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domingo, 23 de outubro de 2011

QUANDO OS NEGROS NÃO PODIAM CULTUAR SEUS DEUZES - ORIXAS

Nossa Historia nossa gente...
Cambomblé X Umbanda - Parte II

• A língua portuguesa falada no Brasil foi enriquecida com a contribuição do negro. Na sua formação houve o aproveitamento de várias palavras: bamba, batuque, cachimbo, caçula, cacunda (corcunda), cafuné, calombo, camundongo, carimbo, catimba (astúcia), dengo, dengue, farofa, fubá, inhame, macaco, mamona, marimbondo, miçanga, molambo, moleque, mundongo (miúdos de animais), mucama, quindim, quitanda, quitute, senzala, sunga, tanga, xingar.

• "Prudência é exatamente o que faltou à maior parte dos estudos sobre os africanismos no Português do Brasil, que invariavelmente tendiam para os extremos: ou limitavam essa influência ao vocabulário específico dos cultos religiosos e à culinária correspondente (entre centenas de outros, exu, bará, egum, orixá, ilê; mungunzá, efó, dendê, vatapá, axoxô, xinxim, acaçá), ou caíam no exagero oposto, atribuindo à África vocábulos de origem européia, ameríndia ou oriental (bugiganga, cachaça, cutucar, fulo, bengala, tarrafa, minhoca, pindaíba)." (Fonte: Sua língua, prof. Cláudio Moreno)

• Mandingas era o nome dos escravos de uma tribo da Guiné-Bissau. Por serem tidos como feiticeiros, a palavra mandinga virou sinônimo de feitiço, magia. O costume dos negros bengueles ou banguelos de cortarem ou limarem os dentes, por motivos estéticos ou religiosos, originou a palavra banguela (pessoa que não tem um ou mais dentes da frente). Kabula era o nome dos escravos de uma tribo banto predominante no ES. Por serem muito arredios, deram origem a palavra encabulado. Segundo a micromonografia do pesquisador Hugo P. Carradore, de SP, publicada pelo Instituto Joaquim Nabuco de Pesquisas Sociais, o cafuné, ato de coçar suavemente a cabeça de alguém, foi trazido pelos negros de Angola. No quimbundo é kifune, de kufunata (torcer, vergar). Em banguela entre os umbundos, é xicuanli; para os quiocos e lundas, é coxoboleno. Candango, palavra do dialeto quimbundo, era o nome dado pelos escravos africanos aos portugueses, em Angola, e aos senhores de engenho no Nordeste. Quando começou a construção de Brasília, as pessoas que trabalhavam na construção civil também ficaram conhecidas como candangos.


• Os escravos domésticos eram escolhidos segundo sua aparência. Mucamas, pajens, amas-de-leite, amas-secas, cozinheiras, lavadeiras, cocheiros, copeiros e garotos de recado, recebiam roupas mais finas e eram sempre os mais bem vestidos e bem tratados. Os escravos das casas de pessoas ricas ou de posição usavam antigos librés (uniforme dos criados de casas nobres).

• Turbante - As escravas, em geral, usavam uma longa faixa de tecido enrolada em volta da cabeça, em forma de torço, muito semelhante ao turbante mouro. As escravas das casas de pessoas ricas ou de posição, quando não usavam turbantes, exibiam penteados extravagantes.

• Abadá - Os malês, negros muçulmanos que desembarcaram principalmente na Bahia, trajavam-se em público como os demais escravos e, para se reconhecerem, usavam anéis de metal branco feitos de ferro ou prata. Mas, nas orações e outros rituais de cunho religioso, vestiam uma espécie de camisolão branco chamado abadá. Na cabeça usavam um barrete (pequeno gorro) branco. Atualmente, a roupa branca (calça e camisa) ou só a calça do capoeirista, também são chamados de abadá. E o camisolão foi adotado por blocos do carnaval baiano.

• Baiana - Na Bahia, com suas roupas vistosas, turbantes (torços), panos da costa, batas (blusa branca comprida e solta), saias rodadas, pulseiras e colares na cor do seu orixá, as negras de ganho criaram um tipo. O traje que costumamos chamar de baiano, reflete a influência africana no Brasil. O turbante e os balangandãs indicam elementos da cultura árabe do norte da África. Em Salvador, no dia 25 de novembro, Dia da Baiana, tem missa na Igreja de N. Sra. do Rosário dos Pretos e manifestações culturais no Memorial das Baianas.

