UNEGRO - União de Negras e Negros Pela Igualdade. Esta organizada em de 26 estados brasileiros, e tornou-se uma referência internacional e tem cerca de mais de 12 mil filiados em todo o país. A UNEGRO DO BRASIL fundada em 14 de julho de 1988, em Salvador, por um grupo de militantes do movimento negro para articular a luta contra o racismo, a luta de classes e combater as desigualdades. Hoje,rumo mais de 31 anos de caminhada continua jovem atuante e combatente... Aqui as ações da UNEGRO-RJ

sábado, 14 de outubro de 2017

Martin Luther King Jr, foi pessoa mais jovem até então a receber o Prêmio Nobel da Paz

'Eu tenho um sonho' continua atual por mensagem pelos direitos civis nos EUA projetar-se para o mundo inteiro


Dia 14 de outubro de 1964.
“O prêmio constitui, acima de tudo, um tributo à boa vontade de milhões de pessoas. Sinceramente, não o considero uma honraria pessoal, mas um tributo à disciplina, à sensatez, à moderação e à grande coragem de milhões de valorosos cidadãos negros e brancos de boa vontade, que escolheram o caminho da não-violência para chegar ao reino da justiça e do amor em nosso próprio país. Devo admitir, no entanto, que este é o momento mais emocionante de minha vida.

Martin Luther King já era conhecido mundialmente por sua liderança pacífica pelos direitos dos negros na Terra do Tio Sam. Em 28 agosto de 1963, proferiu o famoso discurso do “I have a dream”, para mais de 250 mil pessoas, em Washington. No fim do ano, a revista Time o elegeu o Homem do Ano.

King recebeu o prêmio em cerimônia realizada no dia 10 de dezembro de 1964, em Oslo, na Noruega. Ele foi a pessoa mais jovem a receber o Nobel da Paz

O discurso: “Eu tenho um sonho”, que o reverendo Martin Luther King Jr. proferiu durante a Marcha em Washington por Emprego e Liberdade em 28 de agosto de 1963, continua reverberando nos EUA e mundo afora exatos 50 anos depois. Grande parte do seu impacto, dizem analistas, deve-se ao fato de não ter sido um discurso apenas para negros, ou só para cristãos, mas para todos os americanos – e, de certa forma, para todos que buscam uma sociedade mais justa. É por isso também que, passado meio século, ele não envelheceu.

Martin iniciou seu pronunciamento em ritmo lento, lendo um texto preparado com antecedência com referências à retórica igualitária da Constituição americana e à Declaração de Independência. Ao fim, falando de improviso, ele comoveu a multidão que o ouvia com uma mensagem de esperança. “Digo a vocês hoje, meus amigos, mesmo que enfrentemos dificuldades hoje e amanhã, eu ainda tenho um sonho. Um sonho profundamente enraizado no sonho americano”, declarou. No trecho espontâneo, ele também se apropriou de versos da canção nacionalista popular "My Country ‘Tis of Thee" (Meu País é de Vocês", em tradução livre).

A frase-chave do discurso ganhou o mundo e pode ser encontrada em lugares tão díspares como em murais no subúrbio de Sidney (Austrália), em placas de trem em Budapeste (Hungria), ou em cartazes do Dia da Consciência Negra em São Paulo. Durante os protestos de 1989 na Praça da Paz Celestial, China, alguns manifestantes carregaram pôsteres com a foto de King e os dizeres “Eu tenho um sonho”. No muro que separa Israel da Cisjordânia, recentemente alguém pichou “Eu tenho um sonho. E isto aqui é não é parte do sonho”.


- "Com a sua excelente oratória, o Dr. Martin Luther King teve como objetivo encorajar a nova geração a eliminar o racismo, criando uma sociedade melhor para o futuro. Além disso, também foram mencionados passos que deveriam ser seguidos para alcançar a igualdade racial".

O historiador Gary Yougue, autor de dois livros sobre King, a força do discurso reside na possibilidade muito ampla de interpretação, fazendo com que todos (ou quase) concordem com o que foi dito. Embora a luta pelo fim da segregação racial nos EUA tenha sido dura e polarizada, a fala do reverendo conseguiu incluir a todos.

“Mas não importa a interpretação, o discurso continua sendo a mais eloquente e poética articulação pública da vitória do movimento pelos direitos civis”, afirma Youge em seu livro "The Story Behind Martin Luther King’s Dream" ("A História por Trás do Sonho de Martin Luther King", em tradução livre). Ele lembra que, embora o racismo ainda persista, “ninguém hoje em dia faz seriamente campanha pela volta da segregação ou abertamente lamente seu fim”.

