UNEGRO- RIO DE JANEIRO

UNEGRO - União de Negras e Negros Pela Igualdade. Esta organizada em de 26 estados brasileiros, e tornou-se uma referência internacional e tem cerca de mais de 12 mil filiados em todo o país. A UNEGRO DO BRASIL fundada em 14 de julho de 1988, em Salvador, por um grupo de militantes do movimento negro para articular a luta contra o racismo, a luta de classes e combater as desigualdades. Hoje,rumo aos 30 anos de caminhada continua jovem atuante e combatente... Aqui as ações da UNEGRO-RJ

segunda-feira, 18 de junho de 2018

Ativista do feminismo negro Lélia Gonzalez

Filha de um ferroviário negro e de uma empregada doméstica indígena era a penúltima de 18 irmãos, entre
eles o futebolista Jaime de Almeida, que jogou pelo Flamengo. Nascida em Belo Horizonte, mudou-se para o Rio de Janeiro em 1942 Lélia Gonzalez: professora, pesquisadora, antropóloga e ativista política. Fã de futebol e samba.

Nasceu em Minas Gerais, na cidade de Belo Horizonte, no dia 1º de fevereiro de 1935. Filha de um ferroviário negro e de uma empregada doméstica índia. Teve 18 irmãos, sendo ela a penúltima filha a nascer. Mais tarde, toda a família se mudou para o Rio de Janeiro.

"Sua paixão por futebol surgiu nessa época. Por um tempo, a família dela morou próxima ao Clube de Regata do Flamengo e um dos irmãos de Lélia jogava por lá." 
Fez duas faculdades: História e Filosofia. E fez seu mestrado em Comunicação Social, e doutorou-se em Antropologia Social. Sua capacidade de despertar reflexões e boas argumentações fez dela uma educadora e pesquisadora exemplar. Deu aula em diversos colégios cariocas, foi professora universitária em diversas universidades do Rio e também diretora do Departamento de Sociologia e Política da PUC-Rio. Dominava o inglês, o espanhol e o francês.

Lélia não se calava a respeito da opressão da mulher negra, criticou a escola e também a universidade por não tratar do assunto como deveria. Usou sua trajetória acadêmica para pesquisar a história do povo negro, ler sobre pensadores negros, resgatar toda aquela história que foi e é invisibilizada pelo racismo. Mas jamais

ficou apenas na teoria, ela mesmo afirmou que preferia a militância de rua. Ajudou a fundar e foi integrante do Movimento Negro Unificado. Ajudou a fundar e participou de diversos grupos que tratavam dessa temática como o "Coletivo de Mulheres Negras N'Zinga", o "Instituto de Pesquisas das Culturas Negras" e o Olodum.

Participou de vários seminários, tanto nacionais, quanto internacionais. Escreveu ensaios, artigos, palestrou por todo o mundo. Como não era muito adepta da escrita tradicional acadêmica, muitas de suas obras foram coletivas. Lélia buscava conjugar diversas lutas numa só. Considerava importante que os grupos marginalizados da sociedade buscassem produzir seu próprio conhecimento.

Seu nome hoje é referência para os diversos movimentos brasileiros que buscam lutar contra o racismo e o machismo.

Era apaixonada não só pela luta pelos direitos humanos e o futebol, mas também pela música. O velho samba de raiz estava no seu coração. Por isso, além de ser muito vista na luta diária contra diversos tipos de preconceito, aparecia frequentemente em escolas de samba e estádios.

Uma das principais vozes da militância com enfoque na mulher negra do Brasil.
Morreu no Rio de Janeiro, onde passou maior parte de sua vida, em 10 de julho de 1994.

Um afro abraço.
Claudia Vitalino
fonte:www.palmares.gov.br/

terça-feira, 22 de maio de 2018

25 DE MAIO: “DIA DA LIBERTAÇÃO AFRICANA”

“Dia da Libertação Africana”. A data marca a fundação da Organização da Unidade Africana, em 1963 em Addis Abeba, na Etiópia.Chefes de Estado africanos se reuniram na cidade de Adis Abeba, na Etiópia, em 25 de maio de 1963, para enfrentar a subordinação que o continente vinha sofrendo há tempos. A tal subordinação chamou-se colonialismo, neocolonialismo ou partilha da África, que até à data da reunião ainda sofriam de apropriação forçada das suas riquezas humanas e naturais. Participaram daquele momento histórico 32 Estados Africanos. Àquela altura, dois terços do continente havia alcançado a independência do domínio colonial. Nesta reunião a data de Dia da Liberdade da África foi alterada de 15 abril para 25 maio e renomeado para Dia da Libertação Africana. Desde então 25 de maio tornou-se a referência simbólica e pragmática dos objetivos estratégicos e políticos do movimento Pan-africano.

Apesar da conquista da independência formal, muitos países africanos não romperam totalmente suas relações com as ex-metrópoles e essa continuidade de opressão originou o surgimento do neocolonialismo, que se trata de um modelo de continuidade da dominação estrangeira na política e na economia das nações africanas. Ainda hoje as forças do capital e do racismo subjulgam a maior parte do território e da população do continente africano, em que pese a permanente luta desse povo.

Ao longo dos tempos, o continente africano sofreu vários flagelos, quer a nível político, econômico e social que mudaram para sempre o rumo da sua história. Em jeito de celebração, a cronologia apresentada retrata os momentos mais marcantes do continente-berço. No entanto, temos de prestar uma homenagem especial aos enormes combates travados pelos trabalhadores africanos contra o colonialismo e o neocolonialismo desde há vários séculos. Eles apresentaram esta luta anti-colonialista durante os tempos antigos de Europeu (Britânico, Francês, Alemão, Português, Belga, etc.) o imperialismo e posteriormente, quando a classe burguesa mundo entendeu que neo-colonialismo poderia servir melhor os seus interesses, também contra o imperialismo Americano, o Soviético e o mais recente Chinês e os seus respectivos cúmplices da burguesia
local.

"Para nós, afro-brasileiros e africanos da diáspora em todo o planeta, a data é importante para resgatar a importância deste continente, celebrar sua beleza, sua riqueza e principalmente exigir reparação histórica à todos os territórios e populações negras espoliadas pelo racismo e pela intolerância em todo o mundo."

"A África é um mosaico de povos com uma cultura antiga. Cada povo Africano tem a sua própria cultura, costumes, modo de vida, que, com algumas variações, está numa fase muito para trás, por razões bem conhecidas. O despertar da maior parte desses povos só recentemente começou.

De jure, os povos africanos, em geral, ganharam a sua liberdade e independência. Mas não pode haver nenhuma conversa de liberdade e independência genuína, uma vez que a maioria deles ainda está em um estado colonial ou neo-colonial. (...) Os imperialistas estão governando a maioria dos países africanos de novo através de suas preocupações, os seus capitais investidos na indústria, bancos, etc. A grande maioria da riqueza desses países continua a fluir para as metrópoles. (...)
A população Africano permaneceu culturalmente e economicamente subdesenvolvidas (...) A política seguida pelos grandes latifundiários, a burguesia reaccionária, os imperialistas e os neo-colonialistas se destina a manter os povos africanos em servidão permanente, na ignorância, dificultar o seu desenvolvimento social, político e ideológico, e de obstruir sua luta para ganhar esses direitos." (Enver Hoxha, O Imperialismo e a Revolução, Tirana, 1979, edição em Português)


Dos países africanos á angolana reforça, ainda, que a migração primária de povos africanos para o Brasil deve-se ao fato de “várias pessoas africanas terem sido levadas, forçadamente, ao Brasil como escravas”, fato que marca a diáspora africana no Brasil. “Portanto celebrar o dia 25 de maio é, também, uma forma de relembrar as lutas e consequentes conquistas do povo africano dentro e fora do continente”, declara. A formação, em que investe a mestranda, serve ainda como forma de se afirmar no país sul-americano e,
segundo ela, como maneira de ajudar na emancipação de seu país de origem.

Enfim este dia representa um profundo sentido da memória coletiva dos povos do continente africano e demonstra a verdadeira luta contra o colonialismo e a favor da soberania dos Estados Africanos.

Além da migração histórica dos povos africanos para o Brasil, há algumas décadas se desenvolve um intercâmbio cultural intenso entre estudantes brasileiros e africanos. Na semana do Dia da África, as instituições de ensino e cultura também celebram a cooperação entre os povos.

Um afro abraço.
Claudia Vitalino.

JAMAICA

Xaymaca, que significa terra da madeira e da água, a Jamaica foi o lar de cerca de 600.000 Tainos, um
pacífico povo ameríndio. Os Tainos deram as boas vindas aos espanhóis, com seus navios, armas e cavalos, honrando-os como deuses. Sob a colonização espanhola, no entanto, a população Taino toda foi aniquilada por uma combinação de trabalhos forçados, execuções em massa e doenças trazidas da Europa contra as quais não tinham imunidade. Em 1503, contrariando as ordens da Coroa Espanhola e percebendo o fim da sua vida, Colombo morou um ano na Jamaica. Após sua morte, a ilha foi herdada por seu filho, Diego, cujos descendentes ainda hoje carregam o título honorário de Marquês da Jamaica.
Em 1494, ao descobrir a região a que os índios aruaques e que mais tarde recebeu o nome de Jamaica, Cristóvão Colombo afirmou que aquela era a mais bela ilha que alguém já havia contemplado. A beleza das paisagens é, ainda hoje, o principal atrativo turístico da ilha, fundamental para seu desenvolvimento econômico.