• Balangandã - As pencas de balangandãs integraram as roupas tradicionais das negras baianas do século XIX. Balangandã é o ornamento ou amuleto, em forma de figa, fruta, medalha, moeda, chave ou dente de animal, pendente de argola, broche ou pulseira de prata, usado pelas baianas em dias festivos. Figas e dentes são usados como amuletos para combater o mau-olhado. A figa é um amuleto em forma de mão fechada, com o polegar entre o indicador e o dedo grande, usado como ornamento pessoal, da casa ou estabelecimento comercial.

• Pano da costa - Na África, o pano da costa era apenas um complemento da vestimenta das mulheres negras, e não tinha conotações religiosas. A partir do século XIX, no Brasil, é que começou a ter ligação com as celebrações do candomblé. Na África, é denominado alaká ou pano de alaká. No Brasil, ficou conhecido como pano da costa porque vinha da Costa do Marfim (África) e também por ser usado nas costas. Os primeiros panos da costa vieram no corpo das escravas, que não tinham roupa e eram vendidas enroladas no pano. Depois, os panos foram tecidos aqui mesmo por escravos ou por seus descendentes, em teares manuais e rústicos vindos para o Brasil no século XVIII. Tecido em tear manual, o pano da costa é formado por tiras de dois metros de comprimento cada uma, com largura variando entre 10 a 15 centímetros. As tiras são depois costuradas uma a uma. Branco não é a cor predominante no pano da costa que, geralmente, é listrado ou bordado em alto-relevo e colorido com padronagens variadas dependendo do orixá de cada nação. Os filhos de santo usam o alaká enrolado no tronco. As mães escravas traziam durante as horas de trabalho seus bebês escanchados (com as pernas em volta da cintura) às costas e presos por um pano.
Religião:
• Batismo - A Igreja Católica Romana deu ordens para que todos os escravos fossem batizados e participassem da missa e dos sacramentos. Eles eram batizados, antes do embarque na África, ou dentro dos navios ou pouco depois de chegar ao Brasil. Quem não fosse batizado era considerado "não gente", por ser pagão. Como prova de terem sido batizados no ritual católico, eles recebiam na pele o sinal da cruz feito com ferro quente. Os escravos nascidos no Brasil eram logo batizados e ainda assim considerados gente sem alma.

• Jesuítas - Os padres da Companhia de Jesus (jesuítas), limitavam-se ao repúdio aos maus tratos e torturas, não havendo, porém, questionamento da escravidão enquanto instituição. O negro foi excluído da catequese e do processo de educação devido a crença de que não tinha alma. Os jesuítas ensinavam aos escravos apenas a obedecer ao seu senhor e aos padres.

• Irmandades - Os escravos africanos eram proibidos de praticar suas religiões nativas. Não podendo adorar os seus orixás (deuses) publicamente e freqüentar as mesmas igrejas dos senhores, os escravos filiavam-se às irmandades católicas negras. Sob domínio e influência dos colonizadores, começaram a cultuar N. Sra. do Rosário, também chamada de N. Sra. dos Homens Pretos, pois já a conheciam da África, onde a devoção foi levada por missionários dominicanos que impuseram seu culto aos negros. Mais tarde, essa devoção foi associada a São Benedito. As irmandades religiosas dedicadas aos dois santos são ligados aos grupos de dançadores de Congada e Moçambique. Por isso, os estandartes e bandeiras desses grupos fazem referência a eles. A igreja de N. Sra. do Rosário dos Pretos, em Salvador (BA), concluída em 1781 no Largo do Pelourinho, é um marco para a arquitetura colonial. Em estilo rococó, tem cúpulas em estilo mouro sobre os campanários, e foi construída por escravos. N. Sra. do Rosário é padroeira do Pelourinho e tem uma festa no segundo domingo de outubro.

