 98 Marta x 95 Pele. Mas a jogadora continua na ativa e a distância não pára de crescer.


Marta é eleita a melhor jogadora do mundo da FIFA pela sexta vez

A brasileira Marta venceu nesta segunda-feira, em Londres, o Prêmio FIFA - The Best 2018 como melhor jogadora da última temporada, chegando a seis conquistas individuais (2006, 2007, 2008, 2009, 2010 e 2018) da entidade máxima do futebol. Entre os homens, o croata Luka Modric ficou com o prêmio de melhor jogador; Didier Deschamps, da seleção francesa, foi o melhor treinador, enquanto Salah ficou com Puskás Award, que homenageia o gol mais bonito do ano. A eleição do gol
foi popular, enquanto as outras foram entre jogadores, treinadores e jornalistas de todo o mundo.Oito anos após vencer pela última vez, Marta, que tem 32 anos e defende atualmente o Orlando Pride, equipe norte-americana, se torna a maior vencedora de prêmios individuais da FIFA com os seis troféus. Além dos títulos, a capitã da seleção brasileira também ficou entre as três primeiras em 2011, 2012, 2013, 2014 e 2016

Atualmente, Marta joga pelo Orlando Pride, dos Estados Unidos.

Parabens Mata.

Um afro abraço.
Claudia Vitalino.

fonte: CARTA CAPITAL

domingo, 23 de setembro de 2018

27 de Setembro festa popular - Cosme & Damião ( Ibejis)...

O Dia de São Cosme e Damião é comemorado em 27 de setembro pelos seguidores do candomblé,
xangô, xambá, umbanda e batuque, no dia 26 de setembro é celebrado pelos católicos.

São Cosme e Damião, ao lado de São Lucas, são conhecidos como os santos padroeiros dos médicos e dos farmacêuticos.
Nesta data, em praticamente todo o país, existe o hábito de dar doces e brinquedos para as crianças, que vão para as ruas para receberem essas recompensas.

História de São Cosme e São Damião
Cosme e Damião eram dois irmãos árabes, provavelmente gêmeos, que residiam na região da Ásia Menor. Eles eram médicos cristãos, sendo que demonstravam grande compaixão pelos doentes, seres humanos e animais, curando-os sem cobrar dinheiro.

Eles ficaram conhecidos como inimigos do dinheiro e, posteriormente, foram acusados de serem inimigos dos deuses romanos. Por esse motivo, os jovens foram condenados à morte por ordem do Imperador Diocleciano, por volta do século IV d.C.


Sincretismo como resistência :

Com o sincretismo religioso, os negros africanos escravizados cultuavam a imagem de São Cosme e Damião como se fossem os correspondentes aos orixás gêmeos Ibejis. Esses são representados pela imagem de irmãos gêmeos, que indicam a boa sorte que seus pais tiveram em ter dois filhos ao mesmo tempo.

Neste dia, nos terreiros, celebra-se a alegria e a inocência das crianças. Daí vem o costume de oferecer às crianças doces no dia 27 de setembro

Distribuição de balas
Apesar de ser um evento que veio do Candomblé, através do sincretismo, uma das tradições do “Caruru” faz parte da história dos santos São Cosme e São Damião: a distribuição de balas. Isso porque eles, desde pequenos, eram médicos e cuidavam de doentes, em grande parte crianças, na região da Península Arábica sem cobrar dinheiro. Por isso, as pessoas criaram o costume de distribuir
os doces para homenagear os santos ou cumprir promessas feitas a eles.


Cosme e Damião morreram por volta do ano 300 d.C. degolados, vítimas de uma perseguição do imperador romano Deocleciano. Eles também são considerados os padroeiros dos farmacêuticos, médicos e das faculdades de medicina.

Oração a São Cosme e Damião

“São Cosme e Damião, que por amor a Deus e ao próximo vos dedicastes à cura do corpo e da alma de vossos semelhantes, abençoai os médicos e farmacêuticos, medicai o meu corpo na doença e fortalecei a minha alma contra a superstição e todas as práticas do mal.

