UNEGRO - União de Negras e Negros Pela Igualdade. Esta organizada em de 26 estados brasileiros, e tornou-se uma referência internacional e tem cerca de mais de 12 mil filiados em todo o país. A UNEGRO DO BRASIL fundada em 14 de julho de 1988, em Salvador, por um grupo de militantes do movimento negro para articular a luta contra o racismo, a luta de classes e combater as desigualdades. Hoje,rumo mais de 31 anos de caminhada continua jovem atuante e combatente... Aqui as ações da UNEGRO-RJ

terça-feira, 22 de maio de 2018

25 DE MAIO: “DIA DA LIBERTAÇÃO AFRICANA”

“Dia da Libertação Africana”. A data marca a fundação da Organização da Unidade Africana, em 1963 em Addis Abeba, na Etiópia.Chefes de Estado africanos se reuniram na cidade de Adis Abeba, na Etiópia, em 25 de maio de 1963, para enfrentar a subordinação que o continente vinha sofrendo há tempos. A tal subordinação chamou-se colonialismo, neocolonialismo ou partilha da África, que até à data da reunião ainda sofriam de apropriação forçada das suas riquezas humanas e naturais. Participaram daquele momento histórico 32 Estados Africanos. Àquela altura, dois terços do continente havia alcançado a independência do domínio colonial. Nesta reunião a data de Dia da Liberdade da África foi alterada de 15 abril para 25 maio e renomeado para Dia da Libertação Africana. Desde então 25 de maio tornou-se a referência simbólica e pragmática dos objetivos estratégicos e políticos do movimento Pan-africano.

Apesar da conquista da independência formal, muitos países africanos não romperam totalmente suas relações com as ex-metrópoles e essa continuidade de opressão originou o surgimento do neocolonialismo, que se trata de um modelo de continuidade da dominação estrangeira na política e na economia das nações africanas. Ainda hoje as forças do capital e do racismo subjulgam a maior parte do território e da população do continente africano, em que pese a permanente luta desse povo.

Ao longo dos tempos, o continente africano sofreu vários flagelos, quer a nível político, econômico e social que mudaram para sempre o rumo da sua história. Em jeito de celebração, a cronologia apresentada retrata os momentos mais marcantes do continente-berço. No entanto, temos de prestar uma homenagem especial aos enormes combates travados pelos trabalhadores africanos contra o colonialismo e o neocolonialismo desde há vários séculos. Eles apresentaram esta luta anti-colonialista durante os tempos antigos de Europeu (Britânico, Francês, Alemão, Português, Belga, etc.) o imperialismo e posteriormente, quando a classe burguesa mundo entendeu que neo-colonialismo poderia servir melhor os seus interesses, também contra o imperialismo Americano, o Soviético e o mais recente Chinês e os seus respectivos cúmplices da burguesia
local.

"Para nós, afro-brasileiros e africanos da diáspora em todo o planeta, a data é importante para resgatar a importância deste continente, celebrar sua beleza, sua riqueza e principalmente exigir reparação histórica à todos os territórios e populações negras espoliadas pelo racismo e pela intolerância em todo o mundo."

"A África é um mosaico de povos com uma cultura antiga. Cada povo Africano tem a sua própria cultura, costumes, modo de vida, que, com algumas variações, está numa fase muito para trás, por razões bem conhecidas. O despertar da maior parte desses povos só recentemente começou.

De jure, os povos africanos, em geral, ganharam a sua liberdade e independência. Mas não pode haver nenhuma conversa de liberdade e independência genuína, uma vez que a maioria deles ainda está em um estado colonial ou neo-colonial. (...) Os imperialistas estão governando a maioria dos países africanos de novo através de suas preocupações, os seus capitais investidos na indústria, bancos, etc. A grande maioria da riqueza desses países continua a fluir para as metrópoles. (...)
A população Africano permaneceu culturalmente e economicamente subdesenvolvidas (...) A política seguida pelos grandes latifundiários, a burguesia reaccionária, os imperialistas e os neo-colonialistas se destina a manter os povos africanos em servidão permanente, na ignorância, dificultar o seu desenvolvimento social, político e ideológico, e de obstruir sua luta para ganhar esses direitos." (Enver Hoxha, O Imperialismo e a Revolução, Tirana, 1979, edição em Português)