• São Benedito - Considerado o santo padroeiro dos negros, São Benedito nasceu na Itália, por volta do ano de 1526, e faleceu em Palermo (Itália), em 4 de abril de 1589. Seus pais eram de origem escrava e descendiam de negros etíopes ou de mouros do norte da África, daí o fato de ser chamado de São Benedito, o Preto ou o Mouro. No século XVIII surgiram por todo o país as Irmandades de São Benedito, formadas por devotos do santo negro, cozinheiro e descendente de escravos. Pelo calendário litúrgico, seu dia é 5 de outubro mas, suas festas, se estendem por todo o ano. No Vale do Paraíba (entre o RJ e SP) estão concentradas no período compreendido entre a Páscoa e o dia 13 de maio, data da abolição da escravatura, estabelecendo um verdadeiro Ciclo de São Benedito. Em Paraty (RJ), São Benedito é comemorado a 29 de dezembro pelo povo e pela igreja, junto com N. Sra. do Rosário, na festa a que chamam Divino dos Pretos.

• Candomblé e Umbanda - As crenças religiosas dos escravos africanos deram origem ao Candomblé e a Umbanda (mistura do Candomblé com Espiritismo). Existem 4 tipos de Candomblé no Brasil, cada um deles saído de uma nação (grupos étnicos dos escravos africanos): Queto (BA), Xangô (PE e AL), Batuque (RS) e Angola (BA e SP). As diferenças aparecem principalmente na maneira de tocar os atabaques, na língua do culto e no nome dos orixás (deuses). Os povos que mais influenciaram os 4 tipos de Candomblé praticados no Brasil são os da língua iorubá. A mistura com o Catolicismo foi uma questão de sobrevivência. Para os colonizadores portugueses, as danças e os rituais africanos eram pura feitiçaria e deviam ser reprimidos. A saída, para os escravos, era rezar para um santo e acender a vela para um orixá. Foi assim que os santos católicos pegaram carona com deuses africanos e passaram a ser associados a eles. A partir da década de 20, o Espiritismo também entrou nos terreiros, criando a Umbanda, com características bem diferentes. Assim, o Candomblé já se incorporou à alma brasileira. Tanto é que o país inteiro conhece a saudação mágica que significa, em iorubá, energia vital e sagrada: Axé! (Texto de Pierre Verger, in Super Interessante, janeiro 1995)

• Candomblé - A preparação é fechada ao público. Somente os membros da comunidade de santo, ou seja, do terreiro, podem participar dela. Essa parte do ritual começa na madrugada anterior e dura o dia inteiro. O toque é o mesmo que festa e se refere à batida dos atabaques, que convoca os orixás. A estrutura da cerimônia, chamada "ordem de xirê" (brincadeira, na língua iorubá), divide a festa em três partes. A primeira acontece à tarde, com o sacrifício, a oferenda e o padê de Exu. A segunda é a festa em si, à noite, na presença do público, quando os filhos-de-santo incorporam os orixás. E a terceira fase, o encerramento, com a roda de Oxalá, o deus criador do homem. Os três atabaques (rum, rumpi e lé), que fazem soar o toque durante o ritual também são responsáveis pela convocação dos deuses. O rum funciona como solista, marcando os passos da dança. Os outros dois, o rumpi e o lé, reforçam a marcação, reproduzindo as modulações da língua africana iorubá. Além dos atabaques, usam-se também o agogô (dois sinos achatados, de ferro, onde se bate com pedaço de metal), e o xequerê (cabaça envolta em uma rede de contas). São, ao todo, mais de 15 ritmos diferentes. Cada casa-de-santo tem até 500 cânticos. Segundo a fé dos praticantes, os versos e as frases rítmicas, repetidos incansavelmente, têm o poder de captar o mundo sobrenatural. Essa música sagrada só sai dos terreiros na época do carnaval, levada por grupos e blocos de rua, principalmente em Salvador, como Olodum ou Filhos de Gandhi. (Fonte: Super Interessante, janeiro 1995)

• Afoxé - O afoxé é uma dança-cortejo ligada ao Candomblé, conhecida como candomblé de rua, típica do Carnaval baiano. Após os ritos religiosos nos terreiros, onde são evocados os orixás, o grupo sai para a rua entoando canções com palavras em línguas africanas como o iorubá. Para marcar o ritmo, são usados instrumentos como agogôs, atabaques e xequerês. Entre os afoxés, o mais conhecido é o Filhos de Gandhi, cujos integrantes se vestem de branco e azul, com turbantes na cabeça. O primeiro afoxé baiano, foi organizado em 1895 pelos negros nagôs e desfilou com roupas e objetos de adorno importados da África. (Fonte: Almanaque Abril, 1995)

