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quinta-feira, 8 de dezembro de 2016

Homem trans ???

Sexualidade gênero e combate a homofobia
1. Introdução: sobre a construção dos estigmas sexuais e de gênero.

Os estigmas que envolvem a sexualidade e que alimentam a homofobia se dão por uma
construção histórica ligada aos valores morais de classes dominantes e suas características de relação. Justificando-se como uma estável ordem natural, e principalmente divina, essa construção se deu na limitação da sexualidade em padrão normativo heterossexual e na marginalização de comportamentos que dele fugissem.
A partir das reinvidicações pelo livre manifesto e pela ampla representatividade sexual em meio a sociedade, buscando contestar o padrão e combater o preconceito e a marginalização (opressões) impostas, foi iniciado um processo que tem por essência a ‘desconstrução’ das errôneas conclusões trazidas com as influências fundamentalistas e religiosas. O dialogo sobre a sexualidade está diretamente ligado ao esclarecimento sobre os conceitos de sexo biológico e a sua não delimitação na construção da identidade de gênero e orientação sexual.



2. Desconstruindo estigmas, conceituação: Sexualidade e gênero como construções socioculturais


Para que possamos atuar de forma consciente e precisa na luta contra a homofobia, uma opressão relacionada à orientação sexual mas que parte de um errôneo conjunto sobre o que se trata de identidade de gênero e funções físico-biologicas, precisamos primeiramente nos esclarecer sobre os pilares que regem a construção sociocultural da sexualidade.
A. Sexo biológico  - Sexo: É o que nascemos. Diferenciando os seres humanos entre machos e fêmeas, é definido pelo aparelho genital e outras características fisiológicas. Pesquisas recentes também apontam o código genético a ser considerado nessa constituição, o quê de forma exemplificada pode ser ligada à intersexualidade, que faz o individuo se identificar com ambos os gêneros.

B. Identidade de gênero - Gênero: é o que nos tornamos. Sendo uma construção social, é influenciada pelas regras, padrões de construção corporal e comportamentos que configurem a identidade social das pessoas a partir de seus caracteres fisico-biologico, ou seja, o seu sexo. Distinguindo-nos entre homens e mulheres, a partir das identificações como masculino e feminino, possui inúmeras variantes que desviam da norma, como, por exemplo, o travestismo...
 
C. Orientação sexual - Orientação Sexual: sexualidade. Movidos pelo sentimento de atração e
desejo, se expressando pelas práticas erótico-sexuais nas quais as pessoas têm seus relacionamentos. Esse dado é comumente definido pela identidade de gênero do parceiro (a/s) de determinado individuo, e também comumente classifica as pessoas em “heterossexuais”, “homossexuais”, “bissexuais” e “transexuais”. 
3. A Luta pelo reconhecimento dos direitos e representação dos LGBTT*.
3.1 Indo além do padrão normativo heterossexual. - No mundo ocidental, na década de 70, decorrente a efervescência de movimentos políticos contestatórios, surgem dois grupos em especial sobre o tema. A Segunda Onda do Movimento Feminista, onde as mulheres aprofundaram ainda mais sua atuação pela equidade entre os gêneros, e a organização Movimento Homossexual, sendo esse de maneira simbólica instaurado a partir de 1969 com a Revolta de Stonewall, marcaram a luta pela livre expressão da sexualidade e desconstrução dos estigmas de gênero produzindo um intenso material intelectual e iniciando um diálogo sobre a condição social dos homossexuais e das mulheres.

Incorporando as categorias de gênero, os estudos feministas forneceram um instrumental capaz de questionar os padrões patriarcais e o que define ou não o 'ser mulher', que por consequência gerou o mesmo sobre a definição do papel masculino, tal como é expresso na seguinte afirmação: "A desconstrução a partir destas categorias mostrou que, tanto homens quanto mulheres, aprendem a ser e viver como tal a partir de um complexo aparato de normas e regras de comportamento que definem os papéis de gênero." Porém, tal feito falhou ao intersecionar a questão do gênero ao dialogo sobre a sexualidade, o que foi feito pelo movimento dos gays e lésbicas. Aprofundando os estudos sobre a questão da sexualidade, foi
visto que as classificações 'homossexuais', 'lésbica' e 'gay' são limitadoras demais para representar a diversidade sexual ou a própria relação que dão nome. E aí se aborda a importância de atenuarmos as diferenças que os Trans* passam a ter dentro do movimento que deveria representá-lo quanto socialmente.

3.2 No Brasil e no mundo, a comunidade LGBT vai às ruas. Tendo sua manifestação como um movimento reinvidicatório iniciada a partir da década de 60, época marcada por inúmeros grandes fatos históricos, aqui dando ênfase as grandes revoltas sociais em busca de direitos, o movimento LGBT começou a se posicionar e exigir seus direitos como cidadãs.
Nos Estados Unidos, com a homossexualidade ainda sendo considerada uma desordem mental e sua prática um crime passível de 20 anos à perpetua, ocorreu a Revolta de Stonewall, um marco histórico que desencadeou a luta pelos direitos LGBT’s.

Tendo formado guetos para poderem expressar quanto a sua sexualidade divergente ao padrão, era muito comum que as pessoas que frequentassem esses lugares fossem surpreendidas por violentas invasões policiais ou agredidas pela população. Até que um dia isso mudou.