'A Jamaica é um estado independente, membro da Comunidade Britânica de Nações. Está situada no mar do Caribe, a sul de Cuba e a oeste do Haiti. Com uma superfície de 10.991km2, é a terceira entre as maiores ilhas das Grandes Antilhas".
Habitada pelos índios aruaques, a Jamaica foi descoberta por Cristóvão Colombo em 1494 e por ele batizada de Santiago. Juan de Esquivel empreendeu sua conquista, autorizado por Diego Colombo, filho do descobridor, em 1509. Depois de um período inicial em que a família Colombo ali exerceu poder absoluto, a ilha foi governada até 1655 pelos espanhóis. A ausência de ouro na região levou os espanhóis a dedicarem pouca atenção à ilha, utilizando-a sobretudo como base de abastecimento para colonos de outras áreas americanas. Os nativos da ilha foram exterminados, o que deu início à importação de escravizados negros da África.
A situação estratégica da ilha, nas rotas do comércio colonial, atraiu a atenção dos ingleses, e em 1655 a Jamaica foi capturada pelo almirante William Penn e pelo general Robert Venables. Cinco anos mais tarde, todos os espanhóis tinham sido expulsos. Um grande grupo de escravos fugidos, refugiados no interior, conseguiu resistir às tropas invasoras durante 150 anos. Com a colonização inglesa, a Jamaica se transformou num dos mais fortes centros de contrabando e pirataria do Caribe. Da base em Port-Royal, no sudeste da ilha, os piratas se lançavam em ataques às Antilhas espanholas.

Pelo Tratado de Madri, de 1670, a hegemonia inglesa foi reconhecida e os piratas passaram a ser perseguidos até a extinção. Em 1672 foi criada a Real Companhia Africana, à qual se concedeu o monopólio do tráfico de escravos, e a Jamaica se converteu num dos maiores centros desse comércio.
No século XVIII, o país alcançou grande prosperidade com as exportações de açúcar, café e cacau. Graças ao poderio britânico, fracassaram as tentativas de reconquista espanhola, em 1782, e conquista francesa, em 1806. Entretanto, a supressão do tráfico negreiro, em 1807, e da escravidão, na década de 1830, aceleraram o processo de decadência econômica iniciado com a crise da produção de açúcar, que se
transformou em crise aguda quando a revogação dos direitos alfandegários causou a derrocada dos preços dos produtos das colônias britânicas.

O Crescimento do Espírito de Independência
Enquanto magníficas Casas Grandes, como Rose Hall e Greenwood, eram construídas no meio aos vastos campos de plantação da cana, e as fortunas geradas pelo açúcar eram invejadas por muitos, o espírito de independência tomou formas diferentes entre fazendeiros e escravos.

Os escravizados os conheciam bem as histórias dos Maroons, descendentes dos escravos fugitivos dos colonizadores espanhóis, que os chamavam de “cimarrones”, que em espanhol significa, “fujões”. Os Maroons viviam nas montanhas, desafiavam as tropas britânicas, evitavam as plantações, e passaram a atrair cada vez mais fugitivos. Um tratado de paz assinado em 1739 concedeu-lhes autonomia sobre o local onde moravam, que eles ainda hoje mantêm.

Os fazendeiros também se rebelaram. Quando as 13 colônias americanas declararam a independência da Grã-Bretanha, a Assembléia Legislativa da Jamaica votou para se juntar a eles, provavelmente porque a maioria do seu comércio era feito com a América. Naquela época, a Espanha, a França e a Holanda também declararam guerra à Inglaterra. A Jamaica então passou a ser comandada por um jovem oficial da marinha chamado Horatio Nelson. Uma placa no Forte Charles em Port Royal lembra aos visitantes: “Você que trilha suas pegadas, lembre-se também da glória que ele trouxe.

O desalojamento dos posseiros negros de terras antes abandonadas causou a insurreição de Morant Bay, em 1865, cruelmente reprimida. No ano seguinte, o Parlamento britânico estabeleceu no país o governo de poder único, executivo e legislativo. A insatisfação com a política colonial levou à formação, em 1938, de um movimento pela independência da ilha. Em 1944, uma nova constituição estabeleceu uma câmara legislativa eleita por sufrágio universal.

Emancipação -Um período de depressão econômica e instabilidade social seguiu-se após a abolição da
escravatura em 1838. Em 1865, a Rebelião de Morant Bay foi um marco importante na história da ilha. Seus líderes, um diácono batista chamado Paul Bogle e um empresário rico de Kingston, George William Gordon, foram ambos executados e hoje são considerados heróis nacionais da Jamaica. Em meio ao pânico que se seguiu à rebelião e os seus desdobramentos brutais, a Assembléia Legislativa da Jamaica votou pela revogação da sua independência, e a ilha voltou a se tornar uma colônia da Coroa sob domínio da Grã-Bretanha.
A Jamaica se tornou uma combinação de muitas nacionalidades. Unidas à maioria negra, uma minoria européia e uma crescente população mestiça testemunhou o crescimento de uma próspera classe média de profissionais à qual foram acrescentados imigrantes da Índia e da China. Vindos como trabalhadores contratados para as fazendas de açúcar, rapidamente mudaram-se para outras ocupações. A antiga comunidade judaica expandiu-se e comerciantes árabes chegaram à ilha. Esta fusão de diversas nações formou a base do lema nacional da Jamaica, “Out of Many, One People” (“Resultado de Muitos, Um só Povo”).
A vontade de vencer levou muitos jamaicanos ao exterior. Eles saíam em busca de inúmeros desafios: lutar nas guerras da Grã-Bretanha, construir o Canal do Panamá, plantar cana de açúcar em Cuba, cultivar o mogno em Belize e buscar fama e fortuna. Jamaicanos espalharam o seu talento e sua visão por todo o mundo, fundando comunidades que cresceram e prosperaram.Em 1958, a Jamaica passou a fazer parte da Federação das Índias Ocidentais, dentro da Comunidade Britânica de Nações. As eleições de 1962 foram vencidas pelo Partido Trabalhista Jamaicano, e seu líder, Alexander Bustamante, passou a ser o primeiro-ministro. No mesmo ano, a 6 de agosto, o país proclamou-se independente. No governo de Michael Manley, do Partido Nacionalista do Povo, eleito em 1972, a Jamaica estreitou seus vínculos com o Terceiro Mundo, em especial com os países do Caribe.

Eleito em 1980, o trabalhista Edward Seaga levou o país a participar da invasão de Granada, em 1983. Manley retornou ao poder nas eleições de 1989 e reatou as relações da Jamaica com Cuba. Após renunciar
por motivo de doença, Manley foi sucedido, em março de 1992, por Percival John Patterson, do mesmo partido.

Um afro abraço 

Claudia Vitalino.
Fonte: Enciclopédia Barsa/www.minhajamaica.com/.

quarta-feira, 2 de maio de 2018

Angela Yvonne Davis á professora e filosofá socialista...

Nasceu Yvonne Davis é uma militante histórica que participou nos Estados Unidos dos processo de luta pelos direitos do povo negro.

Pós-doutoranda em Ciências da Comunicação pela ECA-USP, professora do Centro de Estudos Latino-Americanos sobre Cultura e Comunicação da USP, integrante da Cojira-SP (Comissão de Jornalistas pela Igualdade Racial), autora e organizadora de diversos livros, entre eles Espelho infiel: o negro no jornalismo brasileiro, mídia e racismo, Rosane Borges escreveu a orelha do livro Mulheres, raça e classe, da ativista norte-americana Angela Davis, lançado no Brasil pela Editora Boitempo.

Angela Davis é mulher, negra, comunista e feminista, um conjunto de características que sinaliza para um ativismo considerado perigoso para o establishment. Colaboradora do blog da editora, Rosane ressalta que Angela Davis é uma mulher que pertenceu a uma geração em que a luta política foi uma arena fundamental para a mudança do mundo. “Sabemos o quanto os anos 60 do século passado se constituíram numa década importante para a transformação social”,

Trajetória -Militou arduamente na campanha dos Direitos Civis na década de 60 e nas lutas pelo fim da intervenção estadunidense no Vietnã, na Guatemala, em El Salvador e em outros países; demandas articuladas com campanhas por postos de saúde em bairros pobres, distribuição de comida para famílias, arrecadação de artigos médicos de urgência nas comunidades, entre outras.

Condecorada com o prêmio Lenin da Paz, depois de visitar a União Soviética em 1979, onde trabalhou como professora honorária na Universidade de Moscou, Angela foi alvo de uma das maiores campanhas
internacionais de libertação de presos e uma da figuras mais importantes na historia da militância comunista nos Estados Unidos.

Herdeira das tradições de luta das mulheres pelo direito ao voto, tem também ascendência combativa das lutadoras dirigentes do movimento de resistência à escravidão.

Hoje, aos 70 anos, ocupa a Cátedra Presidencial da Universidade da Califórnia no Departamento de Estudos Afroamericanos e permanece em luta, agora pela abolição do sistema penitenciário em seu país e internacionalmente. Também participa da campanha pela libertação dos Cinco Heróis cubanos, reconhecendo sua luta como legítima contra o terrorismo.

