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terça-feira, 6 de janeiro de 2015

Mitos dogmáticos ou dogmas mitológicos?

No primeiro exemplar de Identidades fiz algumas perguntas sobre negros na Bíblia. Algumas pessoas ficaram curiosas e escreveram para perguntar “ quem eram”? Aqui está a resposta.
O profeta com raízes africanas é Sofonias! O versículo 1, do capítulo 1, o identifica pela sua família. O nome do pai dele é Cusi. Cusi significa “ O etíope”. Os “etíopes” foram um povo importantíssimo durante várias épocas veterotestamentárias, e, no livro dos Atos dos Apóstolos, percebemos que o livro do profeta Isaías era lido dentre este povo. Quero dizer que há vários motivos para entender que a Fé Judaica vivia há séculos na África e preparou o solo africano para receber as Boas Novas de Jesus Cristo bem antes da Europa. Por isso, o primeiro cristão não natural da Palestina foi um africano. A coisa marcante é como a Igreja ocidental se precipita na conclusão de que a cor da pele do etíope é uma coisa nova! Os hebreus e israelitas conviviam há milênios com africanos, até casaram e criaram filhos com eles; José e Moisés são dois exemplos bem óbvios. Então, o povo santo de Israel foi um povo de sangue africano com raízes culturais africanas, tão profundas quanto as raízes mesopotâmicas e quanto as raízes da Terra Santa. Isso nos leva a uma segunda pergunta. Por que o retrato de Jesus com cabelos loiros e olhos azuis é historicamente errado? Bem, o povo bíblico, o povo santo, era um povo de origens afro-asiáticas ou cuxito-semítica. Na linguagem, na cultura, no comércio e na política, se situa com os africanos e os babilônios e os assírios. Estes povos são povos negros ou marrons. Às vezes é colocado que os egípcios, de fato, não foram africanos. Isto é um absurdo! É importante lembrar que os egípcios, foram muitos povos. Os faraós e suas dinastias provém de várias partes da África do Norte, além do vale do Nilo: Líbia e Etiópia entre outras regiões. Então, qualquer pessoa israelita judeu ou judia, na época bíblica, podia ser negra ou morena. Os europeus chegaram a participar da história sagrada bem mais tarde. Os filisteus (povos do mar) chegaram como inimigos que permaneciam contidos na costa meridional na Idade do ferro; somente no fim da época veterotestamentária chegaram os gregos; e, na época interotestamental, os romanos assumiram os territórios que
anteriormente eram dominados pelos gregos. Nos três casos, a animosidade era grande e, antes dos escritos de Paulo, encontramos pouca abertura para laços familiares com estes povos de fora. Seria muito improvável que alguém da linha de Davi pudesse ser um desses povos claros.

A Bíblia...
A seguinte cadeia de eventos e os fatos usam as raízes bíblicas da fé judaica que alcançavam os etíopes bem cedo. Os judeus falasha etíopes, que vivem na Etiópia e Israel, reivindicam a descendência direta de Abraão. A moderna nação de Israel tem fornecido aos mesmos a cidadania baseada em suas raízes judaicas. A maior parte dos etíopes traçam as suas raízes à rainha de Sabá e ao rei Salomão e o alegado filho deles, Menelik. José se casou com uma mulher etíope (Gênesis 41:50-52), e os seus dois filhos (Manassés e Efraim) se tornaram líderes de tribos judaicas. Jethro, um etíope, se converteu ao judaísmo por causa do testemunho de Moisés (Exodos 18: 1-12). Moisés se casou com uma mulher etíope (Números 12:1). De acordo com “The Bible Knowledge Commentary”, os israelitas não foram proibidos de se casarem com mulheres cusitas-etíopes (Exodos 34:11-16). Jeudi (Jeudi significa judeu), um secretario na corte do rei durante o tempo de Jeremias, era um descendente de Cusi/Etiópia (Jeremias 36:14, 21, 23). O nome do avô de Jeudi(Cusi) literalmente significa “preto”. De acordo com David Adamo, Phd (“Velho Testamento”, Baylor University), “ Cusi” se refere a uma pessoa de descendência africana. Sofonias, o profeta, era também um descendente de Cusi (Sofonias 1:1). Há diversas passagens no Velho Testamento que traça um relacionamento único entre Jeová e o povo etíope: “Não me sois, vós, ó filhos de Israel, como os filhos dos etíopes? (Amos 9:7). “Príncipes virão do Egito; a Etiópia cedo estenderá para Deus as suas mãos” (Salmos 68:31) além dos rios da Etiópia, seus zelosos adoradores, que constituem a filha de meus dispersos, me trarão sacrifícios”(Sofonias 3:10).