Que vossa inocência e simplicidade acompanhem e protejam todas as nossas crianças. Que a alegria da consciência tranquila, que sempre vos acompanhou, repouse também em meu coração. Que a vossa proteção conserve meu coração simples e sincero, para que sirvam também para mim as palavras de Jesus: 'Deixai vir a mim os pequeninos, porque deles é o Reino do Céu'. São Cosme e Damião, rogai por nós. Amém”.


As Divindades Gêmeas da Vida e do Nascimento

Os Ibejis são filhos de Iansã e Xangô. Ao dar a luz as crianças, ela os repudiou, os abandonando nas águas de um rio.

Oxum estava a passear por perto e escutou o choro das crianças, sem hesitar correu na direção do som e encontrou os dois pequeninos recém nascidos. Diz a lenda que ambos irmãos sorriram para Oxum quando a viram, o que fez o coração da Orixá derreter de amor pelos pequenos. Oxum então passou a ser a mãe dos Ibejis e os deu os nomes: Taiwo e Kehinde. Ibejis é o único Orixá que possui dupla representação e eles simbolizam o nascimento de todas as coisas.
A História da vida humana dos Ibejis – Antes de serem Orixás

Os gêmeos eram dois príncipes capazes de trazer sorte a todos que os consultassem. Com muita alegria e sabedoria o jeito infantil de enxergar as situações os possibilitavam a encontrar as melhores respostas para qualquer tipo de problema questionado. Em troca, eles pediam como pagamento doces
.

Como toda criança levada, eles adoravam fazer traquinagens e um dia brincando próximo a uma cachoeira um deles caiu, na queda das águas e morreu afogado.

O irmão sobrevivente não conseguia mais encontrar a felicidade em viver e em meio aos seus prantos de saudades implorava a Orunmila que o levasse para perto de seu irmão. Tocado pelo sofrimento do pequeno, Orunmila resolveu atender ao seu pedido, e o desencarnou. Para confortar a todos que os amavam ele deixou em seu lugar duas estátuas de barro representando os príncipes gêmeos.

Por isso é muito comum oferendas aos Ibejis no pé da estátua de gêmeos.

Oferenda para Ibejis

Para os Ibeji, doces são as melhores oferendas, quanto mais doce melhor, de preferência regadas com muito mel. As oferendas podem ter brinquedos acompanhando, mas lembre-se que precisam ser dois e não pode haver um brinquedo com melhor qualidade que o outro, os gêmeos devem receber brinquedos de igual valia.

Sincretismo de Ibejis
Os Ibejis foram sincretizados com os Santos Católicos Cosme e Damião. Também gêmeos, os dois dedicaram suas vidas a curar as pessoas através da medicina e da fé. Mas não só o fato de serem gêmeos os sincretizaram, o dom de guardar a vida também é um motivo para essa comparação.
" Ibejis sincretisados com Cosme e Damião são simbolizados por duas crianças frente a frente, que representam também a dualidade do ser humano, as duas faces que todos temos dentro de nós, os dois pesos que devem ser colocados na balança antes de se tomar qualquer decisão".
Um afro abraço.

Claudia Vitalino.
fontehttp://varelanoticias.com.br/

domingo, 9 de setembro de 2018

Pixinguinha

Pixinguinha (1897-1973) foi um músico brasileiro, autor da música "Carinhoso". Arranjador, instrumentista e compositor, é um dos maiores representantes do "choro" brasileiro.

Alfredo da Rocha Viana Filho (1897-1973) nasceu no Rio de Janeiro, no dia 23 de abril de 1897. Com 13 anos compôs seu primeiro choro “Lata de Leite”, que revolucionou a música daquela época. Filho de um flautista recebeu uma flauta de presente e foi encaminhado para aulas de música. Em 1911, começou a tocar na orquestra do rancho carnavalesco Filhas da Jardineira, onde conheceu Donga e João da Baiana.