-Angela foi tocada pela luta anti-racista na campanha pacífica de boicote ao transporte público após o caso Rosa Parks, em 1955, que inspirou Luther King às reivindicações contra os assentos separados nos ônibus, um insulto ao povo negro.

Black Panther -Finalmente, ela adere ao Black Panther Party, organização revolucionária que rejeita tanto o integracionismo quanto o separatismo. Criado em 1966 por Bobby Seale e Huey P. Newton, dois estudantes de Oakland, era para ser pacífico. No início, se chamavam de “os pombos”. Mas o pombo, delicado e arrulhador, não estava dando certo. Influenciados por outro líder negro ilustre, Malcolm X, eles endurecem. Para responder com violência à violência dos brancos, adotam o símbolo da pantera negra.

Chamada de ativista do abolicionismo do século XXI, afirma que é preciso desmanchar os mecanismos de opressão e não passá-los para as mãos daqueles que os criticam. “o desafio do século XXI não é reivindicar oportunidades iguais para participar da maquinaria da opressão, mas, sim, identificar e desmantelar aquelas estruturas nas quais o racismo continua a ser firmado. Este é o único modo pelo qual a promessa de liberdade pode ser estendida às grandes massas. Pode analisar essa afirmação?

É uma afirmação que pode ser verificada no cotidiano, dentro das instituições, ainda que pouco levada a efeito. No Brasil, temos exemplos flagrantes de um processo excludente, cuja transposição só é possível se implodirmos, digamos assim, a maquinaria da opressão. A Marcha das Mulheres Negras, realizada em novembro de 2015, foi um ato de coragem que nos leva a tomar uma posição radical em relação ao horizonte das reivindicações da população negra.

O racismo estrutural, o racismo institucional e o racismo de Estado se configuram num tripé que nos informa que as práticas racistas são a normalidade do mundo, são constitutivas das instituições, ou como disse bela e secamente o ator negro Will Smith, “o racismo faz parte da fibra de que a América é tecida, o racismo existe em cada fibra da América”. Em sendo a fibra que nos constitui, é preciso desfibrar, desmontar os aparelhos e aparatos que, embora proclamem a interdição do racismo e do sexismo, estão assentados em suas bases. O professor de Direito da Universidade Presbiteriana Mackenzie, Silvio Almeida, vem sistematicamente apontando para a importância da análise desses três tipos de racismo, que
andam sempre conjugados. Para ele, no Brasil, a exclusão, a subalternização, o tratamento inferiorizado das pessoas de pele negra estão na essência da lógica das relações sociais. Ele destaca que, em um país onde mais da metade da população é negra, a ausência de pessoas desse grupo racial nos lugares de poder é vista com certa normalidade. “A sociedade é alheia ao fato de não haver paridade de pessoas negras como integrantes das instituições; ou, se fazem parte delas, estão sempre em condições de subalternização. Para combater o racismo será preciso reaprender. Negros foram criados numa sociedade que ensina o tempo todo qual é o seu lugar.” Ainda segundo Almeida, as instituições, enquanto espaço de interação, são também aparelhos ideológicos em que as práticas são reproduzidas e as políticas são externalizadas. Para o professor, “não existe racismo sem Estado, que reproduz as condições para que as desigualdades se manifestem”. Ora, essa constatação serve de farol para uma política reivindicatória, que nunca aderiu a discursos, alguns oficiais, que diziam ser o racismo uma prática individual, simplesmente circunstancial, episódico mesmo. Isso corresponde à mudança estrutural das instituições, dos costumes, da política. 

Não se acaba com a exploração de caráter racial e de gênero apenas com a adoção de políticas públicas. Não estou desconsiderando que elas tenham sua importância, mas são insuficientes quando escutamos esse chamado da Angela Davis. Como disse, a Marcha das Mulheres Negras, que veio com o lema “Contra o racismo e pelo bem viver”, foi mais um ponto de inflexão do feminismo negro brasileiro, ao dizer categoricamente que o padrão, o modelo de política em voga, ainda que progressista, não nos interessa mais. É preciso avançar. E o avanço se dá a partir de novas bases, de um novo desenho, de novas formas de pensamento, de outros postulados teóricos, de outra gramática política, enfim.

 "Não nos cabe apenas ocupar cargos, funções, mas construir novas dinâmicas e arranjos sociais. Acreditando que a tomada desse princípio em sua radicalidade supõe um enfrentamento do Estado e do capitalismo"

Longo caminho- A América mudou muito desde o tempo em que a menina de 12 anos boicotava um ônibus porque os negros não tinham o direito de andar ao lado dos brancos nos transportes públicos. Ângela reconhece os progressos. Em sua juventude, raros eram os negros no ensino superior. Hoje, eles são
milhões. Mas a estrada é longa ainda, ela repete. Diante da observação de que uma coisa inacreditável aconteceu, a eleição de um negro para a Presidência dos Estados Unidos, ela modera o entusiasmo. “Hoje, ninguém na Casa Branca parece se preocupar com o fato de que 1 milhão de negros estão nas prisões americanas.”

Um afro abraço.
Claudia Vitalino.
fonte:

sábado, 28 de abril de 2018

Primeiro de Maio: "Desigualdade salarial entre brancos e negros gera prejuízo de R$ 808 bilhões"

O 1º de Maio tem sido, ao longo dos anos, uma comemoração, um feriado para quem trabalha ou quem está desempregado, um dia de descanso, uma data no calendário de feriadões a mais no ano.
Vemos toda uma apologia ao lazer e ao ócio, literalmente um dia em que os empresários, CDL, indústria e demais setores do trabalho fazem desta data uma festa. A começar pela propaganda: “Dia do Trabalho!”. Sindicatos fazem sorteios de carros e prêmios, apresentações artísticas, dentre outros eventos culturais que, segundo eles, visam ao prazer do ofício. O que muita gente não sabe é que a história deste “feriado” condiz com uma batalha constante daqueles que lutavam por melhores condições de vida. Seu nome correto era “Dia do Trabalhador”, mais precisamente: “Dia do Internacionalismo Proletário”. Alguns costumam pensar que aquelas lutas pelos direitos são muito antigas e hoje já estão ultrapassadas, por isso não há motivos para continuar lembrando de velhas memórias...

Vocês sabem que á história contada é a versão dos vencedores. Pouco se sabe que, em 1937, Getúlio Vargas foi obrigado a criar um ministério do trabalho que se encarregou de controlar todos os sindicatos, uma resposta dada para a organização em massa dos trabalhadores, que era capaz de conquistar grandes mudanças. Vargas destrói o sindicalismo e se proclama “pai dos pobres”, “pai dos trabalhadores”. Não é à toa: aqueles que deveriam ser defensores das causas sociais, os políticos, são os nossos maiores inimigos porque privilegiam seus próprios interesses individuais e não nos representam. Aqueles que deveriam ser nossos defensores contra a exploração no trabalho, as centrais sindicais, são nossos traidores quando não estão ombro a ombro com os que estão todo o dia na labuta. É através de festas e “feriados” que um e outro transformam a vida do povo em pão-e-circo. Ainda por cima, a mídia tem a função de propagandear a ideologia dos poderosos, escondendo a história do 1º de maio e tirando seu caráter de reivindicação.

Se liga: E importante registrar que até aquele momento não se tinha nada que resguardassem o trabalhador

Essa data marcou definitivamente o que chamamos de luta de classes e, no entanto, esse confronto entre aqueles poucos que têm muito contra aqueles muitos que têm pouco, hoje em dia é cada vez mais atual. Há desigualdade entre categorias, assim como precarização dos trabalhos, desigualdade
entre homens e mulheres, trabalho infantil, informalidade, semi-escravidão, altos impostos, aposentadoria individual, déficit de carteiras assinadas, dentre outras carências que o trabalhador e o desempregado sofrem. Enquanto os políticos passam a reivindicar seus próprios salários, a maioria da população reparte as migalhas dessa riqueza não distribuída. Isso, sem falar das contínuas reformas trabalhistas, com antigos direitos que são definitivamente usurpados pelas novas leis, na chamada “flexibilização”. De fato, se estamos tão longe das discussões abertas e públicas sobre política, estamos mais longe ainda das jornadas de luta pela melhoria salarial e por nossos direitos, que hoje perdemos pouco a pouco. Ter uma carteira assinada hoje é uma vitória! Mais de 15 milhões de pessoas estão inseridas no trabalho informal sem quaisquer assistências e direitos, como férias, vale-alimentação, vale-transporte, 13º salário, etc. Toda cidadã e cidadão tem direito a uma vida de subsistência digna, livre da exploração. Isso é exatamente o que não acontece neste país e no mundo.

 - Somos de 55% da população brasileira se declara negra e parda — um número que vem crescendo na última década. Há dez anos, por exemplo, essa porcentagem era de 50% e, em 2004, de 48%. 86% afirmam hoje sentir orgulho de ser negro, segundo o estudo. "Se a população negra brasileira (112 milhões) formasse um país, seria o décimo primeiro maior do mundo"
Negros e pardos ganham menos que os trabalhadores brancos


Se os negros ganhassem salários iguais aos dos brancos no Brasil, seriam injetados na economia brasileira R$ 808,83 bilhões. Esse é o preço da desigualdade atual, segundo o estudo O Desafio da
Inclusão, do instituto de pesquisa Locomotiva e do IBGE. "Um branco paulistano de 40 anos, com curso superior, como eu, ganha em média 31% a mais do que um negro paulistano com curso superior da mesma idade e na mesma função", atualmente à frente do instituto, em evento realizado em São Paulo,. A pesquisa do Locomotiva é focada na população negra e ouviu 2 mil brasileiros em 70 cidades.

