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sábado, 13 de outubro de 2012

A História da população negra no Brasil: Recuperação e Preservação


Os africanos no Brasil conseguiram preservar uma parca herança africana. Todavia, apesar de ter sido pequena, essa herança africana, somada à indígena, deixou para o Brasil, no plano ideológico, uma singular fisionomia cultural. Os negros trazidos como escravos eram capturados ao acaso, em centenas de tribos diferentes e falavam línguas e dialetos não inteligíveis entre si. O fato de todos serem negros não ensejava uma unidade linguístico-cultural quando submetidos à escravidão. A própria religião, que atualmente serve como união entre os afro-brasileiros, na época da escravidão, devido à diversidade de credos, os desunia. Em consequência, a diversidade linguística e cultura trazida pelos escravos, aliada à hostilidade entre as diferentes tribos e à política de evitar que escravos da mesma etnia ficassem concentrados nas mesmas propriedades, impediram a formação de núcleos solidários que retivessem o patrimônio cultural africano.

Nossa história nossas raízes...

A História do Brasil finalmente incluiu a história de nossas negras raízes no currículo escolar. Sem deixar para trás, claro, a origem portuguesa e a indígena, o conteúdo tem de abordar a vinda involuntária dos africanos. Isso por que, em 2003, o que já deveria ser um direito virou lei. A obrigatoriedade do tema “História e Cultura Afro-brasileira e Africana" existe desde que foi aprovada a lei 10.639 (alterada para 11.645/2008) que tornou obrigatório o ensino da História da África dos afro-brasileiros e a inclusão do dia 20 de novembro no calendário das escolas da rede pública e privada de todo o país.
Com as mudanças grade curricular espara-se que seja recuperada a contribuição das
 mulheres e dos homens negros nas áreas sociais, política e cultural para a formação da 
sociedade brasileira. Afinal, o Brasil é um país multi-étinico e pluricultural, ou seja, foi 
construído por diferentes povos e culturas, mas é também negro, pois mais de 45% da 
população é negra. Na Paraíba, somam 63,3 % (PNAD, 2007) de todos os habitantes. A 
partir da sanção dessa lei, as instituições de ensino brasileiras passaram a ter de 
implementar o ensino da cultura africana, da luta do povo negro no país e de toda a 
história afro-brasileira nas áreas social, econômica e política. O conteúdo deve ser 
ministrado nas aulas de história e, claro, em todo o currículo escolar, como nas disciplinas de 
artes plásticas, literatura e música. E isso em TODAS as escolas de Ensino Fundamental e 
Médio das redes pública e privada.
Com as mudanças grade curricular espara-se que seja recuperada a contribuição das mulheres e dos homens negros nas áreas sociais, política e cultural para a formação da sociedade brasileira. Afinal, o Brasil é um país multiétinico e pluricultural, ou seja, foi construído por diferentes povos e culturas, mas é também negro, pois mais de 45% da população é negra. Na Paraíba, somam 63,3 % (PNAD, 2007) de todos os habitantes.

Racismo no Brasil...

O preconceito racial no Brasil é o que alguns autores chamam de preconceito “de marca”, ou seja, que recai sobre o fenótipo do indivíduo (tipo de cabelo, traços e cor da pele). Ele não recai diretamente sobre a ancestralidade, pois no Brasil as classificações raciais se baseiam mais na aparência física da pessoa do que na ancestralidade. É um racismo que aparece como expressão de foro íntimo, mais apropriado ao recesso do lar. A escravidão foi abolida, houve a universalização das leis, mas o padrão tradicional de acomodação racial não foi alterado, mas apenas camuflado. Apesar da tão falada “miscigenação brasileira”, um sistema enraizado de hierarquização social com base em critérios como classe social, educação formal, origem familiar e na raça continuaram. Se após a Segunda Guerra Mundial o darwinismo racial foi perdendo força e o conceito biológico de raça foi se desmontando, o “preconceito de cor” fazia às vezes da raça.

Lendas e historia de influencia afro- brasileira...

