UNEGRO - União de Negras e Negros Pela Igualdade. Esta organizada em de 26 estados brasileiros, e tornou-se uma referência internacional e tem cerca de mais de 12 mil filiados em todo o país. A UNEGRO DO BRASIL fundada em 14 de julho de 1988, em Salvador, por um grupo de militantes do movimento negro para articular a luta contra o racismo, a luta de classes e combater as desigualdades. Hoje,rumo aos 30 anos de caminhada continua jovem atuante e combatente... Aqui as ações da UNEGRO-RJ

sábado, 30 de setembro de 2017

Um olhar Sobre a História da República mais Antiga da África

Libéria- Fundada no século XIX por Africano-Americano colonos incentivados pelas sociedades
filantrópicas, a Libéria foi a primeira república independente negra na África, mas o antagonismo entre imigrantes e nativos são mais violentos em Serra Leoa.

A primeira unidade, financiada pela Sociedade Americana de Colonização, começou em 1822 e as colônias costeira na Comunidade da Libéria (exceto Maryland) é octroyèrent o monopólio do comércio exterior.

Em 1847, com a independência, enquanto já se opôs aos minoritários Américo-liberianos outros grupos excluídos do poder e do acesso à riqueza.

Tradição- Em 1980, quando um golpe militar derrubou o casta dominante, cerca de 300 famílias dominantes 80.000 descendentes de imigrantes, minoria deixou um país rico totalmente subserviente aos Estados Unidos, incluindo as suas representações simbólicas (nome do capital, bandeira), sua moeda e suas instituições.

O regime militar e do Conselho Popular da redenção que havia conseguido, em 1980, para Africano-Americano presidente Tolbert desapareceu no turbilhão de uma sangrenta guerra civil eclodiu em 1990 entre facções rebeldes, organizados ao longo regional e cultural e um governo interino.

Internacionalizado toda a África Ocidental, os confrontos provocaram a intervenção de “capacetes brancos” da força de interposição Oeste Africano (ECOMOG), 7.000 homens, encomendado pela Comunidade Econômica do Oeste Africano (CEDEAO) para parar os massacres, mas não poderia ser evitado e, até
1993, os habitantes de Monróvia têm sobrevivido com a ajuda alimentar da ONU.

De acordo com o acordo de paz de 25 de Julho de 1993, as instituições de transição deve se preparar para as eleições de 1994.
"Uma série de acordos natimortos não impediram a retomada das hostilidades e, em 1996, Monróvia, capital de um país arruinado e saqueada, ficou novamente sob cerco".

Nomeado para a presidência do Conselho de Estado (presidência coletiva provisório) em agosto de 1996 para supervisionar o desarmamento ea desmobilização dos combatentes, Ruth Perry levou o país a eleições
democráticas em 1997, que viu o candidato Frente Nacional Patriótica (NPFL) e ex-senhor da guerra, Charles Ghankay Taylor, para a presidência da República.

Em março de 2001, o Conselho de Segurança da ONU impôs um embargo sobre o fornecimento de armas à Libéria.

Este embargo é destinado a acabar com o apoio do país dada a rebelar-se Frente Revolucionária Unida (RUF) de Serra Leoa.

LIBÉRIA, A ESPERA DE MUDANÇAS- Libéria é um país com um passado tortuoso, um presente cruel e um futuro totalmente incerto, o que impede que possa ser recomendado como um lugar atrativo para o visitante

LOCALIZAÇÃO GEOGRÁFICA- Libèria encontra-se no extremo ocidental da África, e tem uma extensão de 11.370 quilômetros quadrados. Limitada pela Guiné ao norte, Costa de Marfim ao leste, Serra Leona ao oeste e pelo oceano Atlântico ao oeste e sul.

O território de Libéria se caracteriza por três níveis paralelos à costa. Esta é baixa, arenosa e interrompida por mangues, lagoas e pântanos. Atrás o terreno se eleva formando uma larga faixa boscosa. No interior se eleva uma planície de uns 600 metros de altitude, com bosques menos densos. Nas terras altas do norte encontram-se as maiores elevações, como o Monte Nimba de 1752 metros.