Trata-se de uma fatia da população que tem menos acesso a universidades e educação. Enquanto 18% dos adultos brancos têm curso superior, a porcentagem entre os negros é de 8%. 93% dos jovens negros nunca fizeram um curso de idiomas e 60% não receberam qualificação profissional. Entre aqueles com curso superior, a renda média de um homem negro é, em média, de R$ 4,8 mil (versus R$ 6,7 mil do homem branco), enquanto a da mulher negra é de R$ 2,9 mil (versus R$ 3,8 mil da mulher branca).

O racismo na cara do trabalhador: Negros em pleno seculo XXI é tratado como trabalhador de segunda Classe
Aqueles que conseguiram entrar na faculdade, subir em suas carreiras e conseguir boa remuneração ainda são poucos. Mesmo sendo a maioria da população, os negros representam apenas 19% da população brasileira que ganha acima de R$ 10 mil por mês.

O estudo também aponta que a renda da população negra no Brasil é de R$ 1,6 trilhão. É um mercado com grande potencial consumidor, equivalente ao 17º maior do mundo —

São 28 milhões de pessoas com intenção de comprar móveis para casa e 11 milhões com vontade de adquirir um smartphone nos próximos 12 meses. E isso mesmo tendo uma visão pessimista do futuro. 78% dos negros avaliam de forma negativa a situação atual do país e 88% têm medo de perder seu padrão de vida.

Segundo o estudo, o brasileiro reconhece que existe racismo no Brasil (93% das pessoas), mas são poucos que enxergam o próprio preconceito. Apenas 3% declararam abertamente que preferem evitar conviver com negros.

A menor diferença de brancos para negros, portanto, está entre analfabetos: a média salarial de brancos que não sabem ler ou escrever é de R$ 1.249,35 , enquanto para negros é de R$ 1.144,48 (R$
91,61 para cada 100).

Negros ou pardos ganham cerca de 90% do salário de brancos em todas as classificações de estudo mais baixas, até o ensino fundamental completo. Dali em diante que a diferença cresce. Quando entram na universidade, a relação chega a ficar abaixo dos 80%.

Ao completar o ensino superior, o salário de todos dão um salto, mas ele é mais expressivo entre brancos. A média salarial pula de R$ 2.719,98 para os R$ 5.589,25 — aumento de 105%. Entre negros, a diferença parte de R$ 2.252,55 para os R$ 3.777,39 — ou 67% a mais.
Sendo assim ou sem reformas os  trabalhadores negros que construíram este pais com dor,suor e as vodas de milhares dos seu não tem o que comemorar...

Rebele-se Contra o Racismo!

PRA SENZALA EU NÃO VOLTO NÃO! 

Um afro abraço.

Claudia Vitalno. CTB RJ\UNEGRO RJ\Pesquisadora\Historiadora

fonte:https://epocanegocios.globo.com\ IBGE

segunda-feira, 23 de abril de 2018

fé e sincretismo: Salve Jorge Ogun!

O sincretismo foi um mecanismo cultural decisivo para a reconstituição das religiões africanas no
Brasil. A própria palavra “santo” serviu de tradução para “orixá”, inclusive nos termos “mãe de santo”, “filho de santo”, “povo de santo” e outras palavras compostas em que originalmente a palavra africana era orixá. E esse santo é o santo católico.

O candomblé se formou e se transformou no contexto social e cultural católico do Brasil do século xix. Pelo sincretismo, os orixás passaram a ser identificados com os santos, sendo louvados, assim, tanto nos terreiros como nas igrejas. Os seguidores dos orixás no Brasil, especialmente nos primeiros tempos, eram também católicos, e muitos rituais realizados no terreiro eram complementados por cerimônias atendidas na igreja.

Isso mesmo, candomblé e Igreja católica andam juntos. Nem podia ser diferente. Antes da primeira constituição republicana brasileira, de 1891, o catolicismo era a religião oficial do Estado e a única tolerada. Nesse período anterior à República, atos civis como o registro de nascimento e o casamento eram atribuições das paróquias católicas. Quem era brasileiro devia ser também católico, ou não tinha lugar na sociedade. O candomblé nasceu, assim, como uma espécie de segunda religião de negros católicos, fossem escravos ou livres, nascidos no Brasil ou na África. Só em anos recentes o candomblé foi se tornando religião autônoma, apartada do catolicismo, mas o sincretismo ainda persiste na maioria dos terreiros. O candomblé, que aos poucos vai deixando de lado o sincretismo, dos anos 1960 para cá vem se transformando em religião para todos, sejam negros, pardos, brancos ou amarelos, sem fronteiras de etnia, cor, classe social ou origem geográfica.

O preconceito racial, que considerava o negro africano um ser inferior ao homem branco, se
desdobrou em preconceito contra a religião fundada por negros livres e escravos. Aos longo de mais
de um século, em diferentes partes do país, terreiros foram invadidos, depredados e fechados, pais e filhos de santo, presos, objetos sagrados, profanados, apreendidos e destruídos. Isso obrigou o candomblé a se esconder, buscando lugares distantes, às vezes no meio do mato, para poder realizar suas cerimônias em paz. Transformou-se numa religião de muitos segredos, pois tudo tinha que ocultar dos olhares impiedosos da sociedade branca. O sincretismo católico lhe serviu também de guarida e disfarce. A presença de um altar com os santos católicos ocupando lugar de relevo no barracão do candomblé com Pierre verger e carybé nações de candomblé. A religião dos deuses africanos é denominada xangô em Pernambuco, tambor de mina no Maranhão e batuque no Rio Grande do Sul. No Rio de Janeiro, proveniente de cultos baianos e locais, houve uma antiga religião denominada macumba, que no início do século x, em contato com o espiritismo kardecista, se transformou na mais nova religião afro-brasileira: a umbanda.

Os caminhos de Ogún até São Jorge
Ogún é talvez, o maior exemplo do sincretismo mundial. Nasce na África como Ogún, passa pela Grécia como Ares, que na sua figura espartana era Enialao, e recebia como Ogún africano sacrifício de cães; e Hefesto. Vai à Roma como Marte, chega à Lituânia como Kalvellis e encontra o cristianismo como São Jorge da Capadócia. Na verdade, uma entidade guerreira evocada em tempos
de guerra.

São Jorge é reconhecidamente um dos santos católicos mais populares do Brasil. Uma das maiores devoções, principalmente no estado do Rio de Janeiro e na Bahia. É o padroeiro e protetor de um dos mais populares clubes de futebol do Brasil, o Corinthians Paulista. Um santo adorado e cultuado tanto no catolicismo, quanto na Umbanda, onde é sincretizado com o orixá Ogún.
Entretanto poucos sabem que este santo popular no Brasil, padroeiro de importantes nações como a Inglaterra e Turquia, na verdade não é mais um santo do cânon católico. Ou seja, perdeu seu status de santo durante o Concílio Vaticano II, realizado sob a liderança do Papa Paulo VI entre os anos 1962 e 1969. Isto porque, uma comissão neste, que foi o mais importante congresso eucarístico da Igreja do Século XX, foi incumbida de analisar a veracidade e a comprovação da existência de muitos santos que, por devoção popular, e pelo fato da Igreja Romana ter sido construída e constituída sobre as ruínas do Império Romano, poderia ser somente incorporação de deuses pagãos, ou mesmo mitos Greco-romanos. E junto com mais de 100 santos na mesma condição de lendas, o querido São Jorge acabou por entrar no bojo da cassação e perdendo o seu mandato de santo.

Os mais devotos nem mesmo querem saber deste fato. Ora, São Jorge é São Jorge, o Guerreiro, e santo ou não santo, “Salve Jorge”.

Entretanto, muitos que nem mesmo atentarariam para este fato não pararam para perceber porque as igrejas em honra a este santo não mais existem, sendo pouquíssimas no Rio de Janeiro, e em São Paulo somente uma capela dentro do clube do Corinthians, no parque São Jorge. E se o Brasil ainda tem um resquício do culto a Jorge da Capadócia permitido deve-se a um pedido pessoal do Cardeal D. Paulo Evaristo Arns, Arcebispo Emérito de São Paulo, corintiano fervoroso ao papa Paulo VI. Entretanto, nos outros países o guerreiro de Lida e matador de dragões ficou nos livros de história ou confinado na lua mesmo.

Contra o santo pesa o fato de que Jorge da Capadócia, é que somente o seu talento em matar animais
mitológicos já lhe conferia uma desconfiança natural, afinal, sabe-se muito bem que o dragão nunca existiu, e se o dragão não passou pela Terra, o seu matador bem que poderia ser mitológico também, como Sir Lancelot e os cavaleiros da Távola Redonda do Rei Arthur.