Em 1999, um levantamento feito por pesquisadores da Universidade de Wisconsin-Madison com acadêmicos de renome “elegeu” o discurso de King como o mais importante do século 20. Em 2008, uma pesquisa de opinião pública nos EUA mostrou que apenas 4% dos americanos não conheciam o famoso “Eu tenho um sonho” de King, com 68% dos entrevistados o tendo apontado como relevante para sua geração.


Se liga na historia: Martin Luther King Jr. foi um pastor protestante e ativista político estadunidense. Tornou-se um dos mais importantes líderes do movimento dos direitos civis dos negros nos Estados Unidos, e no mundo, ..
Nascimento: 15 de janeiro de 1929, Atlanta, Geórgia, EUA
Altura: 1,69 m
Assassinato: 4 de abril de 1968, Memphis, Tennessee, EUA
Prêmios: Prêmio Nobel da Paz, Pessoa do Ano,
Filhos: Martin Luther King III, Yolanda King, Dexter Scott King, Bernice King

Mas é de se imaginar o que ele iria pensar da adulação quase devota que recebia de pessoais.
Ele achava desconfortável ser colocado em um pedestal quando tudo o que ele queria era acabar com a injustiça da segregação.
-Aos domingos, na sua Igreja Batista Ebenezer em Atlanta, King costumava dizer à sua congregação, sem ser muito específico, que ele era um “pecador”.
E acrescentava: “Há um monstro em cada um de nós... você não precisa sair por aí esta manhã dizendo que Martin Luther King é um santo” mais um homem negro que fez 
diferença
Um afro abraço.
Claudia Vitalino.

fonte: youtube

terça-feira, 10 de outubro de 2017

A Guerra Civil dos Estados Unidos e a crise da escravidão no Brasil*

1863: Estados Unidos abolem a escravidão
Em 1° de janeiro de 1863, entrava em vigor o Ato de Emancipação assinado pelo presidente Abraham Lincoln. O ponto central da lei era a libertação de cerca de 4 milhões de escravos negros.

A abolição visava também acabar com os maus-tratos impostos aos negros nos EUA
"Não haverá tranquilidade nem sossego na América enquanto o negro não tiver garantidos os seus direitos de cidadão… Enquanto não chegar o radiante dia da justiça… A luta dos negros por liberdade e igualdade de direitos ainda está longe do fim", declarou Martin Luther King na lendária marcha pelos direitos civis rumo a Washington em 1963.

Essa era a situação nos Estados Unidos cem anos após a abolição da escravatura através da chamada Emancipation Proclamation, promulgada a 1° de janeiro de 1863 pelo presidente Abraham Lincoln.

Desde o início da colonização, em 1619, quando os primeiros escravos chegaram a Jamestown, os problemas da escravidão e a luta pela libertação dos negros marcaram a história dos EUA e, muitas vezes, dividiram a nação.

Às vésperas da Guerra da Secessão (1861–1865), 8 milhões de brancos e 4 milhões de negros (cerca de 500 mil livres) viviam no Sul dos EUA. A estrutura agrária servia de argumento para se afirmar a necessidade da escravidão na região. A discriminação racial era justificada pela crença na suposta desigualdade entre os seres humanos.

Estopim do conflito- Quando o Congresso proibiu oficialmente a importação de escravos em 1808,
ninguém imaginava que as divergências entre o Norte industrializado e o Sul agrícola fossem se agravar tanto, a ponto de culminar numa guerra civil. A escravidão foi o estopim do conflito, mas suas causas foram um complexo emaranhado de fatores socioeconômicos e político-culturais.

Na primeira fase do conflito, o Norte lutou pela unidade da nação e não pela abolição da escravatura. Tanto que o presidente Abraham Lincoln escreveu a um jornalista: "Se eu pudesse salvar a união sem libertar um único escravo, eu o faria".
Ao ver que os nortistas não conquistavam vitórias decisivas, Lincoln aderiu às reivindicações dos republicanos radicais e abolicionistas, e transformou a guerra contra os "Estados rebeldes" numa luta contra a escravidão.

Proibição tardia- Os Estados do Norte vincularam ao Ato de Emancipação de 1° de janeiro de 1863 uma reestruturação do sistema social do Sul. Os negros passaram a ser recrutados pelo exército nortista, mas a proclamação de Lincoln não significou uma abolição institucionalizada da escravatura.
Os 4 milhões de negros ainda tiveram de esperar até dezembro de 1865, quando o Congresso proibiu oficialmente a escravidão nos Estados Unidos através da 13ª Emenda Constitucional.