FLORA E FAUNA- Devido a seus diferentes ecossistemas, Libéria tem uma variada fauna, desde típicas de mangues e pântanos – crocodilos, hipopótamos – da zona selvagem. O café principalmente, mais o cacau e palma de azeite, cobrem o terreno cultivável.

Dados Históricos- Libéria surge como a ideia de um grupo de filantropos norte-americanos em 1922; eles
pretenderam dar uma pátria aos escravos liberados na terra de seus anscestrais. A imensa maioria rejeitava o convite, e os poucos militares que aceitaram contaram desde o princípio com a hostilidade dos nativos, que não aceitavam o tipo de colonização ao que se pretendia submeter-lhes.

"Não estavam mau encaminhados em suas suspeitas os nativos, pois os novos povoadores chegaram a impor sua língua, religão e idéia da civilização, com uma forma de trabalhos forçados lindante com a escravatura".

Este estado de coisas continuou por mais de 100 anos, até que, em 1930, os EE.UU., e o Reino Unido decidiram cortar relações com Libéria com motivo da exportação deste tipo de trabalhadores à Guiné Equatorial sob mandato espanhol. Até 1960, Libéria era condenada pela Organização Internacional do Trabalho por esta razão.
O Partido Whig Autêntico usufruiu o poder em Libéria desde muito cedo em sua história, e foi capaz de projetar uma imagem de estabilidade que atraiu abundantes inversões de potências estrangeiras, apesar da situação dos trabalhadores. Porém, o fluxo de capitais afundou ainda mais o desequilíbrio social, e o presidente Tubmam teve de autorizar em 1963 a participação na economia 97% da população, que até esse
momento não tinha direito nenhum.
O sucessor de Tubman, William Tolbert, foi derrotado em um cruel golpe de estado em 1980. Iniciou reformas que deram certo poder político aos indígenas, mas a oposição a seu regime foi aumentando, e em 1990, as forças dos dois principais grupos rebeldes, dirigidos por Prince Johnson e Charles Taylor, tomaram Monróvia e, após crueis lutas, Johnson derrotou a Tobert.

Isto não concertou nada, pois então Taylor reclamou ser o autêntico herdeiro da presidência. Apesar da presença de forças de pacificação da Comunidade de Estados da África Ocidental, Taylor lançou um ataque contra Monróvia em 1992. Em 1993 assinou-se, sob apadrinhamento das Nações Unidas, o Acordo de Cotonou, instaurando um governo provisório, renovado depois pelo acordo de Akosombo em 1994.

De momento segue-se sem lograr um acordo sobre a governabilidade de Libéria a meio prazo, pelo que as forças de Johnson e Taylor seguem na briga fratricida.

Arte e Cultura- A peculiar colonização a que foi submetida Libéria, tem impedido o desenvolvimento de um arte e uma cultura próprias, ao ponto que o liberiano mais reconhecido fora de seu país é George Weah, que em 1996 foi escolhido o melhor jogador de bola do continente europeu.

Se liga na historia:Cerca de 250.000 pessoas foram mortas na guerra civil da Libéria e outros milhares fugiram do conflito. O conflito deixou o país em ruína econômica e superação com armas. A capital continua sem rede elétrica e água corrente. A corrupção é generalizada eo desemprego e analfabetismo são endêmicas.
"A ONU mantém cerca de 15.000 soldados na Libéria. É uma das operações da organização de manutenção de paz mais caros."
Um afro abraço.

Claudia Vitalino.

fonte:www.bbc.com/portuguese/www.casadasafricas.org.br/www.infoplease.com

quarta-feira, 27 de setembro de 2017

Cosme, Damião e IBEJIS - Festa: dia 27 de setembro...

A história da devoção a São Cosme e São Damião é antiga e atravessa continentes. A fé nos santos irmãos ganhou importância principalmente pelo sincretismo com Ibeji, o orixá duplo dos nagôs, que representa os gêmeos.

Se liga:São Cosme e São Damião foram cristãos mártires pela fé Cristã e foram cultuados bem no início da Igreja (300 ou 400 d.c.) e , ainda hoje, seus nomes são lembrados na Liturgia da Missa.

