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terça-feira, 16 de setembro de 2014

EUA:Escravização e a conquista da Abolição...

A história da escravidão (ou escravatura) nos Estados Unidos inicia-se no século XVII, quando práticas escravistas similares às utilizadas pelos espanhóis e portugueses em



colônias na América Latina, e termina em 1863, com a Proclamação de Emancipação de
Abraham Lincoln, realizada durante a Guerra Civil Americana.



A escravidão foi uma instituição central ao desenvolvimento econômico norte-americano. Sua expansão teve início a partir da segunda metade do século XVII, quando a importação de africanos impôs-se à contratação de servos de origem europeia. Retraiu-se brevemente na segunda metade do século XVIII, com a abolição nos estados do Norte e os deslocamentos causados pela guerra de independência no Sul. Iniciou uma retomada vertiginosa a partir da última década do século XVIII, alicerçada no cultivo do algodão e na expansão para o Oeste dos EUA. A sociedade sulista apresentou a maior população escrava das Américas, a maior taxa de reprodução endógena (via de manutenção do sistema escravista) e a mais vigorosa defesa da escravidão como base da organização social da nação. O trabalho escravo sustentou as culturas de milho, tabaco, cânhamo, cana-de-açúcar, arroz e algodão. No estado da Virgínia, escravos trabalhavam em fábricas e ferrovias. A economia sulista, alicerçada no trabalho servil, complementava as atividades econômicas do Norte, abastecendo a indústria têxtil, aumentando a demanda naval e movimentando todo um mercado de implementos agrícolas especialmente confeccionados para o uso por escravos. O algodão, na famosa frase do senador sulista James Henry Hammond, “era rei”; a commodity mais importante da revolução industrial iniciada no século anterior. Perto de 4 milhões de escravos viviam nos estados do Sul em 1860. A existência da instituição era sancionada por leis estaduais além de constar na Constituição Federal. O que levou à abolição de uma instituição tão solidamente estabelecida?

"Relatos do escravo Frederick Douglass mostram que algumas plantações não forçavam seus escravos a trabalharem no Natal. O motivo não era altruísta, essa folga era concedida para liberar tensão entre os trabalhadores, para que eles continuassem sendo explorados por mais um ano. Não era uma prática comum a todos os donos de escravos, mas pelos relatos, não era algo tão raro também"

As primeiras manifestações abolicionistas começaram com os quackers da Pensilvânia, sendo rapidamente seguidas pelo surgimento de movimentos semelhantes no Sul. Lideranças religiosas condenaram a instituição como um pecado. Por razões óbvias, essas manifestações tiveram pouca acolhida em suas regiões de origem. Em seguida, surgiu a American Colonization Society, organização filantrópica que apoiava a deportação dos escravos libertos para a colônia da Libéria, na África Ocidental. Foi apenas em 1831, com o lançamento do jornal The Liberator (editado por William Lloyd Garrison), é que teve início uma campanha pela abolição imediata. Esses abolicionistas provinham principalmente das novas denominações religiosas surgidas com o “Segundo Grande Despertar”. Mas nem mesmo nos estados livres do Norte o abolicionismo chegou a ser uma corrente popular. A maioria dos políticos queria distância do movimento. Uma liderança abolicionista, Elijah Lovejoy chegou a ser linchado em Illinois, e mesmo Garrison escapou por pouco da mesma sorte nas ruas de Boston. Poucos cidadãos brancos nem sequer admitiam a igualdade jurídica entre brancos e negros, quanto mais a igualdade política como eleitores. Os negros livres constituíam categoria discriminada na maioria dos estados, sem direito ao voto, impedidos de frequentar espaços públicos em igualdade de condições. Mesmo libelos antiescravistas como o romance A Cabana do Pai Tomás, de Harriet Beecher Stowe, prescreviam a imigração como o melhor caminho para os ex-escravos. A dificuldade em aceitar uma sociedade multirracial constituía uma falha gritante da imaginação social ianque. Mas, então, veio a guerra.

Desde a década de 1840, os ânimos estavam acirrados. O cerne da discórdia era a questão da expansão da escravidão para os territórios tomados ao México. Seriam os novos estados livres ou escravistas? Os reflexos dos antagonismos regionais afetaram o funcionamento do sistema partidário. Em novembro de 1860, um partido regional fundado há menos de uma década chegou ao poder. O candidato republicano, Abraham Lincoln (1809-1865), foi eleito com votos oriundos apenas de delegados do Norte. A plataforma republicana era moderada,