Dos países africanos á angolana reforça, ainda, que a migração primária de povos africanos para o Brasil deve-se ao fato de “várias pessoas africanas terem sido levadas, forçadamente, ao Brasil como escravas”, fato que marca a diáspora africana no Brasil. “Portanto celebrar o dia 25 de maio é, também, uma forma de relembrar as lutas e consequentes conquistas do povo africano dentro e fora do continente”, declara. A formação, em que investe a mestranda, serve ainda como forma de se afirmar no país sul-americano e,
segundo ela, como maneira de ajudar na emancipação de seu país de origem.

Enfim este dia representa um profundo sentido da memória coletiva dos povos do continente africano e demonstra a verdadeira luta contra o colonialismo e a favor da soberania dos Estados Africanos.

Além da migração histórica dos povos africanos para o Brasil, há algumas décadas se desenvolve um intercâmbio cultural intenso entre estudantes brasileiros e africanos. Na semana do Dia da África, as instituições de ensino e cultura também celebram a cooperação entre os povos.

Um afro abraço.
Claudia Vitalino.

JAMAICA

Xaymaca, que significa terra da madeira e da água, a Jamaica foi o lar de cerca de 600.000 Tainos, um
pacífico povo ameríndio. Os Tainos deram as boas vindas aos espanhóis, com seus navios, armas e cavalos, honrando-os como deuses. Sob a colonização espanhola, no entanto, a população Taino toda foi aniquilada por uma combinação de trabalhos forçados, execuções em massa e doenças trazidas da Europa contra as quais não tinham imunidade. Em 1503, contrariando as ordens da Coroa Espanhola e percebendo o fim da sua vida, Colombo morou um ano na Jamaica. Após sua morte, a ilha foi herdada por seu filho, Diego, cujos descendentes ainda hoje carregam o título honorário de Marquês da Jamaica.
Em 1494, ao descobrir a região a que os índios aruaques e que mais tarde recebeu o nome de Jamaica, Cristóvão Colombo afirmou que aquela era a mais bela ilha que alguém já havia contemplado. A beleza das paisagens é, ainda hoje, o principal atrativo turístico da ilha, fundamental para seu desenvolvimento econômico.

'A Jamaica é um estado independente, membro da Comunidade Britânica de Nações. Está situada no mar do Caribe, a sul de Cuba e a oeste do Haiti. Com uma superfície de 10.991km2, é a terceira entre as maiores ilhas das Grandes Antilhas".
Habitada pelos índios aruaques, a Jamaica foi descoberta por Cristóvão Colombo em 1494 e por ele batizada de Santiago. Juan de Esquivel empreendeu sua conquista, autorizado por Diego Colombo, filho do descobridor, em 1509. Depois de um período inicial em que a família Colombo ali exerceu poder absoluto, a ilha foi governada até 1655 pelos espanhóis. A ausência de ouro na região levou os espanhóis a dedicarem pouca atenção à ilha, utilizando-a sobretudo como base de abastecimento para colonos de outras áreas americanas. Os nativos da ilha foram exterminados, o que deu início à importação de escravizados negros da África.
A situação estratégica da ilha, nas rotas do comércio colonial, atraiu a atenção dos ingleses, e em 1655 a Jamaica foi capturada pelo almirante William Penn e pelo general Robert Venables. Cinco anos mais tarde, todos os espanhóis tinham sido expulsos. Um grande grupo de escravos fugidos, refugiados no interior, conseguiu resistir às tropas invasoras durante 150 anos. Com a colonização inglesa, a Jamaica se transformou num dos mais fortes centros de contrabando e pirataria do Caribe. Da base em Port-Royal, no sudeste da ilha, os piratas se lançavam em ataques às Antilhas espanholas.

Pelo Tratado de Madri, de 1670, a hegemonia inglesa foi reconhecida e os piratas passaram a ser perseguidos até a extinção. Em 1672 foi criada a Real Companhia Africana, à qual se concedeu o monopólio do tráfico de escravos, e a Jamaica se converteu num dos maiores centros desse comércio.
No século XVIII, o país alcançou grande prosperidade com as exportações de açúcar, café e cacau. Graças ao poderio britânico, fracassaram as tentativas de reconquista espanhola, em 1782, e conquista francesa, em 1806. Entretanto, a supressão do tráfico negreiro, em 1807, e da escravidão, na década de 1830, aceleraram o processo de decadência econômica iniciado com a crise da produção de açúcar, que se
transformou em crise aguda quando a revogação dos direitos alfandegários causou a derrocada dos preços dos produtos das colônias britânicas.