Se liga: Tal  como um santo mitológico conseguiu chegar ao século XX com tanto fervor em todas as religiões cristãs do mundo, posto que na Igreja Católica Armênia e Ortodoxa Grega ele ainda goza dos seus privilégios canônicos. Como então este culto permaneceu com tanta força, fazendo com que Jorge da Capadócia chegasse até o ponto de ser o padroeiro de países tão importantes como a Grã Bretanha? É que Jorge é um dos únicos que caminharam desde os primórdios da humanidade com as mesmas características e cultos. A sua liturgia começa justamente na África, como um Orisà Emorá chamado de Ogún Oni-Iré entre os Yourubanos, ou seja, Rei dos Irès, vai aos povos Bantus como Roxo-Mucumbo (Kassange) e Macumbé (Kibindo e Oviobundo e Muxincongo). E de alguma modo parte para a Europa em diversas formas. Entretanto com cultos idênticos. Passa pela Grécia como Ares, que na sua figura espartana era Enialao, e recebia como Ogún africano sacrifício de cães, e Hefesto. Vai à Roma como Marte, chega à Lituânia como Kalvellis e encontra o cristianismo como São Jorge da Capadócia.

Mas qual a coincidência entre todas estas entidades ou divindades mitológicas, e qual seria a sua identificação com Jorge da Capadócia? É que todos são entidades da Guerra, protetores dos Exércitos; forjadores do aço e das armas. Senhores das espadas e das armas de metal. Entidades sempre evocadas durante as guerras com o respeito e o temor de invocação com motivos claros e necessidades prementes. Além do fato de quase todos receber cultos idênticos, como sacrifícios de
cães e oferendas de inhame e feijão preto, como é o caso de Hefesto, Ogun, Enialao e Marte.
No Brasil, São Jorge é um dos santos mais queridos. Muito pelo fato do povo possuir características lutadoras, um povo que teve que superar vicissitudes e todo o tipo de preconceito para se tornar o mais cosmopolita de todo o Planeta. Um povo que, como o culto de Jorge acolhe a cultura e o saber de todo o mundo. Além do fato de, ser a Umbanda talvez a maior responsável pelo sucesso de São Jorge no Brasil. É ele o santo-Orixá mais popular e querido na Umbanda Sagrada. Jorge e Ogún são, sem dúvida alguma a dupla santo-orixá mais querida do Brasil, e assim será. E mais ainda sabendo que, esta dupla não é simplesmente um Ogún.

O sincretismo criado nas senzalas como São Sebastião-Oxossi, Santa Bárbara-Yansã ou São Jerônimo-Xangô. São Jorge realmente, pela sua hermenêutica antropológica e teológica é verdadeiramente...

Então, Salve Jorge, com todas as razões e motivos, eOgún -Yé- Patakori-Aowndeji!
Um afro abraço.
Claudia Vitalino

terça-feira, 17 de abril de 2018

África Negra na obra de Cheikh Anta Diop

A realidade vivida pelos povos da África Negra durante o período colonial, bem como, após
as chamadas independências da grande maioria dos países que compõem a África Negra, provocou dentre os próprios africanos diversos sentimentos

No pensamento de Cheikh Anta Diop, podemos dizer que as independências poderiam favorecer uma configuração prejudicial para a África Negra, no sentido que não se livrariam de um contexto geográfico e geopolítico que precisaria ser mudado com certa urgência. É neste sentido que nasce o projeto de criação um Estado Federal da África Negra, no qual se percebe respostas a fatos históricos desta parte do planeta negados pelo Ocidente. É justamente a partir de tal restauração dos fatos que Diop apresenta, não só as razões para a unidade da África Negra, como também os caminhos para sua realização. Na primeira parte do trabalho, procurou-se expor as razões para a criação do Estado Federal da África Negra e, na segunda, falar da atualidade do pensamento de Cheikh Anta Diop, considerando a África Negra nos dias de hoje.

O sistema de exploração e opressão colonial entra em período áureo central à volta dos anos 1920 e 1950, depois de reprimidas as resistências internas de cada país africano e uma vez terminadas as invasões em todo continente. Este é de facto o período de ouro do colonialismo e a coroação das decisões acordadas na famosa Conferência de Berlim de 1884/ 85, onde as grandes nações Europeias dividiram entre si todo o continente africano como um bolo de aniversário, sem terem qualquer consideração pelos africanos (…) que as colônias existiam para darem lucros aos seus possuidores europeus e não beneficiar os africanos, e que os africanos eram obrigados a fornecer as matérias primas para a Europa –

O centro do mundo. Quanto à obtenção dos lucros, que era o fim principal porque possuíam colônias, havia também duas formas de exploração dos africanos(as) obrigar os negros a trabalharem nas minas dos brancos ou nas roças de café, cacau, cana-de-açúcar etc. Sempre com salários baixos de miséria e nunca lhes permitir que tivessem roças próprias (KAMABAYA, 2011:102)

História e História da África
Cabe dizer que na ótica de Diop o legado da Conferência de Berlim não poderia trazer mais vantagens para os africanos do que para os próprios europeus. Daí toda a legitimidade de qualquer novo projeto pensado por africanos e que levaria à implementação de um novo mapa para os africanos. Este projeto de partilha da África é, sem dúvida, uma das violências proferidas e sofridas por europeus e africanos, respectivamente. Não sendo um projeto ingênuo, a não ser para a grande maioria dos africanos de hoje, esta partilha almejava, dentre outros objetivos, embaralhar as antigas formas de organização dos africanos, enfraquecer as relações entre africanos, apagar sua história, impor-lhes uma nova, na qual se enxergam a partir de do seu colonizador, perpetrar sua dominação, em todos os sentidos, sobre eles próprios.

“Mil anos antes dos pensadores gregos, Sócrates, Platão, Zenão, etc., os egípcios, com a reforma de Amenófis IV, tinham claramente em mente a ideia de um Deus universal responsável pela criação e que todos os homens sem exceção podiam louvar: ele não era o Deus de nenhuma tribo, de nenhuma cidade, tampouco de nenhuma nação, mas sim o do gênero humano.3” (DIOP, 1987:37).

Como Diop costuma afirmar: “O Egito foi para a África o que a Grécia foi para o Ocidente”. Portanto, a negação arbitrária de presença negra dominante no passado do Egito seria no mínimo um “crime intelectual” motivado pelo racismo, que embaçaria as bases comunsde
uma história da qual todos os negros de hoje são herdeiros.

Historiografia contemporânea- Seria uma grande lacuna procurar entender o projeto de criação de um Estado Federal da África Negra, perdendo de vista a colonização da África em geral, e da África Negra em particular. A propósito, Aimé Césaire, no Discurso sobre o Colonialismo mostra que a colonização exercida pelos europeus, em vez levar a civilização para os povos supostos carecer dela, desumanizou os colonizados, ao passo que provocou o mesmo efeito no próprio europeu

.É importante sublinhar que Diop não era solitário nesta na busca de soluções para a libertação da África Negra. Já no final dos anos 1950, grandes pensadores políticos africanos, como kwame Nkrumah, Patrice Lumumba, Amílcar Cabral e, mais tarde, Thomas Sankara apontaram o dilema fundamental dos africanos (MOORE, 2010:33). Antes da manifestação destes, já se falava de pan-africanismo, movimento mais defendido fora do que dentro da África. Na ótica deste movimento, a união dos povos africanos, desconsiderando as fronteiras, seria uma resposta prática à condição de violentados na qual se encontram. Para Diop a resolução deste problema, ao qual a África está submetida, começaria por outro projeto intelectual de autoconhecimento por meio da própria história, após o qual, o projeto de um espaço territorial africano se realizaria paulatinamente e, em médio prazo, levaria a um território único da África Negra.

Finalizando:
Um ambiente geopolítico coerente e estável sobre as bases de uma racionalidade centralizada em suas atividades econômicas internas e externas era imprescindível. Sem esta, as nações africanas “desapareceriam” uma após outra, engolidas pelas duras realidades do cenário internacional e pelas incessantes guerras civis, tal qual os líderes já o perfilhavam nos anos 60.
recentes da historiografia sobre a África têm sido um ataque considerável ao eurocentrismo na História disciplinar. É perceptível, sobretudo, que o esforço por uma história interdisciplinar, nesta área do conhecimento, tem permitido uma reconstrução histórica mais complexa, em que a utilização cruzada de fontes se tornou uma premissa metodológica. Tal fato tornou-se uma condição necessária para uma história menos eurocêntrica em relação à África; e, como colocou Ki-Zerbo (1980: 377), uma premissa para a concretização de um projeto transdisciplinar do conhecimento, ainda a ser construído.


 Por outro lado, a continuidade de uma perspectiva que visou descolonizar a História da África, em um âmbito mais geral, reforçou um viés de interpretação heurística deveras interessante. Assim, os conceitos de trabalho historiográfico parecem cada vez mais imanentes à própria história, em vez de basearem em categorias fechadas, construídas a posteriori. Tal tendência tem aproximado, cada vez mais, a História da Antropologia. Aí, a
novidade tem sido a difusão de uma “antropologização” dos conceitos historiográficos, que postula uma visão crítico-assimilativa acerca das categorias clássicas de entendimento dos fatos sociais. Neste sentido, por exemplo, desde uma perspectiva africana, autores como Akinjogbin et al. (1981), vêm postulando uma ressignificação conceitual de categorias
Um afro abraço.