previa apenas a contenção da escravidão nos estados nos quais a instituição era legal. Mas o temor do abolicionismo e o repúdio a qualquer tentativa de reprimir sua expansão territorial levaram a maioria dos estados do Sul a se separar para criar uma nova nação, os Estados Confederados da América. Foi no contexto da longa e sangrenta guerra de reunificação que se seguiu que o abolicionismo obteve as condições necessárias para se tornar uma política de governo.
Durante a guerra, propostas iniciais para abolir a escravidão, como a apresentada pelo general John C. Frémont para o estado do Missouri, foram rechaçadas por Lincoln. A população do Norte não se alistaria para lutar pela Emancipação. Além disso, quatro estados escravistas (Kentucky, Missouri, Delaware e Maryland) se mantiveram na União. Políticas mais radicais poriam em risco o frágil consenso estabelecido em torno da administração republicana, que ainda era acossada pelo Partido Democrata, que constituía, nas palavras de Joel Silbey, “uma minoria respeitável”. Muitos democratas favoreciam uma paz negociada com o Sul. Alguns chegavam a aceitar a separação como inevitável. Praticamente, nenhum democrata apoiava uma abolição ampla.Em 1861, escravos pediram abrigo no Forte Monroe, na Virginia. Era o primeiro ano da Guerra Civil e não existia uma política clara do exército do Norte sobre o que fazer com fugitivos nos territórios confederados sob o controle da União.


 Até aquele momento, os escravos eram propriedade privada. A guerra contra os confederados era travada em nome da União, não do abolicionismo. Pouco depois, os senhores daqueles escravos surgiram com bandeira branca. Vinham reclamar sua propriedade.       O comandante do forte, general Benjamin Butler, encontrou uma saída que abriria uma brecha legal para as fugas. Aqueles escravos não eram livres, mas também não poderiam ser retornados. Tratava-se de “contrabando de guerra”. Desse momento em diante, o termo contrabando passou a designar as centenas de milhares de fugitivos que buscaram a liberdade sob o abrigo das tropas invasoras. Esses escravos “votavam com os seus pés”, indo ao encontro das tropas da União e, posteriormente, alistando-se como soldados.           Suas fugas desorganizaram progressivamente a economia agrícola sulista, já bastante depauperada pelo bloqueio naval de seus portos. Mas Lincoln relutava em tomar medidas concretas para pôr fim à escravidão. Em carta ao editor Horace Greeley, datada de agosto de 1862, declarou: “Meu objetivo primordial nessa luta é restaurar a União, não salvar ou destruir a escravidão”.

Enquanto fugitivos lotavam os acampamentos da União, as batalhas cobravam seu preço. Milhares de soldados do Norte morriam nos campos, vitimados por doenças ou combates. O Sul não dava sinal de desistir da sua independência e, pior, ainda havia risco do reconhecimento internacional da Confederação. A longa e desgastante luta levou a administração Lincoln a mudar o tom, emitindo uma proclamação de Emancipação em 20 de

setembro de 1862. Todos os estados que insistissem na rebelião teriam seus escravos confiscados a partir de 1º de janeiro do ano seguinte. A Proclamação deixava de fora todos os escravos distantes do controle da União, uma séria ironia política. No entanto, ela beneficiava os contrabandos, permitindo que se integrassem ao exército na condição de soldados, um status que abria portas para a obtenção de direitos. Nos anos seguintes, cerca de 180 mil soldados alistaram-se no exército, a grande maioria proveniente dos estados do Sul.
Os dois últimos anos da guerra marcaram a destruição da infraestrutura do Sul. Cidades e fazendas foram queimadas pelos exércitos de ocupação. A guerra passou a visar à destruição das oligarquias confederadas, um contexto que favorecia a libertação de todos os escravos, não apenas daqueles libertados pela Declaração.
Com a guerra praticamente vencida, Lincoln e a liderança republicana voltaram-se para a aprovação de uma 13ª emenda à Constituição, abolindo a escravidão em todo o território. Após uma batalha no Congresso, na qual o governo utilizou-se de pressão e empreguismo, a emenda foi aprovada, sendo publicada em 1º de fevereiro de 1865. A aprovação da emenda resolveu a questão da liberdade, mas a igualdade jurídica ainda teria de enfrentar diversos testes.

Se liga:" A guerra civil se deflagra e deixa um saldo de centenas de milhares de mortos e uma legião de negros marginalizados. Nenhum programa governamental é previsto para sua integração profissional e econômica. O Sul permanece militarmente, mas isso acontece até 1877, favorecendo o surgimentos de outras novas religiões como uma que se chama Os cavaleiros da Camélia Branca, essa perseguia os negros violentamente e defender a segregação racial."

A emancipação norte-americana conjugou os esforços de guerra com manobras parlamentares e a ação dos próprios escravos. Ela resultou da percepção de que a União não poderia ser adequadamente restaurada com um segmento escravista. Seiscentos e

cinquenta mil mortos e uma grande transformação na mentalidade nortista asseguraram esse
segundo nascimento da liberdade, tal como proclamado por Lincoln no discurso de
Gettysburg em dezembro de 1863. Por caminhos inesperados, “os melhores anjos da
natureza”, evocados no primeiro discurso de posse, finalmente tocaram as cordas da União...


Um afro abraço.
fonte:www.cartanaescola.com.br/unegro formação

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