Estudou no colégio São Bento, mas seu interesse era a música. Seu primeiro emprego foi na casa de chope A Concha, na Lapa Boêmia. Com 15 anos já era músico da orquestra do Teatro Rio Branco. Em 1917 gravou o disco com o choro “Sofres” e a valsa “Rosa”. Em 1918 Pixinguinha e Donga foram convocados pelo proprietário do cinema Palais, na Av. Rio Branco, para formar uma pequena orquestra que tocaria na sala de espera.

O grupo “Oito Batutas” foi formado por Pixinguinha na flauta, Donga e Raul Palmeri no violão, Nelson Alves no cavaquinho, Jacob Palmieri e Luis de Oliveira na bandola e reco-reco, China (irmão de Pixinguinha) no canto e violão, José Alves de Lima no bandolim e ganzá.

O grupo passou a viajar pelo Brasil e, em 1921 foi convidado para uma temporada em Paris, financiada pelo milionário Arnaldo Guinle. Permaneceram em Paris entre janeiro e agosto de 1922, tocando em diversas casas. Nessa época, Pixinguinha ganhou de Arnaldo Guinle o saxofone que mais tarde iria substituir a flauta. Donga ganhou um banjo, com o qual faria diversas gravações.

Quando retornou ao Brasil, o grupo fez várias apresentações no Rio de Janeiro. Em novembro do mesmo ano, iniciou uma turnê na Argentina, onde passou cinco meses. Na década de 30, gravou vários discos como instrumentista e compôs várias músicas, entre elas “Rosa” e Carinhoso, com letra de João de Barros, que foram gravadas por Orlando Silva.

Na década de 40 passou a atuar como arranjador. Em 1942 fez sua última gravação como flautista em
um disco com dois choros de sua autoria: “Chorei” e “Cinco Companheiros”. Em 1945 participou da estreia do programa “O Pessoal da Velha Guarda” dirigido e apresentado pelo radialista Almirante.

Em 1951 foi nomeado, pelo prefeito do Rio de Janeiro, João Carlos Vital, para lecionar música nas escolas cariocas. A parir de 1953 passou a frequentar o Bar Gouveia com tanta assiduidade que acabou tendo uma cadeira permanente com seu nome gravado, onde só ele poderia sentar.

Em 1955 gravou seu primeiro LP, “Velha Guarda”, que teve a participação de seus músicos e de Almirante. Nesse mesmo ano, se apresentou na casa noturna Casablanca. Em 1962 escreveu uma música para o filme “Sol Sobre a Lama”, com letra de Vinícius de Moraes.

Pixinguinha faleceu no Rio de Janeiro, no dia 17 de fevereiro de 1973.

Um afro abraço.

Claudia Vitalino.

fonte:https://www.ebiografia.com/

quarta-feira, 29 de agosto de 2018

Michael Jackson - Smooth Criminal (Single Version) HD



Michael Jackson fala sobre o Racismo

O talento inquestionável do rei da música pop, Michael Jackson, nos brindou com obras de arte musicais e mega shows, que arrebataram milhares de multidões pelo mundo afora; além do seu marcante carisma pessoal e dedicação profissional. 

No entanto, sua condição de homem negro nascido no berço do capitalismo mundial e as transformações que operou em sua imagem, com certeza incomodaram racistas e não racista. Sua ousadia ou patologia imprimiu em um jovem negro a imagem de um homem caucasiano de nariz fino e pele branca. Algumas questões brotam em nossas cabeças: será que Michael quis embranquecer para negar seu sofrimento como negro ou desejou mudar sua imagem por liberdade para ser feliz ao seu modo. Nunca ouvir dizer de um branco que desejou ter imagem de negro, para além do bronzeado tropical, em nossas terras tão homenageado como sinônimo de saúde e beleza. Mas, é de se supor que Michael sabia que não deixaria de ser tratado como negro, apenas porque mudou sua face, em uma sociedade onde as margens do racismo possui um contorno de hereditariedade. Então, mudou para o seu conforto, para seu olhar no espelho.