O Crescimento do Espírito de Independência
Enquanto magníficas Casas Grandes, como Rose Hall e Greenwood, eram construídas no meio aos vastos campos de plantação da cana, e as fortunas geradas pelo açúcar eram invejadas por muitos, o espírito de independência tomou formas diferentes entre fazendeiros e escravos.

Os escravizados os conheciam bem as histórias dos Maroons, descendentes dos escravos fugitivos dos colonizadores espanhóis, que os chamavam de “cimarrones”, que em espanhol significa, “fujões”. Os Maroons viviam nas montanhas, desafiavam as tropas britânicas, evitavam as plantações, e passaram a atrair cada vez mais fugitivos. Um tratado de paz assinado em 1739 concedeu-lhes autonomia sobre o local onde moravam, que eles ainda hoje mantêm.

Os fazendeiros também se rebelaram. Quando as 13 colônias americanas declararam a independência da Grã-Bretanha, a Assembléia Legislativa da Jamaica votou para se juntar a eles, provavelmente porque a maioria do seu comércio era feito com a América. Naquela época, a Espanha, a França e a Holanda também declararam guerra à Inglaterra. A Jamaica então passou a ser comandada por um jovem oficial da marinha chamado Horatio Nelson. Uma placa no Forte Charles em Port Royal lembra aos visitantes: “Você que trilha suas pegadas, lembre-se também da glória que ele trouxe.

O desalojamento dos posseiros negros de terras antes abandonadas causou a insurreição de Morant Bay, em 1865, cruelmente reprimida. No ano seguinte, o Parlamento britânico estabeleceu no país o governo de poder único, executivo e legislativo. A insatisfação com a política colonial levou à formação, em 1938, de um movimento pela independência da ilha. Em 1944, uma nova constituição estabeleceu uma câmara legislativa eleita por sufrágio universal.

Emancipação -Um período de depressão econômica e instabilidade social seguiu-se após a abolição da
escravatura em 1838. Em 1865, a Rebelião de Morant Bay foi um marco importante na história da ilha. Seus líderes, um diácono batista chamado Paul Bogle e um empresário rico de Kingston, George William Gordon, foram ambos executados e hoje são considerados heróis nacionais da Jamaica. Em meio ao pânico que se seguiu à rebelião e os seus desdobramentos brutais, a Assembléia Legislativa da Jamaica votou pela revogação da sua independência, e a ilha voltou a se tornar uma colônia da Coroa sob domínio da Grã-Bretanha.
A Jamaica se tornou uma combinação de muitas nacionalidades. Unidas à maioria negra, uma minoria européia e uma crescente população mestiça testemunhou o crescimento de uma próspera classe média de profissionais à qual foram acrescentados imigrantes da Índia e da China. Vindos como trabalhadores contratados para as fazendas de açúcar, rapidamente mudaram-se para outras ocupações. A antiga comunidade judaica expandiu-se e comerciantes árabes chegaram à ilha. Esta fusão de diversas nações formou a base do lema nacional da Jamaica, “Out of Many, One People” (“Resultado de Muitos, Um só Povo”).
A vontade de vencer levou muitos jamaicanos ao exterior. Eles saíam em busca de inúmeros desafios: lutar nas guerras da Grã-Bretanha, construir o Canal do Panamá, plantar cana de açúcar em Cuba, cultivar o mogno em Belize e buscar fama e fortuna. Jamaicanos espalharam o seu talento e sua visão por todo o mundo, fundando comunidades que cresceram e prosperaram.Em 1958, a Jamaica passou a fazer parte da Federação das Índias Ocidentais, dentro da Comunidade Britânica de Nações. As eleições de 1962 foram vencidas pelo Partido Trabalhista Jamaicano, e seu líder, Alexander Bustamante, passou a ser o primeiro-ministro. No mesmo ano, a 6 de agosto, o país proclamou-se independente. No governo de Michael Manley, do Partido Nacionalista do Povo, eleito em 1972, a Jamaica estreitou seus vínculos com o Terceiro Mundo, em especial com os países do Caribe.