COMO SURGIU O SINCRETISMO RELIGIOSO NO BRASIL?

Na época da escravatura, os escravos africanos criaram uma maneira engenhosa de enganar o Senhor do Engenho, que forçava a conversão e proibia o culto as religiões de matrizes africanas.
Atualmente, na Igreja Católica, o dia de Cosme e Damião é 26 de setembro, por conta do dia

de São Vicente de Paulo, que morreu no dia 27, e passou a ser festejado nessa data, pois a morte do Santo é o dia em que ele nasce no céu e para a Igreja.
Como não se sabe o dia certo da morte de Cosme e Damião, a festa deles foi transferida para o dia 26, mas ainda são festejados por alguns no dia 27.

"Parece que o costume de distribuir doces as crianças, no dia 27, também foi um costume introduzido pelo Candomblé"
É comum a associação entre os santos católicos e os erês, que é um estado infantilizado do transe no candomblé. Por isso, inclui-se a distribuição de balas, doces e refrigerantes nas homenagens aos santos, especialmente no Rio de Janeiro e não são poucas as casas de candomblé que fazem obrigações para os Ibeji, geralmente discretas e não necessariamente em setembro.

A mistura foi tão completa que ultrapassou a fronteira das religiões e classes: católicos e adeptos do candomblé, ricos e pobres oferecem a mesma comida sacrificial do candomblé às imagens dos santos cristãos. E mais, chega-se a fabricar imagens dos santos que incorporam uma terceira figura – Doú – uma corruptela de “idowu”, o nome dado, numa família nagô, àquele que nasce depois de um par de gêmeos. “Sempre tidos como muito traquinas, os idou deram origem ao ditado nagô: Exu lehin Ibeji – Exu vem depois dos Ibeji”.

Erê - encontra sincretismo religioso, nas religiões de matriz africana, com os santos católicos São Cosme e São Damião. É o intermediário entre a pessoa e seu Orixá, é o aflorar da criança que cada um guarda dentro de si; reside no ponto exato entre a consciência da pessoa e a inconsciência do Orixá. É por meio do Erê que o Orixá expressa sua vontade, que o noviço aprende as coisas fundamentais do Candomblé - e também na Umbanda - como as

danças e os ritos específicos de seu Orixá. A palavra Eré vem do yorubá, iré, que significa "brincadeira, divertimento". Daí a expressão siré que significa “fazer brincadeiras”. O Erê - não confundir com criança que em yorubá é omodé - aparece instantaneamente logo após o transe do Orixá, ou seja, o Erê é o intermediário entre o iniciado e o Orixá. Durante o ritual de iniciação, o Erê é de suma importância, pois é o Erê que muitas das vezes trará as várias mensagens do Orixá ao recém-iniciado.

Você sabia que:  Mas por que caruru para sete meninos? Segundo a peculiar tradição afro-luso-baiana, existiam sete irmãos: Cosme, Damião, Doú, Alabá, Crispim, Crispiniano e Talabi, conta Odorico Tavares, em seu livro “Bahia – Imagens da terra e do povo”.
A fertilidade das iorubás, que tem inclusive motivado pesquisas médicas, provavelmente é um dos motivos da importância dos santos e orixás irmãos. A Nigéria, inclusive, é o país com o maior índice de nascimento de gêmeos no mundo inteiro.
No modo africano de homenagear os Ibeji e também outros orixás, o pedido de esmola para a preparação da comida é um ponto fundamental. A mesma tradição já existiu na Bahia, mas foi abandonada pela maioria das pessoas. Entretanto, ainda é possível encontrar quem mantenha esse costume, inclusive fora da Bahia.
Existem várias recomendações para quem faz o caruru, que cada um escolhe obedecer ou adaptar. Quem oferece o caruru deve cortar o primeiro quiabo e, depois de pronto, colocar a comida aos pés dos santos em vasilhas novas e fazer um pedido. A galinha do xinxim não pode ser comprada morta. Durante a festa não deve ser servida bebida alcoólica. E quem encontrar no prato um quiabo inteiro deve oferecer um caruru no próximo ano.