Pelo artigo suplementar 14, os negros obtiveram direitos iguais aos brancos em 1868. Dois anos mais tarde,
o artigo 15 garantiu-lhes a igualdade de direito eleitoral. Estados como Carolina do Sul, Mississippi e Louisiana, porém, deram um jeito de burlar os direitos dos escravos libertados, mantendo restrições legais, os chamados black codes.
Alguns Estados e municípios, não só no Sul dos EUA, encontram ainda hoje meios e caminhos para "manter o negro em seu lugar". Vinculam, por exemplo, o direito de votar a complicadas provas ou inatingíveis patamares de renda mínima.

Igualdade não concretizada- Uma situação que persiste até a atualidade, segundo Martin Luther King 3º, filho do líder negro assassinado: "Naturalmente, hoje temos liberdade de opinião, imprensa e religião. Mas algumas outras liberdades faltam. Basta pensar, por exemplo, nos altos escalões empresariais, claramente dominados por homens brancos. Por isso, temos de nos esforçar para sermos a nação que pretendemos ser".

Se liga: A Declaração de Emancipação de Lincoln não conseguiu acabar, de repente, com a humilhação da raça negra. Ela também não impediu a violência contra os negros. Ao contrário, motivou até mesmo a criação de sociedades secretas, como a Ku Klux Klan, que estabeleceram como objetivo manter a hegemonia branca no Sul do país. Uma prova do êxito desse tipo de organização é que somente em 1967 foram anuladas as últimas leis de proibição de casamentos mistos.

E o Brasil ? - Guerra Civil norte-americana (1861-1865) conformou o quadro da crise da escravidão no
Brasil. Para tanto, ele é desenvolvido em dois planos. O primeiro se refere ao impacto político direto da Guerra Civil, da abolição em 1865 e da Reconstrução sobre o debate político e as deliberações parlamentares relativas à escravidão no Brasil, com as lentes especialmente voltadas para o período de 1861 a 1871. O segundo se reporta ao impacto do notável crescimento econômico dos Estados Unidos postbellum sobre as relações sociais escravistas do Império do Brasil, após a aprovação da lei do ventre livre em 1871.
Para finalizar, gostaria de registrar duas dimensões específicas do impacto da Guerra Civil norte-americana sobre a escravidão brasileira, cada qual com tessituras temporais distintas.56 Em primeiro lugar, o impacto direto, observável pelos atores coevos, com desdobramentos evidentes no encaminhamento político da matéria. Foi esse impacto que levou tanto à proposição e aprovação da lei do ventre livre, como à conformação um campo de experiências que orientou a atuação dos atores políticos e sociais do Império do Brasil após 1871. A cada debate público em que se evocava o passado e o presente globais, a experiência dos Estados Unidos informava os horizontes de atuação disponíveis aos atores brasileiros. Mesmo que tenha sido utilizada quase que exclusivamente pelos abolicionistas, a trajetória norte-americana estava aberta a múltiplas leituras, como exemplo concreto e como arma retórica. Em segundo lugar, o impacto da reorganização da economia mundial que se seguiu à Guerra Civil. Pouco compreendida pelos contemporâneos, talvez esta tenha sido a força mais decisiva a conformar o campo de atuação disponível aos brasileiros daquela época. A crise da escravidão brasileira, com polarizações regionais a travejá-la a
cada passo, deve ser compreendida como uma crise econômica com dimensões globais, que estabeleceram os limites do possível no processo de transformação histórica local. A abolição da escravidão em 1888 resultou de ações e decisões tomadas dentro dos marcos do Estado nacional brasileiro, por múltiplos atores sociais. 57 Mas, sem o acontecimento da Guerra Civil norte-americana, o fim da escravidão do Brasil não teria se dado como se deu. Muito provavelmente, a instituição teria entrado vigorosa no século XX – e sabe-se lá quando teria sido abolida.

Um afro abraço.
Claudia Vitalino.
fonte: http://p.dw.com/p/1Ym1

sexta-feira, 6 de outubro de 2017

Luiz Gama, o poeta abolicionista baiano

Luiz Gonzaga Pinto da Gama nasceu no dia 21 de junho de 1830, no estado da Bahia. Era filho de um fidalgo português e de Luiza Mahin, negra livre que participou de diversas insurreições de escravos.