“ E há de ser que naquele dia o Senhor tornará a pôr a sua mão para adquirir outra vez o remanescente do seu povo, que for deixado, da Assíria, e do Egito, e de Patros, e da Etiópia, e de Ela, e de Sinai, e de Hamate, e das ilhas do mar”(Isaías 11:11).

No Novo Testamento, há ampla informação histórica e bíblica para afirmar que os magos (Mateus 2:1-12), que são frequentemente apresentados como etíopes são verdadeiramente. Alonzo Holy, um médico negro, escreveu um excelente livro intitulado “ God and the Negro(Deus e o Negro), no qual ele fala de Simão o Zelote como um apóstolo negro (Mateus 10:4). Afinal de contas, os cananitas eram descendentes de Cam. As raízes da mulher sirofenícia, cuja fé persistente levou à libertação da sua filha, pode ser traçada a Cam (Marcos 7: 24-30). Simão de Cirene ajudou Jesus a carregar a sua cruz (Mateus 15:21). Cirene era um país da África do Norte. Os cirênios repartiram o evangelho com os gregos, filhos de Jafé (Atos 11:20). O eunuco etíope estava lendo uma Bíblia judaica em uma província romana quando o Espírito do Senhor guiou um homem grego a pregar Jesus para ele (Atos 8:26-39). Apolo (Atos 18:24), um nativo da terra de Cam, foi um eloqüente pregador e líder na igreja Éfeso e em Corinto. Os países descendentes de Cam foram representados no Pentecostes (Atos 2:10-11). Simeão(Niger) e Lúcio de Cirene foram líderes na igreja de Antioquia da Síria (Atos 11:26). Strabo relatou que os sírios eram negros. Foi na Antioquia da Síria que Lúcio e Simeão ordenaram e comissionaram o apóstolo Paulo para o ministério do evangelho (Atos 13:2,3). A tarefa de Paulo era levar o evangelho para a Europa.

O apóstolo Paulo, em um caso de erro de identidade, foi classificado de egípcio (Atos 21: 38). As raízes de Paulo podem ser traçadas à tribo de Benjamim (Filipenses 3:5). O dr. F.S. Rhodes traça a ancestralidade Benjamim a Quis (Ester 2:5), e afirma: “Sendo um descendente de um benjamita implica em que ele era da posterioridade do povo negro”. A referência do Dr. Rhodes era para Mordecai, que também era um descendente de Quis o Benjamita. Henry Morris, no seu comentário do Gênesis, compara Quis com Cuxe. A palavra “Quis” entra em cena na história mundial como uma antiga cidade da Mesopotâmia ocupada pelos cusitas. Essa evidência está longe de conclusiva, mas ninguém iria discutir sobre o fato de Paulo ser semita(pardo), oposto a Jafé, o que provavelmente explica o fato dele ser tomado erroneamente como egípcio.

Já disseram que a cor negra é o sinal que o Senhor colocara em Caim por haver este matado a Abel, seu irmão (Gn 4.15). Outros, interpretando de maneira equivocada a profecia enunciada por Noé aos seus filhos, alimentam a hipótese de que o negro surgiu por causa da maldição imposta pelo patriarca sobre a irreverência de Cam (Gn 9.25). Erudição alguma é necessária para se constatar a incongruência de tais mitos. Uma leitura atenta e

descompromissada do Livro Santo há de mostrar que semelhantes teses não resistem a um exame mais atento. Teológica e historicamente, são falhas, dúbias, perniciosas.

Apesar da quase nulidade de arquivos ou estudos bíblicos acerca da figura do negro como participante na História Sagrada, algumas linhas de estudo apontam para uma revelação no mínimo curiosa: Sulamita, a predileta do coração de Salomão e inspiradora dos poemas de amor do livro de Cantares, provavelmente foi uma bela negra. De acordo com alguns estudiosos dos textos sagrados, as filhas de Jerusalém protestaram quando descobriram que o maior poema de amor de todos os tempos havia sido dedicado a uma negra. Essa teria, então, respondido à atitude preconceituosa através do próprio poema: "Eu estou morena e formosa, ó filhas de Jerusalém, como as tendas de Quedar, como as cortinas de Salomão" (Cantares 1.5).

Salvo algumas controvérsias a respeito da tradução desta passagem, o texto traduzido para o inglês, segundo alguns intérpretes, no entanto, não deixaria dúvida: "I am black but comely", diz o texto, que traduzido significa: "Eu sou negra, mas agradável".