IBEJIS- A história dessas "entidades"
Ìbejì ou Ìgbejì é divindade gêmea da vida, protetor dos gêmeos na mitologia iorubá,
identificado no jogo do merindilogun pelos odusejioko e iká. Dá-se o nome de Taiwo ao primeiro gêmeo gerado e o de Kehinde ao último. Os Yorùbá acreditam que era Kehinde quem mandava Taiwo supervisionar o mundo, donde a hipótese de ser aquele o irmão mais velho.

"Cada gêmeo é representado por uma imagem. Os iorubás colocam alimentos sobre suas imagens para invocar a benevolência de Ìbejì. Os pais de gêmeos costumam fazer sacrifícios a cada oito dias em sua honra".

O animal tradicionalmente associado a Ìbejì é o macaco colobo, um cercopiteco endêmico nas florestas da África subsariana. A espécie em questão é o Colobus polykomos, ou colobo-real, que é acompanhado de uma grande mística entre os povos africanos. Eles possuem coloração preta, com detalhes brancos, e pelas manhãs eles ficam acordados em silêncio no alto das árvores, como se estivessem em oração ou contemplação, daí eles serem considerados por vários povos como mensageiros dos deuses, ou tendo a habilidade de escutar os deuses. A mãe colobo quando vai parir, afasta-se do bando e volta apenas no dia seguinte das profundezas da floresta trazendo seu filhote (que nasce totalmente branco) nas costas. O colobo é chamado em iorubá de edun oròòkun, e seus filhotes são considerados a reencarnação dos gêmeos que morrem, cujos espíritos são encontrados vagando na floresta e resgatado pelas mães colobos pelo seu comportamento peculiar.

Na África, as crianças representam a certeza da continuidade, por isso os pais consideram seus filhos sua maior riqueza.

A palavra Igbeji quer dizer gêmeos. Forma-se a partir de duas entidades distintas que coexistem, respeitando o princípio básico da dualidade.
Contam os Itãs (conjunto de lendas e histórias passados de geração a geração pelos povos africanos) que os Igbejis são filhos paridos por Iansã, mas abandonados por ela, que os jogou nas águas. Foram abraçados e criados por Oxum como se fossem seus próprios filhos. Doravante, os Igbejis passam a ser saudados em rituais específicos de Oxum e, nos grandes sacrifícios dedicados à deusa, também recebem oferendas.

Entre as divindades africanas, Igbeji é o que indica a contradição, os opostos que caminham juntos, a dualidade. Igbeji mostra que todas as coisas, em todas as circunstâncias, têm dois lados e que a justiça só pode ser feita se as duas medidas forem pesadas, se os dois lados forem ouvidos.

Na África, o Igbeji é indispensável em todos os cultos. Merece o mesmo respeito dispensado a qualquer Orixá, sendo cultuado no dia a dia. Igbeji não exige grandes coisas, seus pedidos são sempre modestos; o que espera como, todos os Orixás, é ser lembrado e cultuado. O poder de Igbeji jamais podem ser negligenciado, pois o que um orixá faz Igbeji pode

desfazer, mas o que um Igbeji faz nenhum outro orixá desfaz. E mais: eles se consideram os donos da verdade. Os gêmeos Ibeji entre os iorubas, hoho e Fon são objeto de culto.
Não são nem orixá nem vodum, mas o lado extraordinário desses duplos nascimentos é uma 
 prova viva do princípio da dualidade e confirma que existe neles uma parcela do sobrenatural, a qual recai em parte na criança que vem ao mundo depois deles.
Recomenda-se tratar os gêmeos de maneira sempre igual, compartilhando com muita equidade entre os dois tudo o que lhes for oferecido. Quando um deles morre com pouca idade o costume exige que uma estatueta representando o defunto seja esculpida e que a mãe a carregue sempre. Mais tarde o gêmeo sobrevivente ao chegar à idade adulta cuidará sempre de oferecer à efígie do irmão uma parte daquilo que ele come e bebe. Os gêmeos são, para os pais uma garantia de sorte e de fortuna.