Eu sei qual é minha raça. Eu olho no espelho, e sei que sou negro', disse Michael Jackson esta terça-feira durante o 'Encontro pela justiça na indústria fonográfica', liderado pela National Action Network (NAT), no Harlem, em Nova York, segundo a MTV News. Anos depois de um nunca plenamente explicado processo de clareamento da pele - a certa altura, Jackson alegou sofrer de vitiligo - o cantor levantou seu orgulho étnico para reforçar a acusação, feita no sábado, de que Tommy Mottola, o todo-poderoso da gravadora Sony, era racista.

A acusação de Jackson veio em meio a uma série de eventos que configuram a mais feroz briga entre artistas e gravadoras que a indústria já viu, na qual o seu caso é apenas o mais... digamos... bizarro. A NAT, liderada pelo reverendo Al Sharpton, que nos EUA é um importante ativista de direitos civis das minorias, começou há algumas semanas uma campanha por um tratamento justo aos artistas negros, alegando que muitos deles morrem na miséria depois de carreiras que só rendem lucros às gravadoras. Jackson se uniu a Sharpton na luta em meio a uma disputa pessoal com sua gravadora, a Sony.

Jackson acusa a gravadora de não ter promovido a contento seu mais recente álbum, 'Invincible', que vendeu dois milhões de cópias nos EUA - menos do que se esperaria de um álbum de Jackson e, sobretudo, de um disco que custou US$ 50 milhões entre produção e marketing. Já foi anunciado por ambas as partes que o contrato de Jackson com a Sony não será renovado depois do lançamento de uma coletânea de maiores sucessos, mas ambos ainda discordam em detalhes. Segundo informações divulgadas pela imprensa americana nunca confirmadas oficialmente, a Sony quer que Jackson lhes pague uma dívida de adiantamentos que pode remontar a US$ 200 milhões; e o cantor quer retomar os direitos sobre os seus catálogos. Diante disso, Jackson tem sido bombardeado por críticas de que seu apoio à NAT seria, na verdade, movido por interesses pessoais. Sobretudo depois que sua acusação contra o suposto racismo de Mottola foi contestado pelo próprio Sharpton e outros nomes importantes da black music, como o empresário Russel Simmons. Segundo a MTV News, sua participação no encontro de ontem foi uma tentativa de reverter essa impressão.

Jackson se diz vítima de conspiração racista - 'Estou cansado de ser manipulado. A imprensa manipula a verdade. Eles são mentirosos. Os livros de História são uma mentira. Vocês precisam saber que todas as formas de música popular, do jazz ao rock ao hip hop e dance, do jitterbug ao Charleston, são negras. Mas vá à livraria da esquina e você não vai ver um negro na capa dos livros. Você vai ver Elvis Presley. Você vai ver os Rolling Stones. Mas onde estão os verdadeiros pioneiros?', disse Jackson às cerca de 300 pessoas presentes ao encontro, acrescentando que Otis Blackwell, autor de clássicos como 'Al shook up', morreu na miséria.

Jackson alegou ainda que o sistema tentou destruí-lo na medida em que ele se tornava mais poderoso. '
Eu quebrei os recordes de venda de Elvis e dos Beatles. Então, começaram a me chamar de aberração, de homossexual, de pedófilo. Disseram que eu clareei minha pele. Fizeram de tudo para jogar o público contra mim. É uma conspiração', alegou.

Por aqui, alguns negros acreditam que o status social e a ascensão, para além do conforto material, produziriam um certo “salvo conduto” nas relações sociais e no acesso as redes entrelaçadas de poder e privilégio. Diferente da experiência pessoal de Michael, que não lhe retirou a condição de negro, alguns acreditam, entre nos, que o verniz socioeconômico produz mudança na forma de tratamento de uma sociedade conservadora e hierarquizada em seus papeis sociais. A experiência que conhecemos fala em outra direção‘‘É a única coisa que eu odeio. Eu realmente odeio. E é por causa disso que eu tento escrever, colocar nas minhas músicas, na minha dança, na minha arte — para ensinar o mundo’’

“Eu realmente não sou uma pessoa preconceituosa de forma alguma. Eu acredito que as pessoas deveriam pensar mais sobre Deus e a criação porque se você olhar dentre as diversas coisas dentro dos corpos humanos — as diferentes cores dos órgãos… e todas essas cores fazem coisas diferentes ao corpo — por que não podemos fazê-lo como pessoas?
Isto (racismo) é a única coisa que eu odeio. Eu realmente odeio. E é por causa disso que eu tento escrever, colocar nas minhas músicas, na minha dança, na minha arte — para ensinar o mundo.