Da História da Biblia, infere-se ter sido toda a descendência de Caim destruída pelo Dilúvio. Além disso, a marca que pôs o Senhor no homicida não foi a cor, e, sim, um ideograma, denunciando-lhe o crime. Quanto ao caçula de Noé, o texto do Gênesis não comporta dúvidas: apenas um ramo dos camitas foi amaldiçoado: os cananeus. E a maldição cumpriu-se quando os hebreus tomaram-lhes as terras no século 15 aC. Os outros filhos de Cam são mencionados na Bíblia como nações fortes, poderosas e aguerridas. Haja vista o Egito, a Etiópia, a Líbia e as cidades de Tiro e Sidom.

De acordo com a concepção hebraico-cristã, não há nenhuma maldição em ser negro nem bênção alguma em ser branco. A bem-aventurança reside em se guardar os mandamentos de Deus, praticar a justiça e observar a beneficência:

"... Deus não faz acepção de pessoas; Mas que lhe é agradável aquele que, em qualquer nação, o teme e obra o que é justo.", At 10.34-35.
A África no índice Bíblico das Nações
Conhecido como o índice das Nações, o capítulo 10 do primeiro livro da Bíblia faz referências a pelo menos três grandes nações africanas: Cuxe, Mizraim e Pute (Gn 10.6). Ou seja: Etiópia, Egito e Líbia. Apesar das muitas tribulações de sua história, estes povos vingaram:

no passado, império; no presente, o vivo testemunho do vigor das civilizações negras. Durante toda a História Sagrada, o Egito sempre foi temido como potência mundial. À Etiópia era uma nação tão aguerrida e expansionista que, no tempo dos reis de Judá, invadiu aTerra Santacom um exército de um milhão de homens (2Cr 14.9). Quanto à Líbia, era vista pela Assíria como um contrapeso às ambições babilônicas (Na 3.9). Se coletivamente os africanos foram marcantes, individualmente destacam-se no texto bíblico.

A mulher negra de Moisés
No capítulo 12 de Números, lemos: "E falaram Miriã e Aarão contra Moisés, por causa da mulher cuxita, que tomara: porquanto tinha tomado a mulher cusita", Nm 12.1. Não fora o contexto deste triste e lamentável episódio, seríamos levados a pensar que a profetisa e o sumo sacerdote hebreus eram tão racistas quanto os criadores do apartheid. Todavia, mostra-nos o desenrolar da história que a má vontade de ambos não tinha como motivação o fato de Moisés haver tomado uma negra por mulher. O que eles não toleravam eram os privilégios que o grande líder desfrutava junto a Deus. Como não achassem nenhuma falha no legislador, houveram por bem censurar-lhe a união inter-racial que, diga-se de passagem, não era algo incomum entre os israelitas. Afinal, não se unira Abraão com uma egípcia e com uma egípcia não se casara José?

Os negros no Novo Testamento

Muitos africanos ainda vêem a Igreja como típica empresa européia. Ainda se assustam com os pioneiros brancos e barbudos que, desde David Livingstone, cortam a negritude daquelas terras levando a mensagem do Cristo. Em sua origem, porém, a Igreja era tão multirracial quanto hoje. No Dia de Pentecostesencontravam-se em Jerusalém, além dos gregos, romanos e asiáticos, várias nações negras: Egito, Líbia e Cirene. E, nestes países, o Evangelho floresceu de maneira surpreendente. Haja vista a Igreja de Alexandria. Dela sairiam os teólogos Orígenes, Clemente e Atanásio.

Lembremo-nos também do ministro da Fazenda da Etiópia que se converteu quando retornava ao seu país (At 8.26-38). Acredita-se ter sido com este eunuco que teve início a Igreja Copta.

Uma visão universal e transcultural da Bíblia
Durante vários séculos, a Bíblia foi vista como um livro exclusivamente branco e interpretado colonialisticamente pelas nações européias. Deste triste contexto, excetuamos os

missionários que sempre tiveram uma visão universal e trans-cultural das Sagradas Escrituras. Jamais nos esqueçamos de que a Bíblia começou a ser escrita na África. Não é um livro branco, como pensamos; ou exclusivamente negro. A Bíblia tem a cor de todas as culturas; é contemporânea de todas as eras. Ela é um livro apaixonadamente humano e comprovadamente divino.

Claudia Vitalino.

Um afro abraço.

fonte:http://negritudecrista.wikia.com/

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