Um afro abraço.
Claudia Vitalino.

fontes:https://historiasdopovonegro.wordpress.com/https://pt.wikipedia.org

sábado, 23 de setembro de 2017

FRENTE NEGRA BRASILEIRA

Criada em outubro de 1931 na cidade de São Paulo, a Frente Negra Brasileira (FNB) foi uma das primeiras organizações no século XX a exigir igualdade de direitos e participação dos negros na sociedade brasileira. Sob a liderança de Arlindo Veiga dos Santos, José Correia Leite e outros, a organização desenvolvia diversas atividades de caráter político, cultural e educacional para os seus associados. Realizava palestras, seminários, cursos de alfabetização, oficinas de costura e promovia festivais de musica.

Foi um movimento social que ajudou muito nas lutas pelas posições do negro. Existiam diversas entidades negras. Todas essas entidades cuidavam da parte recreativa e social, mas a Frente veio com um programa de luta para conquistar posições para o negro em todos os setores da vida brasileira. Um dos seus departamentos, inclusive, enveredou pela questão política, porque nós chegamos à conclusão de que, para conquistar o que desejávamos, teríamos de lutar no campo político, teríamos de ter um partido que verdadeiramente nos representasse. A consciência que existia na época eu acho que era muito mais forte que a que existe agora.

Quando o negro sente uma pressão, quando qualquer agrupamento humano sente uma pressão, procura um meio de defesa. A pressão era tão forte que muitos jornais publicavam: “Precisa-se de empregado, mas não queremos de cor". Havia alguns movimentos também no interior, principalmente nos lugares em que os negros não passeavam nos jardins, mas na calçada. Muitas famílias não aceitavam, inclusive, empregadas domésticas negras; começaram a aceitar quando se criou a Frente Negra Brasileira. Chegou-se ao ponto de exigir que essas negras tivessem as carteirinhas da Frente, e dessa forma, muitas entidades

de negros que cuidavam de recreação filiaram-se à Frente Negra. E existiam diversas sociedades em São Paulo e pelo interior afora. Por isso a Frente cresceu muito, cresceu de uma tal maneira que tinha delegação no Rio de Janeiro, na Bahia, no Rio Grande do Sul, em Minas Gerais , chegado a aproximadamente cem mil integrantes em todo o país.   Em sua sede na rua da Liberdade, n. 196, funcionava o jornal O Menelik, órgão oficial e principal porta-voz da entidade, sucedido pelo O Clarim d’Alvorada, sob a direção de José Correia Leite e Jayme de Aguiar.

Se liga na historia -
Dirigida por afro-brasileiros que tinham superado a barreira do analfabetismo e se tornado professores, a Frente teve de lidar com diversas contradições. Seu primeiro Presidente, Arlindo Veiga dos Santos, era patrianovista, isto é, monarquista, e, embora sempre afirmasse que essa sua posição não interferia em seu papel como frentenegrino, as maiores críticas à Frente e muitas das cisões que surgem derivam dessa postura e da linha autoritária que a diretoria teria imprimido à Frente, com a formação, por exemplo, de uma milícia. Logo no seu início, o grupo do jornal Clarim da Alvorada, de José Correia Leite, rompeu com a Frente Negra. Na Revolução de 1932, ela decidiu por se manter neutra, não aderindo à luta empreendida pelos paulistas. No entanto, houve uma cisão e de dentro da Frente saiu um grupo que formou a Legião Negra para lutar ao lado dos paulistas.


A FNB ganhou adeptos em todo o país, inclusive os jovens Abdias Nascimento e Sebastião Rodrigues Alves. Seguindo o propósito de discutir o racismo, promover melhores condições de vida e a união política e social da “gente negra nacional”.
No campo da atuação política, a FNB ressaltava a importância de o negro superar a condição de cabo eleitoral, uma condição subalternizada que reforçava e ajudava a perpetuar a subalternidade de sua inserção na sociedade como um todo. Assim, a FNB incentivava o lançamento de candidaturas políticas negras. A entidade chegou a se organizar como partido político. Logo em seguida, em 1937, o Estado Novo de Getúlio Vargas fechou todos os partidos e as associações políticas, aplicando um duro golpe na Frente Negra Brasileira, que foi obrigada a encerrar suas atividades.