Lenda é uma narrativa fantasiosa transmitida
pela tradição oral através dos tempos.
De caráter fantástico e/ou fictício, as lendas
combinam fatos reais e históricos com fatos 
irreais que são meramente produto da 
imaginação aventuresca humana.
Com exemplos bem definidos em todos os 
países do mundo, as lendas geralmente
 fornecem explicações plausíveis, e até certo 
ponto aceitáveis, para coisas que não têm
 explicações científicas comprovadas, como 
acontecimentos misteriosos ou
 sobrenaturais. Podemos entender que lenda
 é uma degeneração do mito. Como diz o
dito popular "Quem conta um conto aumenta 
um ponto", as lendas, pelo fato de serem
 repassadas oralmente de geração a geração, sofrem alterações à medida que vão sendo recontadas.
Lendas no Brasil são inúmeras, influenciadas diretamente pela miscigenação na origem do 
povo brasileiro. Devemos levar em conta que uma lenda não significa uma mentira, nem tão 
pouco uma verdade absoluta, o que devemos considerar é que uma história para ser criada, 
defendida e o mais importante, ter sobrevivido na memória das pessoas, ela deve ter no 
mínimo uma parcela de fatos verídicos.
Muitos pesquisadores, historiadores, ou folcloristas, afirmam que as lendas são apenas frutos 
da imaginação popular, porém como sabemos as lendas em muitos povos são "os livros na 
memória dos mais sábios".

Saci Perere

A Lenda do Saci data do fim do século XVIII. Durante a escravidão, as amas-secas e os caboclo-velhos assustavam as crianças com os relatos das travessuras dele. Seu nome no Brasil é origem Tupi Guarani. Em muitas regiões do Brasil, o Saci é considerado um ser brincalhão enquanto que em outros lugares ele é visto como um ser maligno.
É uma criança, um negrinho de uma perna só que fuma um cachimbo e usa na cabeça uma carapuça vermelha que lhe dá poderes mágicos, como o de desaparecer e aparecer onde quiser. Existem 3 tipos de Sacis: O Pererê, que é pretinho, O Trique, moreno e brincalhão e o Saçurá, que tem olhos vermelhos. Ele também se transforma numa ave chamada Matiaperê cujo assobio melancólico dificilmente se sabe de onde vem.
Ele adora fazer pequenas travessuras, como esconder brinquedos, soltar animais dos currais, derramar sal nas cozinhas, fazer tranças nas crinas dos cavalos, etc. Diz a crença popular que dentro de todo redemoinho de vento existe um Saci. Ele não atravessa córregos nem riachos. Alguém perseguido por ele deve jogar cordas com nós em sem caminho que ele vai parar para desatar os nós, deixando que a pessoa fuja.
Diz à lenda que, se alguém jogar dentro do redemoinho um rosário de mato bento ou uma peneira, pode capturá-lo, e se conseguir sua carapuça, será recompensado com a realização de um desejo.


Nomes comuns: Saci-Pererê, Saci-Trique, Saçurá, Matimpererê, Matintaperera, etc. 

Origem Provável: Os primeiros relatos são da Região Sudeste, datando do Século XIX, em Minas e São Paulo, mas em Portugal há relatos de uma entidade semelhante. Este mito não existia no Brasil Colonial. 

Entre os Tupinambás, uma ave chamada Matintaperera, com o tempo, passou a se chamar Saci-Pererê, e deixou de ser ave para se tornar um caboclinho preto de uma só perna, que aparecia aos viajantes perdidos nas matas. 

Também de acordo com a região, ele sofre algumas modificações: 
Por exemplo, dizem que ele tem as mãos furadas no centro, e que sua maior diversão é jogar uma brasa para o alto para que esta atravesse os furos. Outros dizem que ele faz isso com uma moeda. 
Há uma versão que diz que o Caipora, é seu Pai.

Dizem também que ele, na verdade eles, um bando de Sacis costuma se reunir à noite para planejarem as travessuras que vão fazer. 

Ele tem o poder de se transformar no que quiser. Assim, ora aparece acompanhado de uma horrível megera, ora sozinho, ora como uma ave.