Eleito em 1980, o trabalhista Edward Seaga levou o país a participar da invasão de Granada, em 1983. Manley retornou ao poder nas eleições de 1989 e reatou as relações da Jamaica com Cuba. Após renunciar
por motivo de doença, Manley foi sucedido, em março de 1992, por Percival John Patterson, do mesmo partido.

Um afro abraço 

Claudia Vitalino.
Fonte: Enciclopédia Barsa/www.minhajamaica.com/.

quarta-feira, 2 de maio de 2018

Angela Yvonne Davis á professora e filosofá socialista...

Nasceu Yvonne Davis é uma militante histórica que participou nos Estados Unidos dos processo de luta pelos direitos do povo negro.

Pós-doutoranda em Ciências da Comunicação pela ECA-USP, professora do Centro de Estudos Latino-Americanos sobre Cultura e Comunicação da USP, integrante da Cojira-SP (Comissão de Jornalistas pela Igualdade Racial), autora e organizadora de diversos livros, entre eles Espelho infiel: o negro no jornalismo brasileiro, mídia e racismo, Rosane Borges escreveu a orelha do livro Mulheres, raça e classe, da ativista norte-americana Angela Davis, lançado no Brasil pela Editora Boitempo.

Angela Davis é mulher, negra, comunista e feminista, um conjunto de características que sinaliza para um ativismo considerado perigoso para o establishment. Colaboradora do blog da editora, Rosane ressalta que Angela Davis é uma mulher que pertenceu a uma geração em que a luta política foi uma arena fundamental para a mudança do mundo. “Sabemos o quanto os anos 60 do século passado se constituíram numa década importante para a transformação social”,

Trajetória -Militou arduamente na campanha dos Direitos Civis na década de 60 e nas lutas pelo fim da intervenção estadunidense no Vietnã, na Guatemala, em El Salvador e em outros países; demandas articuladas com campanhas por postos de saúde em bairros pobres, distribuição de comida para famílias, arrecadação de artigos médicos de urgência nas comunidades, entre outras.

Condecorada com o prêmio Lenin da Paz, depois de visitar a União Soviética em 1979, onde trabalhou como professora honorária na Universidade de Moscou, Angela foi alvo de uma das maiores campanhas
internacionais de libertação de presos e uma da figuras mais importantes na historia da militância comunista nos Estados Unidos.

Herdeira das tradições de luta das mulheres pelo direito ao voto, tem também ascendência combativa das lutadoras dirigentes do movimento de resistência à escravidão.

Hoje, aos 70 anos, ocupa a Cátedra Presidencial da Universidade da Califórnia no Departamento de Estudos Afroamericanos e permanece em luta, agora pela abolição do sistema penitenciário em seu país e internacionalmente. Também participa da campanha pela libertação dos Cinco Heróis cubanos, reconhecendo sua luta como legítima contra o terrorismo.

-Angela foi tocada pela luta anti-racista na campanha pacífica de boicote ao transporte público após o caso Rosa Parks, em 1955, que inspirou Luther King às reivindicações contra os assentos separados nos ônibus, um insulto ao povo negro.

Black Panther -Finalmente, ela adere ao Black Panther Party, organização revolucionária que rejeita tanto o integracionismo quanto o separatismo. Criado em 1966 por Bobby Seale e Huey P. Newton, dois estudantes de Oakland, era para ser pacífico. No início, se chamavam de “os pombos”. Mas o pombo, delicado e arrulhador, não estava dando certo. Influenciados por outro líder negro ilustre, Malcolm X, eles endurecem. Para responder com violência à violência dos brancos, adotam o símbolo da pantera negra.

Chamada de ativista do abolicionismo do século XXI, afirma que é preciso desmanchar os mecanismos de opressão e não passá-los para as mãos daqueles que os criticam. “o desafio do século XXI não é reivindicar oportunidades iguais para participar da maquinaria da opressão, mas, sim, identificar e desmantelar aquelas estruturas nas quais o racismo continua a ser firmado. Este é o único modo pelo qual a promessa de liberdade pode ser estendida às grandes massas. Pode analisar essa afirmação?