Para conhecer mais sobre a Frente Negra Brasileira, sugerimos a leitura do livro Negros e Política: 1888-1937, do historiador Flávio Gomes, publicado pela Zahar Editora. Além da dissertação de mestrado da historiadora Maria Claudia Cardoso Ferreira, sob o título Representações Sociais e Práticas Políticas do Movimento Negro Paulistano: as trajetórias

de Correia Leite e Veiga dos Santos (1928-1937)
É importante ressaltar e lembra nossa historia porque quase nunca o protagonismo afro-brasileiro é lembrado de forma positiva ao longo da história. A nós os relatos oficiais geralmente reservam o papel de coadjuvantes nos grandes eventos, especialmente naqueles que ajudam a definir a situação sociopolítica do país. 

Quando não nos dão esse papel, tentam desqualificar nossa luta rotulando-a de diversas maneiras negativas.-Mais lembre-se o protagonismo do negro ao longo da história foi e é muito intenso, grandioso e corajoso em suas diversas formas.


Um afro abraço.

Claudia Vitalino.

fonte: historiadora claudia vitalino/unegro formação

quarta-feira, 20 de setembro de 2017

O crescimento da população idosa é um fenômeno mundial em preto e branco...

O crescimento da população idosa é um fenômeno mundial. Devemos considerar como idoso aqueles indivíduos maiores de sessenta anos, com base no critério de referência estipulado pela ONU e referendado
por grande parte da comunidade mundial. Tanto os países considerados desenvolvidos, quanto aqueles considerados subdesenvolvidos ou em desenvolvimento, apresentam uma mesma tendência demográfica: o aumento do número de idosos, tanto em termos quantitativos quanto em termos proporcionais em relação à população total do país. Este fenômeno resulta, em geral, da queda das taxas de natalidade, em virtude do aumento do uso de anticoncepcionais e a uma maior conscientização da população em relação à estrutura familiar, combinada com a queda das taxas de mortalidade, observadas devido aos avanços da medicina e à melhoria da qualidade de vida dos indivíduos em geral. O aumento da expectativa de vida, aliado à diminuição da natalidade, configura um quadro onde, de um modo geral, nascem menos pessoas, e estas pessoas tendem a viver mais. Desencadeia-se, assim, um processo de envelhecimento da sociedade, caracterizado pelo aumento do percentual de indivíduos idosos nas populações de praticamente todos os países do mundo. Estima-se, segundo projeções, que em meados de 2030 a população mundial de idosos ultrapasse a marca de um bilhão de pessoas, sendo que 75% deste contingente estará localizado em países subdesenvolvidos.

O Brasil que envelhece e o Idoso que aparece “Qualquer que seja a sua idade, o coração de cada um abriga o interesse pelo milagre e pelo inabalável desafio que se sente frente aos acontecimentos, pela busca persistente e infantil pelo elemento surpresa no futuro, pela alegria, e pelo jogo da vida”. Douglas Macarthur 4. O Brasil na Era do Envelhecimento: uma Nova Realidade Diante de Velhos Problemas O Brasil está entre aqueles países que apresentaram nos últimos anos um dos mais altos índices de crescimento da população idosa. Conforme já mencionado anteriormente, estima-se que nosso país possa abrigar a 6 a maior população idosa do mundo em meados de 2025. Por um lado podemos comemorar, uma vez que tal índice reflete uma possível melhoria das condições de vida da maioria da população, o que fez aumentar a expectativa de vida no país. Por outro lado, a realidade nos mostra uma situação caótica, onde a população idosa cresce em descompasso com a proteção social que lhe seria devida, criando um cenário de exclusão, pobreza e abandono para este segmento. 73 Podemos tomar como exemplos iniciais a situação de completa desestruturação enfrentada pelo sistema de previdência pública, e o quadro crítico dos sistemas de saúde, que afeta com grande intensidade a população idosa dependente deste serviço, dado sua maior vulnerabilidade inerente à sua idade avançada. Esta situação, porém, não ficou sem resposta. Nos últimos anos o idoso mereceu uma atenção especial por parte das políticas públicas, processo resultante do reflexo
da mobilização mundial sobre estas questões, sobre as quais o Brasil não poderia ficar de fora. Este processo culminou com a promulgação do Estatuto do Idoso no final de 2003. Devemos entender o quadro atual de nosso país como um momento em que já foi dado o primeiro passo rumo a uma política eficiente de proteção à população idosa. Resta ainda um longo caminho, que consiste em efetivar e consolidar para todo o segmento idoso as garantias sócio-jurídicas já implementadas. Acreditamos que o maior entrave a consolidação de uma vida digna à população idosa consiste nas deficiências institucionais existentes no país, que inviabilizam a aplicação efetiva das leis e das garantias sociais.