Claudia Vitalino.

fonte:www.pordentrodaafrica.com /https://www.revistas.usp.br

sexta-feira, 13 de abril de 2018

Dia 19 de Abril ou Todo dia é dia de índio?

Deve ser também um dia de reflexão sobre a importância da preservação dos povos indígenas, da manutenção de suas terras e respeito às suas manifestações culturais. 

Devemos lembrar também, que os índios já habitavam nosso país quando os portugueses aqui chegaram em 1500. Desde esta data, o que vimos foi o desrespeito e a diminuição das populações indígenas. Este processo ainda ocorre, pois com a mineração e a exploração dos recursos naturais, muitos povos indígenas estão perdendo suas terras...

“A palavra chegou até o século XXI e continua sendo um fantasma a assustar os nativos brasileiros. [...] Ao conseguir se livrar deste modo genérico de referir-se aos povos indígenas, a sociedade brasileira irá dar um passo enorme na sua capacidade de conviver com a diferença. [...] Aqui não há índios, há indígenas; não há tribos, mas povos; não há uma gente indígena, mas muitas gentes, muitas cores, muitos saberes e sabores.”

Índio = ˈĩdju
ETNOGRAFIA antiquado relativo aos povos aborígenes do continente americano ou aos grupos étnicos descendentes dos nativos americanos(Índios) nome masculino

ETNOGRAFIA antiquado membro de um desses grupos ou povos depreciativo designação preconceituosa, discriminatória ou ignorante de indígena americano

Impactos do contato- As estimativas sobre os contingentes populacionais dos povos que habitavam a região que agora denominamos Brasil variam mais de acordo com os interesses políticos de seus autores do que com relação à metodologia adotada.

A dominação européia: "Em nome de Deus"-A modernidade emergiu sob o mito da criação de uma racionalidade instrumental, que levou o homem europeu a confrontar-se com o outro, que habitava o "novo mundo". Cristóvão Colombo, representante máximo da mentalidade "moderna" européia, deixou registrado em seu diário que o objetivo final de suas viagens era
o enriquecimento e a expansão do cristianismo; porém, logo se percebeu de que o Deus dos espanhóis era o ouro: "Estava atento e tratava de saber se havia ouro... Não quero parar, para ir mais longe, visitar muitas ilhas e descobrir ouro". Colombo pedia, em suas orações, que Deus o ajudasse a encontrar o referido metal: "Que nosso Senhor nos ajude, em sua misericórdia, a descobrir este ouro..." . A segunda intenção de Colombo era a de expandir o cristianismo aos povos "bárbaros", com o apoio dos Bispos e do Papa, juntamente com toda a Igreja, com o objetivo final de obter maior financiamento para tal empreendimento: as viagens às Américas. A sua próxima viagem será "para a glória da Santíssima Trindade e da Santa religião cristã" e, para isso, Colombo "espera a vitória do eterno Deus, como ela sempre me foi dada no passado" e sintetiza: "Espero em Nosso Senhor poder propagar seu Santo nome e seu Evangelho no universo". Todos sabiam que Colombo era um fervoroso cristão, inclusive que não viajava aos domingos, respeitando, assim, os mandamentos de Deus, seguindo os ensinamentos da Igreja.

Alguns autores estimam a população indígena no século XVI entre 2 e 4 milhões de pessoas, pertencentes a mais de 1.000 povos diferentes; Darcy Ribeiro afirma que desapareceram mais de 80 povos indígenas somente na primeira metade do século XX, sendo que a população total teria diminuído, de acordo com esse autor, de 1.000.000 para 200.000 pessoas(1). O extermínio de muitos povos indígenas no Brasil por conflitos armados, as epidemias, a desorganização social e cultural são processos de depopulação que não podem ser tratados sem uma análise das características internas e da história de cada uma dessas sociedades. Estudos sobre os diferentes impactos que uma mesma epidemia teve sobre diferentes povos ainda estão por surgir; as relações entre esses povos e diferentes agências indigenistas ou frentes de colonização e seus impactos na dinâmica demográfica de suas populações também não foram ainda estudadas.

A partir de análises demográficas e antropológicas de populações autóctones de diferentes regiões colonizadas pelos europeus, sabe-se que, após um longo período de perdas populacionais causadas por guerras, epidemias e pelos processos de escravização, os povos indígenas iniciam um processo de recuperação demográfica, muitas vezes consciente. Alguns estudos exemplares demonstram essa tendência de recuperação e, portanto, crescimento acelerado dessas populações, quando se tem acesso a fontes de dados com séries históricas.A comemoração do “Dia do Índio"

A escolha do dia 19 de abril é uma referência à data em que lideranças indígenas se reuniram pela primeira vez em assembleia, no Primeiro Congresso Indigenista Interamericano, realizado no México em 1940. Fora do continente americano, a homenagem é feita no dia 9 de agosto, por determinação da Organização das Nações Unidas (ONU).

Na visão de Munduruku, a comemoração nas escolas é, em geral, um equívoco, porque costuma generalizar a diversidade indígena, criando uma imagem equivocada e distante da realidade. “Dessa maneira, as crianças acabam aprendendo a discriminar em vez de se aproximar. Isso naturalmente gera uma desinformação capaz de alimentar o preconceito contra nossos povos.”

A saída seria, então, esquecer o Dia do Índio como data comemorativa e pensar em como aproveitar a ocasião para fazer uma leitura crítica das questões que afetam esses povos. “É
importante que as escolas comecem a pensar os indígenas como seus contemporâneos, ou seja, como grupos que estão vivendo este mesmo tempo, com todas as suas facilidades tecnológicas e, mesmo assim, procurando manter vivas suas tradições. Assim, todos poderão perceber que são povos que lutam por dignidade e pelo direito de manter suas formas ancestrais de vida.”

"Qualquer estimativa da população global de 1500 terá de levar em conta fatores históricos, tais como efeitos diferenciados das doenças sobre povos distintos e os movimentos espaciais de grupos indígenas em decorrência do contato, entre outros." 
(Jonh Monteiro. A Dança dos Números, in Tempo e Presença, São Paulo: CEDI, ano 16, n. 273, 1994).

Um afro abraço.
Claudia Vitalino.

fonte:HUBERMAN, L. História da riqueza do homem. Rio de Janeiro: Livros Técnicos e Científicos Editora S.A., 1986./LAS CASAS, Bartolomeu. O paraíso destruído: brevíssima relação da destruição das Índias./Porto Alegre: L&PM, 1984, p. 32.LEÓN-PORTILLA, Miguel. A conquista da América vista pelos índios. Petrópolis: Vozes, 1984./OLIVEIRA, Adélia Engracia de. Esta terra tem dono. Ciência Hoje, Rio de Janeiro, SBPC, v. 2, n.º 10, jan./ fev., 1984)./TODOROV, Tzvetan. A Conquista da América: a questão do outro. São Paulo: Martins Fontes, 1999, p. 9.

domingo, 8 de abril de 2018

Todos Iguais, Todos Diferentes



. Existe preconceito de todas as cores e de todos os tipos, que chega uma hora que tu te pergunta: Até quando?

Porque a diferença existe e porque a discriminação é real é preciso mudar mentalidades. Quando olhamos para o "Outro" há sempre uma apreciação que nos é instintiva. Muitas das vezes não sabemos como olhar, porque somos capazes de o julgar de uma forma subjetiva. Neste julgamento que fazemos, colocamos à frente de tudo as aparências, as crenças, as orientações e deixamos de lado o valor real que Ele tem.

Nem todos temos a côr da pele igual, nem as mesmas crenças, os mesmos gostos, ou a mesma altura, todas as pessoas exteriormente falando são diferentes umas das outras. Mas no interior, bem lá dentro somos todos iguais. Precisamos de carinho, de atenção, de afetos, todos precisamos de felicidade para sermos alguém melhor e mais forte.

 Precisamos de saber viver com as nossas diferenças e fazer a diferença, respeitar as dos outros.
Um afro abraço.
Claudia Vitalino.

fonte:www.inclusive.org.br/arquivos/

quarta-feira, 28 de março de 2018

A máquina de matar e encarcerar negros se chama Racismo!

"Desafios mais profundos"- Metade do país acusa a polícia de racismo, a outra metade defende as forças de segurança.
Hoje no mundo uma alternativa e até uma “utopia de civilização”, que poderia ser oferecida ao mundo em um momento de obscuridade e ameaças de novas barbáries que degradam a Humanidade.É uma forma de institucionalizar o racismo. A máquina de encarcerar e matar negros é a chamada “guerra às drogas”. Uma das principais lideranças norte-americanas na luta pela reforma das políticas de drogas e no enfrentamento ao racismo é a ativista e advogada Deborah Peterson Small, 60 anos, graduada em Direito e Políticas Públicas pela Universidade de Harvard.

Revolta e frustração:Quase todos os casos têm um elemento comum, e a única excepção será ainda mais trágica do que os restantes como as relatada a baixo:

Stephon Clark foi morto com 20 tiros no jardim da casa de sua vó

A policia havia recebido uma denúncia de que um homem estava quebrando janelas de veículos e se escondera no quintal de uma casa.

Stephon Clark, de 22 anos, parecia o principal suspeito para as autoridades. Quando o viram com o celular na mão, disseram "Arma! Arma!" e atiraram 20 vezes no homem, no jardim da casa de sua avó.