Se políticos não podem fazê-lo, poetas deveriam o colocar na poesia e escritores deveriam o colocar em livros. É o que nós temos que fazer e eu acho que é tão importante salvar o mundo.”
Michael Jackson
Um Afro abraço.
Claudia Vitalino.

fonte:https://mjbeats.com.br

Michael Jackson - Ben HD Audio



Origem e Infancia de Michael Jackson

Michael era o sétimo de nove filhos de Joseph e Katherine Jackson. A família inteira – incluindo os irmãos mais velhos Rebbie, Jackie, Tito, Jermaine, Latoya e Marlon, e os mais novos, Randy e Janet – viveram juntos em uma pequena casa de dois quartos, e o pai sustentava a casa a duras penas trabalhando em uma usina siderúrgica. Por vontade da mãe, mas contra o desejo do pai, as crianças tornaram-se Testemunha de Jeová e passaram a praticar a evangelização de porta em porta.

De acordo com as regras rígidas do pai, as crianças eram mantidas trancadas em casa enquanto ele trabalhava até tarde da noite. Entretanto, as crianças escapavam freqüentemente para as casas dos vizinhos, onde cantavam e faziam música. Os irmãos mais velhos mexiam na guitarra do pai Joseph sem sua permissão enquanto ele estava trabalhando. Até que um dia Joseph tomou consciência do talento de seus filhos e resolveu ganhar dinheiro com isso, e assim sair de Gary e ir para a California, para mais tarde serem contratados pela Motown.

Na Motown, Michael e seus irmãos gravaram vários álbuns, o que lhes rendeu fama mundial. Com
apenas treze anos Michael, através dos Jackson Five, havia colocado quatro canções no topo das paradas: “I Want You Back”, “ABC”, “I’II Be There”, “The Love You Save”. Michael iniciou sua carreira solo quando ainda estava na Motown, quando lançou os álbuns Got To Be There, Ben, Music & Me e Forever , Michael, todos com pelo menos um sucesso mundial. A partir de 1973 a popularidade do grupo começou a diminuir, embora eles tivessem sucessos razoáveis como “I Am Love” e “Dancing Machine”. Nesse último, durante as apresentações, Jackson simulava um robô dançando. A dança tornou-se bastante popular no mundo todo.

"Ben" é uma canção de autoria de Donald Black e Walter Scharf, gravada em 1972 pelo cantor americano Michael Jackson, então adolescente, para a gravadora Motown. O hit, composto originalmente para Donny Osmond, e oferecido a Jackson devido à indisponibilidade de Osmond, em turnê na época, passou uma semana no topo da Billboard Hot 100, principal parada pop americana.O single também chegou à primeira posição na parada pop australiana, onde passou oito semanas.

Tornou-se o primeiro de 12 sucessos de Jackson a atingirem o topo das paradas nos EUA, e foi seu primeiro a fazê-lo já como artista solo.

Incluído posteriormente no álbum homônimo, "Ben", a canção, incluída na trilha sonora do filme filme homônimo(a continuação do suspense sobre ratos assassinos Willard, de 1971); venceu um Globo de Ouro de Melhor Canção e foi indicado ao Oscar de Melhor Canção Original
Durante sua infância Michael e seus irmãos sofreram constante abuso de seu pai, que batia freqüentemente nas crianças, e as aterrorizava psicologicamente. Os ensaios eram supervisionados pelo pai com um cinto na mão. Certa vez Michael e seus irmãos foram dormir no quarto de um hotel e deixaram a janela aberta. Joseph escalou a janela com uma máscara no rosto e deu um susto nos irmãos, somente para ensiná-los a não deixar a janela aberta quando fossem dormir. Anos depois, Jackson sofreu pesadelos sobre ser sequestrado do seu quarto e chorava com isso. Durante sua entrevista a apresentadora, Oprah Winfrey em 1993, Michael disse que durante sua infância chorou várias vezes por solidão e que muitas vezes vomitava só de ver seu pai. No documentário de2003, Living With Michael Jackson, do jornalista britânicoMartin Bashir, o cantor chorou ao relembrar de sua infância.

