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sexta-feira, 9 de dezembro de 2016

A Poesia negra no Brasil !

 Poeta Carlos Assumpção ...
“Os gritos aflitos do negro. Os gritos aflitos do pobre. Os gritos aflitos de todos...”

"E foi assim, com essas palavras fortes que. eu o descobri, meio sem querer em um livro de poesias. Linhagem, o nome do seu poema, me fez pesquisar e saber um pouco mais sobre ele. Descobri que ele nasceu aqui perto em Tietê, e por isso, além do sangue negro, dança em suas veias, o sangue caipira. E, o poeta Carlos Assumpção, me revelou sua nobreza ao escrever em verso: “Eu sou descendente de Zumbi. Sou bravo valente sou nobre.” E, com licença poética escrevo: “No meu peito desabrocha todo o universo caipira...!""

Carlos de Assumpção, nascido em 1927 em Tietê - SP, é referência na literatura negra brasileira. Autor dos livros "Protesto" e "Quilombo", co-autor do cd "Quilombo de Palavras" com Cuti, participou de diversas antologias como "Cadernos Negros" – Quilombhoje- e "Negro Escrito" – Org. Oswaldo de Camargo. Foi frequentador assíduo da Associação Cultural do Negro, no centro de São Paulo nos anos 50, onde se encontrava com ativistas da extinta Frente Negra Brasileira e com escritores e intelectuais de grande importância como Solano Trindade, Aristides Barbosa e Oswaldo. Membro da Academia Francana de Letras, formado em Letras e Direito, escolheu a cidade de Franca/SP para estudar e lecionar. Em 1982 Carlos de Assumpção ficou em 1° lugar no II Concurso de Poesia Falada de Araraquara/ SP com o poema Protesto. Em 1958, por ocasião do 70° aniversário da Abolição, recebeu o título de Personalidade Negra, conferido pela Associação Cultural do Negro, em São Paulo/SP.
Carlos de Assumpção deve ser relembrado sempre pela sua obra gigante, em especial o
poema "O Protesto" para muitos o maior e o mais significante poema brasileiro, o Hino Nacional dos negros. “O Protesto” reflete sobre a escravidão em sua dor e as cicatrizes contemporâneas da inconsciência pragmática da alta sociedade permanente perversa.
O mestre Milton Santos dizia os versos do Protesto e o discurso de Martin Luther King, Jr. em Washington, D.C., a capital dos Estados Unidos da América, em 28 de Agosto de 1963, após a Marcha para Washington. «I have a Dream» (Eu tenho um sonho) foram os dois maiores clamores pela liberdade, direitos, paz e justiça dos afros americanos.

"Eu sou à noite
        Sem destino
Esbofeteada pelo vento.
         Nesta selva branca"


LINHAGEM-  CARLOS DE ASSUMPÇÃO

Eu sou descendente de Zumbi

Zumbi é meu pai e meu guia
Me envia mensagens do orum
Meus dentes brilham na noite escura
Afiados como o agadá de Ogum
Eu sou descendente de Zumbi
Sou bravo valente sou nobre
Os gritos aflitos do negro
Os gritos aflitos do pobre
Os gritos aflitos de todos
Os povos sofridos do mundo
No meu peito desabrocham
Em força em revolta
Me empurram pra luta me comovem
Eu sou descendente de Zumbi
Zumbi é meu pai e meu guia
Eu trago quilombos e vozes bravias dentro de mim
Eu trago os duros punhos cerrados
Cerrados como rochas
Floridos como jardins.

Um afro abraço.

Claudia Vitalino.
REBELE-SE CONTRA O RACISMO!

fonte:http://www.letras.ufmg.br/literafro/autores/carlosassumpcao/carlosassumpcaocritica01.pdf

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