• Xangô - Há no Norte do Brasil diversos cultos que atendem pelo nome de Xangô. No Nordeste, mais especificamente em Pernambuco e Alagoas, a prática do Candomblé recebeu o nome genérico de Xangô, talvez porque naquelas regiões existissem muitos filhos de Xangô entre os negros que vieram da África. (Fonte: livro Orixás - Editora Três)

•Tambor de mina - É o termo pelo qual é conhecida a religião que os descendentes de negros africanos de origem jeje e nagô trouxeram para o Maranhão. É uma manifestação da religiosidade popular maranhense que tem lugar em casas de culto conhecidas como terreiros. É uma religião de possessão, onde os iniciados recebem entidades espirituais cultuadas pelo seu pai de santo em rituais conhecidos como tambor. Nos rituais são utilizados tambores, cabaças, triângulos e agogôs. Mediante o toque dos instrumentos, os iniciados, em grande parte mulheres, vestidas com roupas específicas para o ritual, dançam e incorporam as entidades espirituais. Em São Luís, duas casas de culto africano deram origem a esta forma de manifestação da religiosidade dos negros: a Casa das Minas e a Casa de Nagô. A Casa das Minas foi fundada por negras trazidas do reino do Daomé (hoje Benim), habitado por negros Mina. Nesse terreiro são recebidas entidades espirituais denominadas voduns. A Casa de Nagô, também fundada por descendentes de africanos, deu origem aos demais terreiros de São Luís, onde são recebidas entidades caboclas de origem européia ou nativa. (Fonte: City Brasil - Maranhão)

• Orixás (deuses) - Cada orixá tem o seu símbolo, o seu dia da semana, suas vestimentas e cores próprias. Os 12 orixás mais cultuados no Brasil são: Exu, Oxóssi, Obaluaê, Oxum, Iansã, Ogum, Ossaim, Oxumarê, Xangô, Nanã, Iemanjá e Oxalá. Exu é o orixá mensageiro entre os homens e os deuses, guardião da porta da rua e das encruzilhadas. Só através dele é possível invocar os orixás. Colar e roupa: vermelho e preto; Oxóssi é o deus da caça. É o grande patrono do candomblé brasileiro. Colar: azul claro. Roupa: azul ou verde claro; Obaluaê é o deus da peste, das doenças da pele. É o médico dos pobres. Colar: preto e vermelho, ou vermelho, branco e preto. Roupa: vermelha e preta, coberta por palha; Oxum é a deusa das águas doces (rios, fontes e lagos). É também deusa do ouro, da fecundidade, do jogo de búzios e do amor. Colar e roupa: amarelo ouro; Iansã é a deusa dos ventos e das tempestades. É a senhora dos raios e dona da alma dos mortos. Colar: vermelho ou marrom escuro. Roupa: vermelha; Ogum é o deus da guerra, do fogo e da tecnologia. No Brasil é conhecido como deus guerreiro. Sabe trabalhar com metal e, sem sua proteção, o trabalho não pode ser proveitoso. Colar: azul-marinho. Roupa: azul, verde escuro, vermelho ou amarelo; Ossaim é o deus das folhas e ervas medicinais. Conhece seus usos e as palavras mágicas (ofós) que despertam seus poderes. Colar: Branco rajado de verde. Roupa: branca e verde claro; Oxumarê é o deus da chuva e do arco-íris. É, ao mesmo tempo, de natureza masculina e feminina. Transposta a água entre o céu e a terra. Colar: amarelo e verde. Roupa: azul claro e verde claro; Xangô é o deus do fogo e do trovão. Diz a tradição que foi rei de Oyó, cidade da Nigéria. É viril, violento e justiceiro. Castiga os mentirosos e protege advogados e juízes. Colar e roupa: branco e vermelho; Nanã é a deusa da lama e do fundo dos rios, associada à fertilidade, à doença e à morte. É a orixá mais velha de todos e, por isso, muito respeitada. Colar: branco, azul e vermelho. Roupa: branca e azul; Iemanjá é considerada deusa dos mares e oceanos. É a mãe de todos os orixás e representada com seios volumosos, simbolizando a maternidade e a fecundidade. Colar: transparente, verde ou azul claro. Roupa: branca e azul; Oxalá é o deus da criação. É o orixá que criou os homens. Obstinado e independente, é representado de duas maneiras: Oxaguiã, jovem, e Oxalufã, velho. Colar e roupa: branco. (Fonte: Super Interessante, janeiro 1995)