O incidente aconteceu no último dia 18 de março, em Sacramento, na Califórnia. Após o assassinato do jovem, diversos protestos foram organizados para pedir justiça e trazendo novamente à tona o debate sobre violência policial contra negros nos EUA.

Bloqueando vias e gritando "Acabem com isso", em referência às mortes de pessoas negras desarmadas por policiais, diversas pessoas se reuniram na porta da arena do Sacramento Kings.

O próprio time e o Boston Celtics, que disputam a NBA, se manifestaram a respeito, utilizando uma camiseta em homenagem à vítima e dando declarações a respeito do assassinato ao final de uma partida.

Além disso, celebridades se pronunciaram sobre a morte do jovem, cobrando a resolução do caso, inclusive a atriz Amy Schumer.

Em uma coletiva de imprensa, a avó da vítima, Sequita Thompson, questionou a crueldade do ato. "Por que vocês não atiraram nele no braço? Nas pernas? Por quê? Por quê? Justiça! Eu quero justiça para meu bebê. Eu só quero justiça para Stephon Clark. Por favor, nos deem justiça!", pediu.

Um amigo da família também criticou a ação da polícia. "Quem policia a polícia? Precisamos de voz", disse Darron Powe.

Lembrando outros casos:
Anthony Hill- Aos 27 anos, Anthony Hill foi assassinado por um policial branco, em março, na Geórgia. Hill, que sofria de problemas psiquiátricos, estava desarmado e teria atacado um dos agentes, enquanto corria nu em um complexo residencial da região metropolitana de Atlanta

Tamir Rice- O menino de 12 anos de Cleveland, em Ohio, foi morto com dois tiros em 21 de novembro de 2014 ao usar uma arma de brinquedo em um parque. A denúncia feita à polícia dizia que uma pessoa apontava uma arma para pedestres, mas ressaltava que poderia ser de brinquedo. O funcionário que atendeu a ligação perguntou duas vezes se o jovem era negro ou não

Michael Brown -Um caso que também gerou protestos nos Estados Unidos foi o de Michael Brown, de 18 anos. Brown estava desarmado ao ser abordado pela polícia em Ferguson, Missouri, em 9 de agosto do ano passado. Ele era suspeito de roubar um maço de cigarros de uma loja. Segundo a autópsia, o jovem levou seis tiros

Eric Garner -A decisão de um júri popular em não indiciar o policial envolvido na morte de Eric Garner gerou manifestações em cidades americanas, em dezembro de 2014. Pai de seis filhos, Garner, de 43 anos, morreu asfixiado durante uma detenção em Nova York, em 17 de julho daquele ano. Era suspeito de vender cigarros ilegalmente na rua. Garner disse ao agente

Kajieme Powell- Dias depois da morte de Brown, outro jovem negro foi morto em St. Louis, vizinha de Ferguson. Segundo policiais, Kajieme Powell, de 23 anos, tinha uma faca e ameaçava as pessoas. Testemunhas dizem que o jovem não oferecia perigo. Ele teria problemas mentais.


Se liga:Um negro, um indígena ou um mestiço podem ser alvo de preconceito por motivos diferentes. Um negro pode ser essa vítima simplesmente por ser negro. Trataria-se, na verdade de reconhecer que ele pertence a uma "raça inferior". É o racismo que não tem saída. Quando nos Estados Unidos no passado o os negros não podiam andar de ônibus ao lado dos brancos nem usar o mesmo banheiro, a discriminação era de raça. Era como se estivessem deixando os porcos entrarem em casa.

No Brasil:Quando no Brasil a polícia, na rua, flagra um assalto e um negro e um branco saem correndo, o mais certo é que tente deter o negro, que para o policial é o mais provável que seja um bandido. Nesse caso, o racismo não é necessariamente racial. A noção geral é de que os negros estudam menos, sabem menos, são mais pobres e, portanto, são mais inclinados ao crime. É um racismo social sendo assim é urgente que se coloquem todas as forças a serviço de uma melhor escolaridade para os brasileiros negros, algo que castiga os mais pobres, discriminando-os e relegando-os aos trabalhos mais “inferiores”. É urgente que se aprofunde, desde a escola, o conceito de que não existem raças, mas sim etnias, todas elas igualmente humanas, igualmente ricas e dignas de respeito.

Mais enquanto isso vamos importar dos EUA as:Dez regras para sobreviver se for parado pela polícia

1. Seja educado e respeitoso se parado pela polícia. Mantenha a boca fechada.

2. Lembre que sua meta é chegar em casa em segurança. Se sentir que seus direitos foram violados, você e seus parentes têm o direito de fazer uma queixa em sua jurisdição policial.

3. Em nenhuma circunstância discuta com a polícia.

4. Sempre lembre que tudo que disser ou fizer pode ser usado contra você na Justiça.

5. Mantenha suas mãos à vista e se certifique de que a polícia pode vê-las o tempo todo.

6. Evite o contato físico com a polícia. Não faça nenhum movimento súbito e mantenha as mãos longe dos bolsos.

7. Não corra, mesmo que tenha medo da polícia.

8. Mesmo se acreditar que é inocente, não resista à prisão.

9. Não se pronuncie sobre o incidente até se encontrar com um advogado ou defensor público.

10. Fique calmo e mantenha o controle. Cuidado com as palavras, linguagem corporal e emoções.

“O Brasil nunca será um País de primeira classe enquanto considerar natural tratar os negros como cidadãos
de segunda classe”

Um afro abraço.
Claudia Vitalino.
Fonte: Cartilha da Igreja Batista Shiloh, em Washington

terça-feira, 27 de março de 2018

Apartaid imperial no Brasil:Escola pública para os negros e os pobres

Na origem -A implementação da escola pública elementar para todo cidadão brasileiro a partir da Constituição de 1824, na vigência da monarquia imperial, houve um crescente apelo para a necessidade de instruir e civilizar o povo. Como uma invenção imperial, em grande
parte dos discursos a aprendizagem da leitura, da escrita, das contas, bem como a freqüência à escola se apresentava como fator condicional de edificação de uma nova sociedade. Mas ressalte-se o impedimento legal de freqüência dos escravos às aulas públicas em várias províncias do Império. Esse fator ainda controverso e confuso  ter ou não como impedimento da freqüência dos negros, gerando uma série de equívocos na história da escola.

(...) quanto à época da escravidão, não há um consenso entre autores sobre a extensão da escolaridade do negro. Encontramos informações de que os escravos eram absolutamente excluídos da escola, mesmo de instrução primaria (...) os escravos e leprosos eram proibidos de freqüentarem as escolas (...).
Portanto, observa-se na historiografia mais geral e na historiografia da educação em particular a permanência de um registro que invariavelmente associa os negros aos escravos e vice-versa, inclusive com ausência de ressalvas importantes, como o aumento significativo da população negra livre e a crescente diminuição da população escrava a partir de metade do século XIX (Mattos, 2006). Por isso, a sinonímia entre negros e escravos precisa ser problematizada no sentido de ampliarmos os estudos sobre a história do negro no Brasil e aqui avançarmos especialmente na investigação sobre os negros na história da educação e da própria história da educação brasileira.

Ao tomar negros por escravos, estudiosos acabam por limitar a discussão sobre o lugar da escola pública na organização das nações modernas e dos Estados constitucionais. Apenas para citar dois exemplos e a permanência do equívoco: em artigo de 1994, relativo à instrução de escravos e libertos, Sarita M. Affonso Moysés afirma que a Constituição de 1824 "proibia o acesso à Educação aos pretos, negros e crioulos" (Moysés, 1994, p. 200);

em outro livro, em capítulo sobre a escravidão, Mario Maestri reitera: "As escolas urbanas estavam vedadas ao ingresso de negros livres, que dirá aos cativos" (Maestri, 2004, p. 205). Com todo respeito por esses pesquisadores, é preciso refletir, como veremos, sobre os motivos da sinonímia entre negros e escravos e sua longa duração histórica.

Nesse mesmo sentido, Romão e Carvalho (2003) ressaltam que no ano de 1835 ficou estabelecido à proibição dos escravos freqüentarem as escolas. Para demonstrar tal afirmação, as autoras apresentam a Resolução Imperial n. 382 datada de 1o de julho de 1854, que determinava:

Art. 35 – Os professores receberão por seus discípulos todos os indivíduos, que, para aprenderem primeiras letras, lhe forem apresentados, exceto os cativos, e os afetados de moléstias contagiosas. (p. 66)

Na Resolução Imperial n.382 a discriminação ficou menos obscurecida e mais explicita em relação às possibilidades de os escravos freqüentarem escolas públicas, uma vez que a Constituição de 1824 não declarou tão limpidamente este impedimento.
A discussão sobre a legislação emancipacionista brasileira e o papel destinado à questão da educação remete a este problema mais amplo, pois, como já foi indicado, a forma de legislação do Estado brasileiro, neste caso a Constituição de 1824, impediu o acesso dos negros escravizados à instrução pública. 