Estrutura familiar
O Ipea apontou que, conforme dados do PNAD de 2009, 63,8% das famílias, independentemente da raça, são formadas por casais com filhos. Dentre as famílias formadas por pessoas brancas, 12,5% são de casais sem filhos e 4,6%, de mulheres sozinhas. Avaliando-se as famílias negras, os índices ficam em 9,5% e 3,7%, respectivamente.

E há mais mulheres sozinhas morando com os filhos dentre os negros: elas representam 17,7% do total da estrutura familiar de sua raça no país. Dentre as famílias brancas, elas são 14,3%.
A análise percebeu aumento da contribuição das mulheres nas rendas das famílias, o que ocorreu nos dois grupos populacionais, conforme comparação entre os dados do PNAD de 1999 e 2009. Entre as brancas, essa participação passou de 32,3% para 36,1% e entre as negras, o aumento foi de 24,3% para 28,5%.

Também aumentou a proporção de mulheres negras ocupadas que se dedicavam aos afazeres domésticos em 2009 – elas representavam 91% do total. Um número semelhante de mulheres brancas que trabalham cuidam do lar: são 88,1%. Dentre os homens, a situação se inverte. São os brancos que ajudam mais no trabalho de casa (50,6%), contra 48,5% dos maridos negros.

Envelhecimento
Conforme o Ipea, a população de negros com 60 anos ou mais no total da população representa 9,7% dentre os negros e 13,1% entre os brancos. Na população idosa negra, a cada 100 mulheres, já 88 homens.
Já entre os brancos, a relação apontada foi de 75 homens para cada 100 mulheres.
Apesar de não estar envelhecendo tão rapidamente quanto os brancos, os negros conseguiram aumentar sua participação no recebimento monetário de seguridade social. Em 2009, pelo menos 77,3% da população negra tinha direito a benefício – dentre os brancos, a abrangência é de 78,3%, chegando a um total de 16,6 milhões de idosos.

Um afro abraço.
Claudia Vitalino

fonte:revistamarieclaire.globo.com/www.inesc.org.br

sábado, 9 de setembro de 2017

Levantamentos mostram perseguição contra religiões de matriz africana no Brasil ...

INTOLERÂNCIA NUNCA MAIS...
Os casos denunciados à Secretaria de Direitos Humanos da Presidência vão de insultos à

violência física, passando por invasões de terreiros e até recusa de fazer negócios. Foi o que ocorreu com Fábio Oliveira, frequentador do Ilê Axé Oxum.

- Compramos um terreno em uma comunidade em Campo Grande para erguer um barracão. Na semana seguinte, fomos informados de que o tráfico local não queria ‘macumbeiros’ ali. Tivemos de desistir do espaço - conta.

O grupo de Oliveira hoje se reúne com frequência no Parque Ecológico dos Orixás, em Magé. O local foi criado há dez anos, na tentativa de evitar a exposição dos praticantes de candomblé e umbanda. Todos os fins de semana, a área, de 60 mil metros quadrados, recebe dezenas de associados à União Umbandista dos Cultos Afro-Brasileiros. Vestidos de branco, os frequentadores se reúnem em cantorias com atabaques e deixam oferendas aos pés de imensas estátuas de orixás e em uma cachoeira.

Diferentemente de Oliveira, grande parte dos frequentadores do parque não quer ser identificada e não se deixa fotografar. Testemunhos de quem aceita conversar dão pistas do que leva ao acanhamento.