• Sincretismo - São comuns, nas festas populares baseadas no calendário religioso, manifestações de sincretismo afro-cristão, que fundem os orixás do candomblé com os santos católicos. Na religião católica Exu é representado por Sto Antônio (festa dia 13 de junho) e São Benedito (dia 5 de outubro); Omolu/ Obaluaê por São Lázaro (dia 17 de dezembro) e São Roque (dia 16 de agosto); Nanã por Sta Ana (dia 26 de julho); Xangô por São Jerônimo (dia 30 de setembro), São José (dia 19 de março), São João (dia 24 de junho) e São Pedro (dia 29 de junho); Iansã/Oiá por Sta Bárbara (dia 4 de dezembro); Obá por Sta Joana d'Arc (dia 30 de maio); Ogum por São Jorge (dia 23 de abril) ou São Sebastião (dia 20 de janeiro); Oxóssi por São Sebastião (dia 20 de janeiro) ou São Jorge (dia 23 de abril); Oxumaré por São Bartolomeu (dia 24 de agosto); Logunedê por Sto Expedito (dia 19 de abril) ou São Miguel (dia 29 de setembro); Oxalá jovem (Oxaguiã) pelo Menino Jesus (dia 24 de dezembro) e Oxalá velho (Oxalufã) pelo Senhor do Bonfim (2o domingo depois do Dia de Reis); Iemanjá por N. Sra. das Candeias (dia 2 de fevereiro); Oxum por N. Sra. da Conceição (dia 8 de dezembro); Euá por N. Sra. das Neves (dia 5 de agosto); Ibeji (Vungi) pelos santos Cosme e Damião (dia 27 de setembro). (Fonte: Orixás - Pallas Editora)

• Iemanjá - A festa de Iemanjá é realizada na madrugada do primeiro dia do ano, no Sul e no Sudeste, e em Salvador no dia 2 de fevereiro, dia de N. Sra. da Candelária (da Luz ou das Candeias). Entregam-se flores e outras oferendas à Iemanjá (ou Janaína), principal orixá feminino, mãe de todos os orixás, considerada deusa dos mares e oceanos, rainha das águas e sereia do mar. Segundo o livro Orixás, da Editora Três, "na África, a origem de Iemanjá é um rio que vai desembocar no mar. De tanto chorar com o rompimento com seu filho Oxóssi, que a abandonou e foi viver escondido na mata junto com o irmão renegado Ossaim, Iemanjá se derreteu, transformando-se num rio que foi desembocar no mar." Iemanjá na religião católica corresponde a Nossa Senhora.

• Lenda de Iemanjá - Quando Obatalá e Odudua se casaram, tiveram dois filhos: Iemanjá (o mar) e Aganju (a terra). Os irmãos se casaram e tiveram um filho, Orungã (o ar). Quando cresceu, Orungã apaixonou-se pela mãe. Um dia, aproveitando a ausência do pai, tentou violentá-la. Iemanjá conseguiu escapar e fugiu pelos campos. Quando Orungã já a alcançava, ela caiu ao chão e morreu. Então seu corpo começou a crescer até que seus seios se romperam e deles saíram dois grandes rios, que formaram os mares; e do ventre saíram os orixás que governam as 16 direcões do mundo: Exu, Ogum, Xangô, Iansã, Ossain, Oxóssi, Obá, Oxum, Dadá, Olocum, Oloxá, Okô, Okê, Ajê Xalugá, Orum e Oxu. (Fonte: Orixás - Pallas Editora)