Este impedimento foi articulado de forma indireta porque a Constituição garantia o direito de todos os cidadãos de freqüentarem as escolas, porém, como os negros não eram considerados “cidadãos” ficavam impedidos perante a lei, e mesmo na dimensão prática quando eram garantidos seus direitos, não se criaram condições para tal realização.
Conforme a prescrição da Constituição de 1824, aparentemente bastante democrática, foi restritiva quando discutiu a definição de cidadão. São cidadãos brasileiros, segundo o artigo 6.º, somente:

Crianças negras e mestiças na escola pública
Primeiramente, é importante destacar que o processo de produção dos afrodescendentes como grupo inferior na sociedade brasileira se fez por meio de práticas várias, entre elas o registro escrito, como domínio do grupo que se autodenominou portador de atitudes civilizadas. Se tomarmos alguns grupamentos de registros, podemos observar que foi recorrente a sinonímia negros e escravos, contribuindo para uma série de equívocos na historiografia da educação brasileira por incorporar tal registro e não se dar conta da importância da diferença entre a cor e a condição jurídica das pessoas para discutir o processo de produção da inclusão escolar de crianças na recém-fundada nação. Por exemplo: como vimos, os dados gerais da população mineira indicaram a predominância de negros e mestiços livres sobre a população branca livre. Nesse caso, a sinonímia entre negro e escravo nos impossibilitaria de discutir a presença de crianças negras e mestiças na escola imperial referendando a afirmação tão recorrente de que os negros eram proibidos de freqüentar a escola, quando a proibição legal de freqüência à instrução pública se fazia aos escravos.

Quanto ao acesso dos escravos à aprendizagem da leitura e da escrita, importantes pesquisas foram realizadas indicando tal prática desde o século XVIII, ainda que não necessariamente realizada numa escola. Entre outros, esse é o caso, por exemplo, dos estudos de Luiz Carlos Villalta (1999) e Eduardo França Paiva (2003), além de estudos mais recentes, como o de Christianni Cardoso Moraes (2007). Em minha própria pesquisa foi possível encontrar listas de freqüência de alunos em aulas particulares com registros de meninos escravos, como a do professor José Carlos Ferreira, de Cachoeira do Campo (província de Minas Gerais), que na

sua lista de 1832 registrou Victor Máximo, 5 anos, escravo de Manoel Murta, e Antonio Manuel da Guerra, 7 anos, escravo de Manoel Guerra (IP 3/2, caixa 01, pacotilha 33).

Sobre a escolarização de negros e mestiços ao longo do século XIX- Poucos estudos foram realizados de maneira que dessem visibilidade a uma outra possibilidade de vida dos afrodescendentes que não associada ao mundo da escravidão ou da marginalidade. Ainda assim, observa-se em geral certo espanto dos historiadores quanto ao fato de haver negros que soubessem ler, escrever e/ou contar. Contudo, tal procedimento precisa ser bem mais problematizado, ou melhor, é preciso perguntar sobre o lugar da leitura e do letramento na sociedade imperial brasileira, levando-se em consideração três constatações muito distintas: a presença reiterada do discurso da missão civilizadora da escola por parte das elites governamentais; as precárias condições de funcionamento das escolas públicas de maneira geral; e o alto índice de analfabetismo em fins do século XIX. De acordo com Lilia Schwarcz (1998), o recenseamento de 1872 indicou que 84% da população brasileira era de analfabetos; portanto, é possível especular que também muitos brancos, inclusive abastados, não sabiam ler.

Sobre a instrução dos pobres, temos que, na historiografia, criança pobre é em geral objeto de estudo de quem investiga instituições destinadas especialmente a elas, tais como orfanatos, asilos, escolas de aprendizagem de ofícios. Assim, Mary del Priore, na introdução do livro História das crianças no Brasil, de 1999, afirma: "No século XIX, a alternativa para os filhos dos pobres não seria a educação, mas a sua transformação em cidadãos úteis e produtivos na lavoura, enquanto os filhos de uma pequena elite eram ensinados por professores particulares" (Priore, 1999, p. 10).

1o. Os que no Brasil tiverem nascido, quer sejam ingênuos ou libertos, ainda que o pai seja estrangeiro, uma vez que este não resida por serviço de sua nação.
2.º Os filhos de pai brasileiro, e os ilegítimos de mão brasileira, nascidos em país estrangeiro, que vierem a estabelecer domicilio no Império.
3.º Os filhos de pai brasileiro, que estivesse em país estrangeiro, em serviço do Império, embora não venham estabelecer domicílio no Brasil.
4.º Todos os nascidos em Portugal e suas possessões, que, sendo já residentes no Brasil na época em que se proclamou a independência nas Províncias, onde habitavam, aderiram a esta, expressa ou tacitamente, pela continuação da sua residência
5.º Os estrangeiros naturalizados, qualquer que seja a sua religião. A lei determinará as

qualidades precisas para se obter carta de naturalização. (OLIVEIRA, 1995, pp. 68- 69)

A propagação da idéia referente à exclusão do escravo no processo de aquisição das primeiras letras, predominante na época, perdurou durante muito tempo, pois as condições de vida e trabalho ainda não permitiam a instrução sentida como necessidade.
Sabe-se hoje que ainda em 1850, foi legalmente determinado que os escravos não poderiam freqüentar as escolas e que estas seriam permitidas somente aos homens livres. Foi a partir da década de 1860, a escolarização do negro começou a ser apresentada no parlamento como uma dimensão fundamental, para integrá-lo à sociedade organizada com base no trabalho livre. (MOYSÉS, 1994)

Apesar de todo o mecanismo legal que impedia o negro ter acesso à escola, deve-se considerar as apropriações e recriações de uma língua oral e escrita por escravos e libertos que fogem dos quadros estáticos desta sociedade. Imobilidade demonstrada nos índices de alfabetização de 1872 que relacionava “um escravo alfabetizado para 999 analfabetos e de 0,6 mulheres escravas para 999,4 analfabetas” (MOYSÉS, 1994, p.200).
Em contrapartida, não se pode negar que embora as dificuldades e o preconceito na época fossem devastadores, o negro encontrou algumas oportunidades para ter acesso ao mundo letrado.

A inserção do negro nas discussões correlatas ao campo de aquisição da cultura escrita foi encetada por Wissenbach (2002) no seu artigo Cultura escrita e escravidão – reflexões em torno das práticas e usos da escrita entre escravos no Brasil.

Crianças pobres na escola pública- As crianças das classes razoavelmente abastadas não vão à escola pública por que seus pais têm, mais ou menos, o preconceito de cor ou porque temem e, com razão, pela moralidade de seus filhos, em contato com essa multidão de garotos cujos pais os enviam à escola apenas para se verem longe deles algumas horas. Deste modo, estas crianças aprendem melhor e mais depressa do que aqueles que freqüentam a escola pública. (Almeida, 1989, p. 90)

[...] o crescente processo de indiferenciação entre brancos pobres e negros e mestiços livres teria levado, por motivos opostos, à perda da cor de ambos. Não se trata necessariamente de branqueamento. Na maioria dos casos, trata-se simplesmente de silêncio. O sumiço da cor referencia-se, antes, a uma crescente absorção de negros e mestiços no mundo dos livres, que não é mais monopólio dos brancos. (Mattos, 1998, p.

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Contudo, já por essa época havia pesquisas que demonstraram a presença de pobres na escola, como é o caso da dissertação de Alessandra Frota Martinez, Educar e instruir: a instrução popular na corte imperial (1854-1889), de 1997. Apesar de outros estudos nos anos seguintes identificarem a presença de meninos pobres nas escolas públicas, o tema é pouco problematizado na perspectiva de refletir sobre o significado dessa clientela na origem da escola pública brasileira.

Conclusão-Sendo assim, que os mecanismos internos e cotidianos de exclusão há muito estiveram presentes na história da escola brasileira. Portanto, às questões aqui identificadas para explicar a precariedade da escola pública elementar do século XIX deve-se acrescentar

principalmente o problema da clientela escolar, suas cores e pobreza, em que a chamada má procedência se apresentava como impedimento social. Pode-se dizer que a escola imperial fracassou na sua missão de "educar as procedências.

Claudia Vitalino.

Um afro abraço.
fonte:www.scielo.br/COLEÇÃO das Leis Mineiras, 1835-1890/COLLEÇÃO das Leis do Império do Brazil de 1827. Rio de Janeiro: Typografia Nacional, 1878 Correspondência referente à Inspeção de Ensino 1ª à 4ª circunscrições. Secretaria do Interior, 1899. SI 3958. /FALLA dirigida á Assembléa Legislativa Provincial na sessão ordinaria do anno de 1848 pelo presidente da província, Bernadino José de Queiroga. Ouro Preto: Typografia Social, 1848./FALLA que o exm. Sr. Dr. Theophilo Ottoni dirigio á Assemblea Provincial de Minas Geraes, ao installar-se a 1.a sessão da 24.a legislatura em 1.o de agosto de 1882. Ouro Preto: Typ. de Carlos Andrade, 1882./PRESIDÊNCIA da Província (PP) 1/42, caixa 01, envelope 07./PRESIDÊNCIA da Província (PP), caixa 08, pacotilha 09./PRESIDÊNCIA da Província (PP) 1/42, caixa 14, envelope 07. /RELATORIO que ao ilustríssimo e excelentíssimo senhor Doutor José Ricardo de Sá Rego, presidente desta Província, apresentou o Vice-Diretor da Instrução Pública, Chantre Antonio José Ribeiro Bhering, em 1851. Ouro Preto: Typografia Social, 1852a.

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