Michael se destacava dos irmãos facilmente. Era o mais afinado e tinha um talento natural para dançar. Mesmo sendo o caçula do grupo, era ele o líder dos Jackson's. Por este motivo, um ano
depois, o cantor decidiu começar carreira-solo, paralelamente aos trabalhos com os irmãos. Começava aí a tentativa de Michael em fugir do controle exagerado do pai, que impedia os garotos de terem uma infância normal, pressionando e exigindo total dedicação à carreira artística. Acredita-se também que Joe batia nos filhos ou lhes impunha castigos exagerados.

Um afro abraço.
Claudia Vitalino.
fonte:ttps://91312815mj.wordpress.com/

domingo, 12 de agosto de 2018

HISTÓRIA NEGRA AMERICANA :"Negro History Week",

A história do Black History Month começa em 1915, meio século após a Décima Terceira Emenda

Abolir a escravidão nos Estados Unidos. Em setembro, o historiador treinado por Harvard, Carter G. Woodson e o prominente ministro Jesse E. Moorland, fundaram a Associação para o Estudo da Vida e da História do Negro (ASNLH), uma organização dedicada à pesquisa e promoção de conquistas de negros americanos e outros povos de Descendência africana. Conhecido hoje como a Associação para o Estudo da Vida e História Africano Americana (ASALH), o grupo patrocinou uma Semana Nacional da História Negra em 1926, escolhendo a segunda semana de fevereiro para coincidir com os aniversários de Abraham Lincoln e Frederick Douglass . O evento inspirou escolas e comunidades em todo o país a organizar celebrações locais, estabelecer clubes de história e performances e palestras de acolhimento.

A NAACP foi fundada em 12 de fevereiro de 1909, o centenário do nascimento de Abraham Lincoln.

Foi em 1964, quando o autor James Baldwin refletiu sobre as deficiências de sua educação. “Quando eu estava indo para a escola”, ele disse , “comecei a ficar incomodado com o ensino da história americana porque parecia que aquela história havia sido ensinada sem o conhecimento da minha

Os pensamentos de Baldwin ecoaram os de muitos antes e depois dele. Meio século antes, quando Carter G. Woodson teve a mesma frustração, eleestabeleceu as bases para o que seria o Mês Nacional da História Negra de hoje, observado em fevereiro.
presença”.


Desde então, todo presidente americano designou fevereiro como o mês da História Negra e aprovou
um tema específico. A Proclamação da Emancipação e a Marcha em Washington , marca os 150 e 50 aniversários de dois eventos fundamentais na história afro-americana.

Nas décadas que se seguiram, os prefeitos das cidades de todo o país começaram a emitir proclamações anuais, reconhecendo a Semana da História do Negro. No final da década de 1960, graças, em parte, ao Movimento dos Direitos Civis e a uma crescente consciência da identidade negra, a Semana da História do Negro evoluiu para o Mês da História Negra em muitos campus universitários.O presidente Gerald R. Ford reconheceu oficialmente o Mês da História Negra em
1976, convidando o público a "aproveitar a oportunidade para homenagear as conquistas, muitas vezes negligenciadas, de negros americanos em todas as áreas de atividade ao longo da nossa história".

Um afro abraço.
Claudia Vitalino.

fonte:wenciclopedia livre

O PRIMEIRO DE MAIO PARTE I:Trabalhador negro ganha 36% menos que o não negro...

Abolicionismo e trabalho negro Muito já se escreveu ou ainda se tem escrito sobre a abolição do trabalho escravo no Brasil. O tema é,...