• São Sebastião - A Igreja Católica festeja São Sebastião com missas e procissões no dia 20 de janeiro. Nessa mesma data ele é festejado pelas comunidades dos cultos religiosos afro-brasileiros em seus terreiros e barracões. No Candomblé São Sebastião é sincretizado com Ogum, deus da guerra, e na Umbanda é sincretizado com Oxóssi, deus da caça. Em outros rituais ele é sincretizado com Omulú e Obaluayê, por causas das chagas causadas pelos ferimentos causados pelas flechas. São Sebastião é muito venerado em todo o Brasil, onde muitas cidades o têm como padroeiro, entre elas, a cidade do Rio de Janeiro. Em sua honra, dramatiza-se em Conceição da Barra (ES), a 19 e 20 de janeiro, o Alardo, dança dramática do grupo dos folguedos de cristãos e mouros (Chegança). Ele é o protetor dos atletas, dos soldados e guardião do amor, devido à demonstração de amor e fé dedicada aos princípios fundamentais do cristianismo.

• São Cosme e São Damião - Eram gêmeos que foram martirizados no dia 27 de setembro de 287, na Egéia, Cíclica, Ásia Menor, durante a perseguição do imperador Diocleciano. Foram canonizados pela Igreja Católica e hoje são patronos dos cirurgiões. No Brasil, são defensores da fome, das doenças do sexo e dos partos duplos. No Candomblé os santos Cosme e Damião são sincretizados com Ibeji (Vungi). No dia que lhes é consagrado, 27 de setembro, recebem homenagens promovidas por pagadores de promessa, que deve estender-se por 7 anos. Alguns devotos fazem a festa de mesa, quando 7 crianças (ou outro múltipo de 7), sentam-se em uma mesa com bolo, doces e refrigerantes. No RJ, as ruas enchem-se de crianças em correria à procura de brinquedos e saquinhos de doces, decorados com as figuras dos santos, ofertados por devotos. Nos saquinhos, encontram-se diferentes tipos de doces: cocada, pé-de-moleque, maria-mole, doce-de-leite, balas. Os devotos também costumam destinar alguns doces e refrigerantes para serem colocados em frente às suas imagens num altar, onde também são acesas velas. Na Bahia, Dois-dois é o nome que o povo dá aos santos. No dia deles são oferecidas refeições à 7 crianças, seguindo-se o almoço dos adultos e danças, diante do altar com as imagens dos santos. É comum as estampas de Cosme e Damião incluírem uma criança representando Doum que, segundo a crença popular, era filho de uma empregada da família dos gêmeos e morreu no dia seguinte ao martírio dos irmãos.

• São Jorge - Conhecido como o santo guerreiro, São Jorge é um santo muito popular, cultuado não somente nas igrejas católicas como também em terreiros de todas as linhas. É festejado no dia 23 de abril, com procissões católicas e atividades nos terreiros. No Candomblé São Jorge é sincretizado com Oxóssi, deus da caça, e na Umbanda é sincretizado com Ogum, deus da guerra. Justiceiro, protetor dos oprimidos e injustiçados, é o patrono de corporações militares, escolas de samba, clubes de futebol. É bom ter um pé de espada-de-são jorge plantado no jardim das casas que ficam, assim, protegidas de todo o mal. A espada-de-são jorge é uma planta muito usada nos banhos e libações (derramamento de líquido em um altar).

• Banho-de-cheiro - O banho-de-cheiro é muito usado nas religiões afro-brasileiras. É um banho aromático preparado com ervas, cascas de plantas, flores, essências e resinas, que tem o poder de conservar a felicidade, afastar o azar, readquirir os favores da sorte e acabar com o mau-olhado. O banho-de-cheiro nordestino é feito com sete plantas: arruda, alecrim, manjericão, malva-rosa, malva-branca, manjerona e vassourinha. Nos banhos de cheiro não se usa sabonete nem toalha. Os melhores dias para tomar banho-de-cheiro são os seguintes: Ano-Novo, Sábado de Aleluia, dia de São João, Natal e antes de casar. (Fonte: Dicionário de Folclore para Estudantes)

• Missa afro - Missa onde os rituais católicos misturam-se às tradições afro-brasileiras. É um rito católico inculturado, a partir dos valores africanos, celebrado ao som de atabaques e cantos afros. Não há sincretismo, isto é, elementos dos cultos africanos não são misturados à celebração. Na Paróquia N. Sra. Achiropita em São Paulo, além da missa afro, são celebrados batismos e casamentos afro.
fonte:www.lendorelendogabi.com/.../cultura_popular_e_folclore

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