No Brasil, nos anos 80, as batidas policiais também eram costumeiras, com gays e lésbicas sendo presos só por serem homossexuais. Também reclusos a guetos, marginalizados socialmente e sendo assassinados à sangue-frio, as organizações contra a homofobia, pela livre expressão e representação começaram a surgir e em 13 de junho de 1980, em São Paulo, um protesto realizado contra o Delegado Richetti, com uma pauta contra a violência cometida às mulheres, homossexuais e a causa negra, foi realizada a primeira passeata homossexual do Brasil.
Posteriormente se propaga em todo o mundo o “dia do orgulho gay”, ou simplesmente Parada Gay. Embora seja um marco na busca por reconhecimento e autoafirmação, a Parada Gay sofre várias críticas, incluindo dentro do próprio movimento LGBT. Os motivos seriam o caráter festivo e pouco combativo, mais se parecendo a uma “micareta” do que há um ato político de resistência. Os meios empregados neste caso terminam contribuindo para a despolitização da causa, e para o não entendimento de como combater a raiz de toda a opressão lhes é imposta. Neste sentido, a Unidade Vermelha, enquanto Organização, não participará das paradas gays ou manifestará apoio a elas, sobretudo pelo caráter diluído e pouco político delas, embora seus militantes sejam livres para participarem enquanto indivíduos. 

3.3 A Opressão sexual e seu caráter classista - Uma análise de uma Organização Revolucionária, da questão da sexualidade enquanto sujeita à opressão, não deve escapar à análise do papel da religião na nossa sociedade, além dos já conhecidos efeitos primários do capitalismo.
F. Engels já abordou o tema de forma aprofundada em “A Origem da Família...” onde mostra, através da dialética e do materialismo, como a religião, além da propriedade privada, desempenha papel fundamental nessa questão.

Pois bem, entendemos que a opressão que começa através da mulher e pelo homem de forma abrangente, por sua vez influencia diretamente na sexualidade feminina (ou na repressão da mesma), é seguida, num ciclo vicioso de opressões, passando pela opressão da homossexualidade, da bissexualidade e pela opressão dos transexuais.

4. Práticas revolucionárias na luta pela representação aos LGBT*’s e no combate à homofobia


Tendo em vista a compreensão e conhecimento adquiridos sobre as necessidades e particularidades referentes à causa LGBTT, aqui vão os seguintes preceitos que devem ser defendidos em nome de sua luta e representação destes:

1 – Por entendermos que a luta contra as opressões deve se dar de forma ampla e concreta, sendo preenchida por nossos princípios revolucionários: Nós nos posicionamos contra qualquer indicação de ódio à diversidade sexual e lutamos pela garantia de direitos e representações aos homossexuais, trans*, bissexuais, etc.!

2- Por termos consciência da situação de risco e calamidade que os crimes alimentados pelo ódio à diversidade sexual causam, sendo reafirmados por um sentimento fascista e reacionário: Nós defendemos a luta pela criminalização da homofobia e suas expressões!

3- Por estarmos cientes da omissão do Estado para com políticas publicas em diversos setores sociais que representem a população LGBTT*: Nós posicionaremos a favor de propostas que englobem os reais anseios e necessidades destes!

4- Estando ciente da conjuntura necessária para avançarmos nessa luta, e sempre buscando levar nossos princípios revolucionários: o apoio crítico aos movimentos LGBTT*, incluindo os pequeno-burgueses, como forma de estabelecer nossos vínculos propagando nosso programa de forma a atrair os envolvidos para a revolução patriótica!

5- Por entendermos que os homossexuais, bissexuais e transexuais, através de si mesmos, unindo-se a si mesmos, levantar-se-ão contra a opressão das minorias sexuais: Protagonismo dos movimentos LGBTTs!

6- Devido ao pouco contingente das minorias sexuais em lutas emancipatórias: Incessante busca pela inserção das minorias na luta revolucionária, bem como exaustiva formação dos mesmos como quadros dirigentes para ocuparem espaços de liderança na luta!

7- Por entendermos o caráter preconceituoso e reacionário do mito em torno do qual são as minorias sexuais que transmitem doenças sexualmente transmissíveis como o HIV, combateremos sem trégua tais preconceitos que só servem para semear a discriminação dentro da sociedade!

8- Por entendermos que o casamento é um direito civil, independente do sexo ou gêneros de
s
eus participantes: Lutamos pela legalização da união civil entre pessoas do mesmo sexo!
9- Combatendo as noções pequeno-burguesas em relação à libertação da diversidade sexual, levaremos para a luta os princípios revolucionários e não deixaremos sucumbir a superficialidade festiva ou à parcialidades dessa luta!
10- Por entendermos que as amarras sexuais à valores reacionários são extremamente nocivas e levam à marginalização da diversidade sexual, lutemos pelo esclarecimento do conceit
o de construção sexual e pela não imposição de um caráter heterossexual opressor!
11- As relações homoafetivas, como composição familiar, é uma realidade social, que assim como a união estável, se realiza e prospera, ainda que à margem da lei. Nesse contexto, nos colocamos a favor pelo ordenamento político brasileiro, do reconhecimento, expresso, da adoção homoparental!

12- Por entendermos que os gays, trans e lésbicas são vitimas em potenciais de bandos nazifascistas: defendemos o inalienável direito de autodefesa, e que os gays possam se proteger com qualquer meio necessário diante das agressões a que estão sujeitos!


Enfim e precisamos mesmo é organizar nosso seguimento politizando o debate e apontando as estratégias de mobilização e controle social exigindo dos poderes públicos executivo, legislativo e judiciários o combate às diversas formas de violência e outras intolerâncias bem como a criminalização da homofobia, lesbofobia e transfobia e um sistema educacional que promova cultura de paz e o respeito às diferenças nos bancos escolares como em toda a sociedade.


Um afro abraço.

Claudia Vitalino

fonte: unidadevermelha.blogspot.com/...


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