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sexta-feira, 17 de agosto de 2012

África do Sul alega autodefesa em maior massacre desde o Apartheid


A cena era muito comum nos anos em que a África do Sul era dominada pelo regime segregacionista do Apartheid. De armas na mão, policiais observam os corpos de manifestantes no chão, ensanguentados, após o protesto ser “contido” pelas autoridades. Nos anos 1990, os policiais eram brancos e, os mortos, todos negros lutando por igualdade. Hoje, os corpos continuam sendo de negros, mas muitos policiais também são.

" O conflito não é racial, mas trabalhista. É a África do Sul de 2012, livre do atroz regime da supremacia branca, mas ainda flagelado pela desigualdade e por um mercado de trabalho cruel."


A polícia sul-africana alegou nesta sexta-feira (17) ter agido em legítima defesa em uma operação repressiva --mais sangrenta desde o fim do Apartheid, em 1994-- que deixou, segundo seu próprio registro, 36 mineiros grevistas mortos e cerca de 80 feridos.


"O grupo de militantes atacou a polícia, disparando e brandindo armas perigosas", sustentou a chefe policial, Riah Phiyega, ao se referir aos confrontos ocorridos na quinta-feira em Marikana (noroeste) com os grevistas na mina de platina Lonmin.
"A polícia se retirou sistematicamente e se viu forçada a recorrer à força máxima para se defender. O registro é de 34 mortos e mais de 78 feridos", assim como de 259 detidos, acrescentou.

Este é o primeiro balanço oficial dos confrontos. Uma fonte do sindicato havia informado anteriormente a morte de 36 mineiros.

O movimento, considerado ilegal, começou com uma reivindicação de um grupo de mineiros que exigia que seu salário, atualmente de 4.000 rands mensais (486 dólares), fosse triplicado.

O movimento, considerado ilegal, começou com uma reivindicação de um grupo de mineiros que exigia que seu salário, atualmente de 4.000 rands mensais (486 dólares), fosse triplicado.

O massacre provocou comoção mundial, já que muitas redes de televisão cobriam as negociações com os grevistas quando a operação teve início.
De qualquer forma, esta foi a intervenção policial mais sangrenta desde 1985, quando a polícia matou 20 manifestantes negros que protestavam contra o regime segregacionista do Apartheid.

Desta vez, foram policiais negros que abriram fogo contra mineiros também negros, cujas condições materiais de vida sofreram escassas melhorias desde a instauração de uma democracia multirracial, há 18 anos.

A greve

A greve de Lonmin, que começou há uma semana, já havia deixado dez mortos antes de quinta-feira, em supostos confrontos entre dois sindicatos: o AMCU (Sindicato de Mineiros e Trabalhadores da Construção, que é radical) e NUM (o Sindicato Nacional de Mineiros), um poderoso aliado do CNA (Congresso Nacional Africano), o partido no poder.

O presidente sul-africano, Jacob Zuma, que participava de uma cúpula regional em Moçambique, retornou às pressas nesta sexta-feira ao seu país, em um voo que o levou diretamente a Rustenburg, a cidade mais próxima à mina. Ele anunciou a criação de uma comissão para investigar os fatos.

"Devemos tentar esclarecer a verdade do que ocorreu aqui, por isso decidi instaurar uma comissão de investigação para descobrir as causas reais deste incidente", declarou o chefe de Estado, em um discurso transmitido ao vivo pela televisão.

Nesta sexta-feira, em meio às casas de madeira e depósitos da riquíssima mina, cerca de cem mulheres denunciavam a violência policial, com os cantos e danças utilizados há duas décadas para acusar o Apartheid.


"A polícia veio aqui para matar nossos maridos, nossos irmãos. Nossos filhos!", gritava uma delas, Nokuselo Mciteni, de 42 anos.
Cerca de 2.000 mineiros voltaram a se reunir, alguns com barras de ferro e paus.

Um imigrante de Moçambique, Luis Macuacua, de 35 anos, deu sua versão dos incidentes da véspera. "Estávamos reunidos, e a polícia chegou para nos expulsar. Era uma guerra".

Antes dos episódios de quinta-feira, a direção da mina havia intimado os grevistas a retomar o 
trabalho na sexta-feira, sob pena de demissão.

A Lonmin afirma que a greve a impedirá provavelmente de alcançar sua meta de produção anual de 750.000 onças de platina.

A tensão social na África do Sul levou nesta sexta-feira (17) o preço da platina ao seu nível máximo em um mês. No London Platinum and Palladium Market, às 10h (7h de Brasília) a onça era negociada a US$ 1.460,99, em alta de US$ 60 (+4%) em comparação com o meio-dia de quinta-feira (16).

“Os confrontos envolvem uma disputa pelo recrutamento de trabalhadores entre o Sindicato Nacional dos Mineradores (NUM) e o Sindicato da Associação de Mineradores e da Construção Civil (AMCU). Ao menos três pessoas morreram em um incidente parecido em janeiro, que acabou provocando o fechamento por seis semanas da maior mina de platina do mundo, administrada pela Impala Platinum.

Sem comentarios e textos adicionais.
Claudia Vitalino/Negra - Trabahadora...e Sindicalista .
Fonte: noticias.uol

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