A POESIA LIBERTÁRIA ...
A poesia de Luiz Gama se destaca por ir de contra o lirismo abordado na época em que viveu e principalmente pela forma ao qual o poeta de maneira satírica transplantava qualificativamente seu ideal a favor da cultura negra e da defesa desta identidade. Em 1859, quando trabalhava na Secretária de Policia, publicou pela tipografia Dois de Dezembro, de São Paulo, suas sátiras com o pseudônimo de Getulino. Seu livro, Primeira trovas burlescas, foi publicado em 1859, livro este que possui por assim dizer, um dos seus mais conhecidos poemas denominado “Quem sou eu?” popularmente chamado de “Bodarrada”, nome este que vem da palavra “bode” que na gíria da época significava mulato, negro. Nesta parte grandiosa do poema vemos uma critica consciente e não elitizada, nos versos:
“[...]Eu bem sei que sou qual grilo 
De maçante e mau estilo;
E que os homens poderosos
Desta arenga receosos
Hão de chamar-me — tarelo,
Bode, negro, Mongibelo;
Porém eu que não me abalo,
Vou tangendo o meu badalo
Com repique impertinente,
Pondo a trote muita gente.
Se negro sou, ou sou bode
Pouco importa. O que isto pode?
Bodes há de toda a casta,
Pois que a espécie é muito vasta.
Há cinzentos, há rajados,
Baios, pampas e malhados,
Bodes negros, bodes brancos,
E, sejamos todos francos,
Uns plebeus, e outros nobres,
Bodes ricos, bodes pobres,
Bodes sábios, importantes,
E também alguns tratantes
Aqui, nesta boa terra
Marram todos, tudo berra;
Nobres Condes e Duquesas,
Ricas Damas e Marquesas,
Deputados, senadores,
Gentis-homens, veadores;
Belas Damas emproadas,
De nobreza empatufadas;
 Repimpados principotes,Orgulhosos fidalgotes,
Frades, Bispos, Cardeais,
Fanfarrões imperiais,
Gentes pobres, nobres gentes                                 
Em todos há meus parentes.
Entre a brava militança
Fulge e brilha alta bodança;             
Guardas, Cabos, Furriéis,
Brigadeiros, Coronéis,
Destemidos Marechais,
Rutilantes Generais,
Capitães-de-mar-e-guerra,
— Tudo marra, tudo berra —     
Na suprema eternidade,
Onde habita a Divindade,
Bodes há santificados,
Que por nós são adorados.
Entre o coro dos Anjinhos
Também há muitos bodinhos...[...]”

Luiz Gama foi um dos maiores líderes abolicionistas do Brasil. Sempre esteve engajado nos movimentos contra a escravidão e a favor da liberdade dos negros. Em 1869, fundou com Rui Barbosa o Jornal Radical Paulistano. Em 1880 foi líder da Mocidade Abolicionista e Republicana. Devido a sua luta a favor da libertação dos escravos era hostilizado pelo Partido Conservador e chegou a ser demitido do cargo de amanuense por motivos políticos.

Nos Tribunais, usando de sua oratória impecável e seus conhecimentos jurídicos, conseguiu libertar mais de 500 escravos, algumas estimativas falam em 1000 escravos. As causas eram diversas, muitas envolviam negros que podiam pagar cartas de alforria, mas eram impedidos pelos seus senhores de serem libertos, ou que haviam entrado no território nacional após a proibição do tráfico negreiro em 1850. Luiz Gama também ganhou notoriedade por defender que ao matar seu senhor, o escravo agia em legítima defesa.

Faleceu em 24 de agosto de 1882 e foi sepultado no Cemitério da Consolação, na presença de 3.000 pessoas numa São Paulo de 40.000 habitantes. O poeta Raul Pompéia (1863-1895) imortalizou Luiz
Gama e seus feitos escrevendo na ocasião:" (...) não sei que grandeza admirava naquele advogado, a receber constantemente em casa um mundo de gente faminta de liberdade, uns escravos humildes, esfarrapados, implorando libertação, como quem pede esmola; outros mostrando as mãos inflamadas
e sangrentas das pancadas que lhes dera um bárbaro senhor; outros... inúmeros. E Luís Gama os recebia a todos com a sua aspereza afável e atraente; e a todos satisfazia, praticando as mas angélicas ações, por entre uma saraivada de grossas pilhérias de velho sargento. Toda essa clientela miserável saía satisfeita, levando este uma consolação, aquele uma promessa, outro a liberdade, alguns um conselho fortificante. E Luís Gama fazia tudo: libertava, consolava, dava conselhos, demandava, sacrificava-se, lutava, exauria-se no próprio ardor, como uma candeia ilumi nando à custa da própria vida as trevas do desespero daquele povo de infelizes, sem auferir uma sobra de lucro...E, por essa filosofia, empenhava-se de corpo e alma, fazia-se matar pelo bom...Pobre, muito pobre, deixava para os outros tudo o que lhe vinha das mãos de algum cliente mais abastado."

Um afro abraço.
Claudia Vitalino.

fonte:https://pt.wikipedia.org/wiki/institutoluizgama.org.br/

O Caso da queima dos arquivos logo a após a proclamação da República e, também, da abolição da escravização

Esse assunto, a queima dos arquivos, foi esgotado em estudo de Américo Jacobina Lacombe, que argumentou em favor da memória do advogado, j...