É uma afirmação que pode ser verificada no cotidiano, dentro das instituições, ainda que pouco levada a efeito. No Brasil, temos exemplos flagrantes de um processo excludente, cuja transposição só é possível se implodirmos, digamos assim, a maquinaria da opressão. A Marcha das Mulheres Negras, realizada em novembro de 2015, foi um ato de coragem que nos leva a tomar uma posição radical em relação ao horizonte das reivindicações da população negra.

O racismo estrutural, o racismo institucional e o racismo de Estado se configuram num tripé que nos informa que as práticas racistas são a normalidade do mundo, são constitutivas das instituições, ou como disse bela e secamente o ator negro Will Smith, “o racismo faz parte da fibra de que a América é tecida, o racismo existe em cada fibra da América”. Em sendo a fibra que nos constitui, é preciso desfibrar, desmontar os aparelhos e aparatos que, embora proclamem a interdição do racismo e do sexismo, estão assentados em suas bases. O professor de Direito da Universidade Presbiteriana Mackenzie, Silvio Almeida, vem sistematicamente apontando para a importância da análise desses três tipos de racismo, que
andam sempre conjugados. Para ele, no Brasil, a exclusão, a subalternização, o tratamento inferiorizado das pessoas de pele negra estão na essência da lógica das relações sociais. Ele destaca que, em um país onde mais da metade da população é negra, a ausência de pessoas desse grupo racial nos lugares de poder é vista com certa normalidade. “A sociedade é alheia ao fato de não haver paridade de pessoas negras como integrantes das instituições; ou, se fazem parte delas, estão sempre em condições de subalternização. Para combater o racismo será preciso reaprender. Negros foram criados numa sociedade que ensina o tempo todo qual é o seu lugar.” Ainda segundo Almeida, as instituições, enquanto espaço de interação, são também aparelhos ideológicos em que as práticas são reproduzidas e as políticas são externalizadas. Para o professor, “não existe racismo sem Estado, que reproduz as condições para que as desigualdades se manifestem”. Ora, essa constatação serve de farol para uma política reivindicatória, que nunca aderiu a discursos, alguns oficiais, que diziam ser o racismo uma prática individual, simplesmente circunstancial, episódico mesmo. Isso corresponde à mudança estrutural das instituições, dos costumes, da política. 

Não se acaba com a exploração de caráter racial e de gênero apenas com a adoção de políticas públicas. Não estou desconsiderando que elas tenham sua importância, mas são insuficientes quando escutamos esse chamado da Angela Davis. Como disse, a Marcha das Mulheres Negras, que veio com o lema “Contra o racismo e pelo bem viver”, foi mais um ponto de inflexão do feminismo negro brasileiro, ao dizer categoricamente que o padrão, o modelo de política em voga, ainda que progressista, não nos interessa mais. É preciso avançar. E o avanço se dá a partir de novas bases, de um novo desenho, de novas formas de pensamento, de outros postulados teóricos, de outra gramática política, enfim.

 "Não nos cabe apenas ocupar cargos, funções, mas construir novas dinâmicas e arranjos sociais. Acreditando que a tomada desse princípio em sua radicalidade supõe um enfrentamento do Estado e do capitalismo"

Longo caminho- A América mudou muito desde o tempo em que a menina de 12 anos boicotava um ônibus porque os negros não tinham o direito de andar ao lado dos brancos nos transportes públicos. Ângela reconhece os progressos. Em sua juventude, raros eram os negros no ensino superior. Hoje, eles são
milhões. Mas a estrada é longa ainda, ela repete. Diante da observação de que uma coisa inacreditável aconteceu, a eleição de um negro para a Presidência dos Estados Unidos, ela modera o entusiasmo. “Hoje, ninguém na Casa Branca parece se preocupar com o fato de que 1 milhão de negros estão nas prisões americanas.”

Um afro abraço.
Claudia Vitalino.
fonte:

O Caso da queima dos arquivos logo a após a proclamação da República e, também, da abolição da escravização

Esse assunto, a queima dos arquivos, foi esgotado em estudo de Américo Jacobina Lacombe, que argumentou em favor da memória do advogado, j...