Vandalismos em templos Rio - Um dos principais centros espíritas da Zona Sul do Rio, a Casa do Mago foi atacada pela terceira vez em menos de um mês. O portão do local, no Humaitá, foi incendiado por volta de 1h desta quarta-feira. De acordo com a PM, policiais do 2º BPM (Botafogo) foram faziam patrulhamento pela região quando ouviram um barulho. No entanto, os suspeitos conseguiram fugir.

No momento da invasão o terreiro estava vazio. A responsável pelo Centro Espírita acredita
que esse foi um caso de intolerância religiosa.Não há informações sobre feridos no local. Conhecido como O Mago, Ubirajara Pinheiro registrou o caso na 10ª DP (Botafogo). Os outros dois casos ocorreram nos dias 31 de julho e 2 de agosto. Na segunda vez, os bandidos jogaram um artefato explosivo dentro da casa. O DIAtentou entrar em contato com algum representante da Casa do Mago, mas ninguém foi encontrado.- 

Trabalho em um banco e tive uma chefe que descobriu que eu batia tambor. A partir dali, ela começou a me perseguir, e tive de pedir transferência - conta uma umbandista.Professor do Departamento de Ciência da Religião, da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP), o cientista social Silas Guerriero vê um aumento da intolerância no Brasil nos anos recentes...
A polícia também está investigando mais um caso de intolerância religiosa. Dessa vez foi em Nova Iguaçu, na Baixada Fluminense. O Centro Espírita Unidos pela Fé, que fica em Austin, foi invadido na madrugada de quarta-feira (30).

Foram furtadas imagens de santos. Louças usadas nos cultos e outros objetos foram quebrados e ficaram espalhados pelo chão.
As intolerâncias mexem com a sociedade de maneira geral, quando um grupo se acha superior ao outro. No Brasil, sempre houve uma certa tolerância religiosa. O que tem acontecido nos últimos anos é que o pentecostalismo se coloca de maneira muito fundamentalista. E esse fundamentalismo evangélico tem levado às situações de violência que estamos vendo.

Apenas no último ano, foram registrados através do Disque 100, 79 denúncias de casos de intolerância religiosa no estado. O número representa um crescimento de 119%, quando comparado ao ano anterior.

Agressões -A intolerância religiosa não fica só nos atos de vandalismo, invasões e incêndios. Ela também ataca as pessoas, que assim como a menina apedrejada no bairro da Penha, no Rio de Janeiro, são agredidas física e moralmente, por causa da sua fé.- Os evangélicos são pacíficos. Nunca presenciei um pastor dizendo “vamos incendiar um terreiro, vamos quebrar suas imagens”. O que se fala é “vamos orar para que Deus toque o coração deles”. - defende o pastor da Assembleia de Deus. - Sempre que invadem uma igreja católica ou um terreiro, os evangélicos são os primeiros suspeitos. Mas, muitas vezes, os agressores não são da religião.

“Este ato de intolerância religiosa não foi realizado por um 'lobo solitário'. Os criminosos, assim como no último ataque, utilizaram uma bomba caseira, feita com pregos, chegaram de

carro e com os rostos cobertos. A perseguição não é apenas contra o mago, pois se fosse algo pessoal eles também poderiam agir fora do templo. A perseguição é religiosa. Ao atacarem um templo de matriz africana, que expõe imagens de santos e cultua os orixás, eles atacam a religião e todos os umbandistas e candomblecistas. Milícias religiosas podem estar por trás de ataques.

João Paulo de Xango da UNEGRO e líder do movimento NÃO MEXA NA MINHA ANCESTRALIDADE , diz que tem motivos ainda maiores para acreditar em preconceito religioso e cultural: -O Rio, desta forma, estaria fazendo uma viagem de volta ao passado quando a religiões de matrizes africanas eram criminalizados e tratados como magia negra

Um afro abraço.
Claudia Vitalino.

REBELE-SE CONTRA O RACISMO!

fonte: comissão inter religiosa da unegro rj/odia.ig.com.br/rio-de-janeiro/https://oglobo.globo.com

O PRIMEIRO DE MAIO PARTE I:Trabalhador negro ganha 36% menos que o não negro...

Abolicionismo e trabalho negro Muito já se escreveu ou ainda se tem escrito sobre a abolição do trabalho escravo no Brasil. O tema é,...