O Negrinho do Pastoreio

O Negrinho do Pastoreio é uma lenda meio africana meio cristã. Muito contada no final do século passado pelos brasileiros que defendiam o fim da escravidão. É muito popular no sul do Brasil.
Nos tempos da escravidão, havia um estancieiro malvado com negros e peões. Num dia de inverno, fazia frio de rachar e o fazendeiro mandou que um menino negro de quatorze anos fosse pastorear cavalos e potros recém- comprados. No final do tarde, quando o menino voltou, o estancieiro disse que faltava um cavalo baio. Pegou o chicote e deu uma surra tão grande no menino que ele ficou sangrando. ‘‘Você vai me dar conta do baio, ou verá o que acontece’’, disse o malvado patrão. Aflito, ele foi à procura do animal. Em pouco tempo, achou ele pastando. Laçou-o, mas a corda se partiu e o cavalo fugiu de novo.
Na volta à estância, o patrão, ainda mais irritado, espancou o garoto e o amarrou nu, sobre um formigueiro. No dia seguinte, quando ele foi ver o estado de sua vítima, tomou um susto. O menino estava lá, mas de pé, com a pele lisa, sem nenhuma marca das chicotadas. Ao lado dele, a Virgem Nossa Senhora, e mais adiante o baio e os outros cavalos. O estancieiro se jogou no chão pedindo perdão, mas o negrinho nada respondeu. Apenas beijou a mão da Santa, montou no baio e partiu conduzindo a tropilha. 

Origem: Fim do Século XIX, Rio Grande do Sul.



Se liga: Aplicar o conteúdo da lei 10.639.
É um compromisso social de resgatar a 
dívida da sociedade brasileira para com o 
segmento negro e mestiço da sua população,
 reconhecendo o valor de sua cultura, sua
 dignidade e seu lugar na sociedade 
brasileira, bem como seu papel na 
construção de uma nova civilização. 
Incorporando o que nossa sociedade tem de
 sincretismo e miscigenação, o museu quer
 fazer uma releitura da história, da memória, da cultura e da identidade brasileira. Mas sempre 
perspectiva da população negra e tendo como ponto de partida o olhar e a experiência do 
próprio negro.

Este tema vem gerado polêmicas, uma vez que implica a redução de privilégios e coloca em pauta o racismo existente na sociedade brasileira. Todos os debates são fundamentais para que democraticamente se encontrem medidas para aumentar a presença da população negra nos bancos das universidades. Os dados sobre o ensino superior mostram que á uma exclusão  perversa no nosso país: 97% da população universitária brasileira são brancas contra 2% de negros e 1% de amarelos.
O desequilíbrio, num país em que mais de 45% da população é composta por negros/as, deixa explícito que são necessárias medidas urgentes para que sejam necessárias medidas urgentes para inserção da pessoa negra no ensino superior. Mas a solução das cotas, a única de caráter prático apresentada até o momento, está longe de ser uma unanimidade.  Mas não há dúvida da necessidade de se promover a igualdade, oferecendo oportunidades para a inclusão dos negros e das negras no Brasil.

Negros nos livros didáticos


Nos livros didáticos brasileiros, há uma 
invisibilidade dos negros e uma disparidade 
em  relação à representação de brancos. Em
 uma pesquisa, nos textos não verbais 
analisados, em apenas 11% há 
representação de negros, embora mais de 
40% da população brasileira se defina como 
preta ou parda. A representação dos negro 
nos livros escolares acontece scom uma
 ênfase no lado pejorativo e degradante 
dessas pessoas. Em mais de 72% das
 representações nos livros, o negro está
 exposto sob uma perspectiva negativa e em somente 30% de forma positiva. No meio 
escolar brasileiro, a representação dos negros no livro didático está normalmente associada 
com o que há de pior, com a delinquência, as drogas, a escravidão, a miséria, o lixo. 
Frequentemente fazem referências à cor do personagem 
de forma negativa. A maioria dos professores 
entrevistados diz não perceber essa representação 
negativa do negro ou não dá a devida importância ao 
tema, muitas vezes delegando o preconceito ao próprio 
aluno negro. 

Para a maioria dos professores, o racismo existente na 
sociedade não adentra o meio escolar. A ótica dos alunos, 
por outro lado, se mostrou mais aguçada quanto à 
percepção dessa discriminação. A maioria dos estudantes 
relataram que percebem que nos livros didáticos há uma 
maior representação do grupo branco do que do negro, 
apenas 11,11%  disseram que tanto brancos quanto 
negros são representados de forma igual. Porém uma 
minoria entende isso como uma manifestação de racismo. Os alunos, ao terem contato com o 
livro, associam os personagens ali contidos com os colegas de classe. Como a maioria dos 
negros são retratados de forma pejorativa no livro didático, os colegas negros passam a ser 
estigmatizados e ridicularizados, gerando sérios reflexos na sua formação.

 Um afro abraço.

Fonte: www.slideshare.net/www. bamidele.org.br/: Wikipédia, a enciclop

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